Categoria: Lipedema

Autora: Dra. Nelise Marvulo –  CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071 | Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular


Você já ouviu falar no Junho Roxo? Assim como o Outubro Rosa conscientiza sobre o câncer de mama, junho é o mês dedicado mundialmente à conscientização sobre o lipedema — uma doença crônica, inflamatória e ainda muito subdiagnosticada, que afeta quase exclusivamente mulheres. Estima-se que 8 milhões de brasileiras convivam com o lipedema sem nem saber que têm uma doença. Muitas passam anos ouvindo que “é falta de força de vontade”, “é só emagrecer” ou “é celulite” — quando na verdade estão enfrentando uma condição médica real, que tem nome, diagnóstico e tratamento.

Neste artigo, a Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular especialista em lipedema, com consultório nos Jardins, em São Paulo, explica o que é o lipedema, como reconhecer os sinais, por que é tão difícil de diagnosticar e o que pode ser feito para melhorar a qualidade de vida de quem vive com essa condição.


O que é o Junho Roxo?

O Junho Roxo é a campanha mundial de conscientização sobre o lipedema. O roxo foi escolhido como a cor da campanha por representar os hematomas espontâneos que surgem com facilidade na pele de quem tem a doença — um dos sinais mais característicos do lipedema.

No Brasil, o movimento ganhou força nos últimos anos com iniciativas de ONGs, institutos e projetos de lei estaduais que buscam oficializar o mês como data de conscientização e ampliar o acesso ao diagnóstico precoce.

O objetivo do Junho Roxo vai além da informação: é romper com o estigma que ainda cerca o lipedema, frequentemente confundido com obesidade ou falta de cuidado com a saúde, e garantir que mais mulheres tenham acesso ao diagnóstico correto e ao tratamento adequado.


O que é lipedema?

O lipedema é uma doença crônica e progressiva caracterizada pelo acúmulo anormal e desproporcional de gordura — principalmente nos membros inferiores (quadris, coxas e pernas) e, em alguns casos, também nos braços. Essa gordura não responde à dieta nem à atividade física da forma habitual, o que é uma das principais fontes de confusão e sofrimento para quem tem a doença.

Diferente da gordura comum, a gordura do lipedema é estruturalmente diferente: é inflamatória, dolorosa ao toque, sensível a variações hormonais e associada a alterações no sistema linfático e vascular. O lipedema não é uma escolha, não é desleixo e não é simples excesso de peso — é uma doença com base genética e hormonal comprovada.

Apesar de afetar entre 10% e 12% das mulheres em todo o mundo, o lipedema permanece como uma das condições mais subdiagnosticadas da medicina. Muitas pacientes levam anos — ou décadas — até receber o diagnóstico correto.


Lipedema ou gordura? Como diferenciar?

Essa é a pergunta mais buscada no Google por mulheres que suspeitam da condição. Veja as principais diferenças:

Característica

Lipedema

Gordura comum

Distribuição Desproporcional: pernas/quadris volumosos com tronco menor Proporcional ao ganho de peso geral
Resposta à dieta Não reduz nas áreas afetadas Reduz com perda de peso
Resposta ao exercício Pouca ou nenhuma redução local Redução gradual com exercício
Dor ao toque Presente — sensibilidade aumentada Ausente na gordura comum
Hematomas espontâneos Muito comuns, sem trauma aparente Raros sem causa
Inchaço Piora ao longo do dia e no calor Geralmente não há inchaço
Pés e mãos Geralmente poupados (sinal do manguito) Sem padrão específico
Início Frequentemente na puberdade, gravidez ou menopausa Associado a ganho calórico

O “sinal do manguito” é um dos sinais clássicos do lipedema: há uma demarcação nítida entre a gordura acumulada na perna e o pé normal, como se a gordura “parasse” no tornozelo.


Quais são os sintomas do lipedema?

Os sintomas do lipedema vão muito além da aparência. As principais queixas das pacientes são:

Físicos:

  • Pernas e quadris desproporcionalmente volumosos em relação ao restante do corpo
  • Dor crônica nas pernas, especialmente à pressão e ao toque
  • Hematomas que aparecem com facilidade, mesmo sem trauma significativo
  • Sensação de peso e pressão nas pernas
  • Inchaço que piora ao longo do dia, com o calor e após longos períodos em pé
  • Pele com textura irregular (“casca de laranja” ou aspecto nodular ao toque profundo)
  • Sensação de “pernas cansadas” constante
  • Limitação de mobilidade nos casos mais avançados

Emocionais e psicológicos:

  • Baixa autoestima e vergonha do próprio corpo
  • Frustração com dietas e exercícios que “não funcionam” nas pernas
  • Ansiedade e depressão associadas ao não diagnóstico
  • Sensação de incompreensão por médicos e familiares

Muitas mulheres relatam que o maior alívio ao receberem o diagnóstico de lipedema é entender que não é culpa delas — e que existe uma explicação médica para o que sentem.


Quem pode ter lipedema?

O lipedema afeta quase exclusivamente mulheres — casos em homens são raríssimos e geralmente associados a alterações hormonais significativas. A doença tem forte componente genético: é comum que mãe, avó, tias e irmãs compartilhem o diagnóstico.

Quando o lipedema costuma aparecer ou piorar:

  • Puberdade — fase mais comum de início
  • Gravidez — as alterações hormonais podem desencadear ou agravar o quadro
  • Menopausa — queda do estrogênio pode intensificar os sintomas
  • Uso de anticoncepcionais hormonais
  • Cirurgias hormonais (histerectomia, por exemplo)

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do lipedema é essencialmente clínico — feito por um médico especializado com base na história da paciente, nos sintomas relatados e no exame físico. Não existe um exame de sangue ou de imagem que confirme o lipedema isoladamente, mas alguns exames são usados para avaliar a extensão da doença e descartar outras condições.

Um dos maiores desafios do Junho Roxo é justamente esse: conscientizar médicos de diversas especialidades sobre como reconhecer o lipedema — para que as pacientes não precisem esperar anos por um diagnóstico que pode mudar sua vida.


Lipedema tem cura?

O lipedema não tem cura definitiva até o momento — mas tem tratamento eficaz, que reduz os sintomas, melhora a qualidade de vida e freia a progressão da doença.

É importante separar duas questões: “cura” e “controle”. Embora o lipedema seja uma condição crônica, pacientes que recebem o diagnóstico correto e seguem um plano de tratamento adequado conseguem reduzir a dor, o inchaço, os hematomas e o impacto emocional da doença de forma significativa.


Quais são os tratamentos disponíveis?

O tratamento do lipedema é multidisciplinar — envolve diferentes especialistas e abordagens que se complementam:

  1. Terapia Descongestiva Complexa (TDC)

É o tratamento conservador de referência para o lipedema. Combina: drenagem linfática manual, enfaixamento compressivo multicamadas, exercícios específicos e cuidados com a pele.

  1. Meias e roupas de compressão

O uso regular de meias elásticas de compressão graduada reduz o inchaço, melhora o retorno venolinfático e alivia a sensação de peso.

  1. Atividade física adaptada

Exercícios de baixo impacto — especialmente natação, hidroginástica, caminhada e yoga — são bem tolerados e trazem benefícios significativos.

  1. Alimentação anti-inflamatória

Embora a dieta não elimine a gordura do lipedema, uma alimentação com foco anti-inflamatório contribui para o controle dos sintomas e da progressão da doença.

  1. Lipoaspiração tumescente (LAL)

Nos casos mais avançados, a lipoaspiração tumescente com técnica especialmente adaptada para o lipedema pode ser indicada. O procedimento remove a gordura doentia e reduz a dor, o volume e os hematomas.

  1. Acompanhamento vascular

O cirurgião vascular monitora a saúde das veias e do sistema linfático, gerencia a compressão adequada e trata as complicações vasculares frequentemente associadas ao lipedema.


Lipedema x Linfedema: qual a diferença?

É comum a confusão entre os dois termos — inclusive entre profissionais de saúde. Entenda as diferenças:

Característica Lipedema

Linfedema

O que é Doença do tecido gorduroso Doença do sistema linfático
Quem afeta Quase exclusivamente mulheres Homens e mulheres
Causa Genética e hormonal Obstrução ou dano linfático
Localização Simétrica (ambas as pernas) Pode ser assimétrica
Pés afetados? Geralmente não (sinal do manguito) Sim — inclui pés e dedos
Dor ao toque Muito comum Menos frequente
Progressão Sim, se não tratado Sim, se não tratado

Atenção: lipedema e linfedema podem coexistir — essa combinação é chamada de lipolinfedema e representa um estágio mais avançado que exige tratamento ainda mais cuidadoso.


O papel do cirurgião vascular no tratamento do lipedema

O cirurgião vascular é um dos especialistas centrais no cuidado de pacientes com lipedema. Entre suas atribuições estão:

  • Realizar o diagnóstico diferencial entre lipedema, linfedema e obesidade
  • Solicitar e interpretar o eco Doppler vascular e outros exames complementares
  • Avaliar e tratar a insuficiência venosa frequentemente associada
  • Prescrever e ajustar o grau de compressão das meias elásticas
  • Coordenar o tratamento multidisciplinar
  • Indicar e acompanhar a lipoaspiração tumescente quando necessário
  • Monitorar a evolução da doença e prevenir complicações

A Dra. Nelise Marvulo atende pacientes com lipedema no consultório nos Jardins, em São Paulo, com eco Doppler integrado à consulta. Também realiza consultas por telemedicina para pacientes em qualquer parte do Brasil e no Exterior.


Perguntas Frequentes

Como saber se tenho lipedema?

Os sinais mais característicos são: pernas e quadris desproporcionalmente volumosos mesmo com peso controlado, dor ao toque nas pernas, hematomas espontâneos frequentes e inchaço que piora ao longo do dia. Se você se identifica com esses sintomas, procure um cirurgião vascular para avaliação.

Lipedema engorda?

O lipedema em si não causa ganho de peso no sentido convencional — ele causa acúmulo de um tipo específico de gordura inflamatória que não responde à dieta comum.

Qual médico trata lipedema?

O cirurgião vascular é um dos especialistas de referência. O tratamento completo, porém, é multidisciplinar e pode envolver fisioterapeutas especializados em linfedema/lipedema, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos.

Lipedema piora na menopausa?

Sim. As alterações hormonais da menopausa — especialmente a queda do estrogênio — podem intensificar os sintomas do lipedema. É um momento importante para buscar avaliação especializada e ajustar o plano de tratamento.

Exercício físico piora o lipedema?

Não necessariamente. Exercícios de baixo impacto são altamente recomendados. O que deve ser evitado são exercícios de alto impacto que causam dor intensa. Cada paciente deve ser avaliada individualmente.


Junho Roxo: Fale Sobre Lipedema, Cuide de Quem Você Ama

O Junho Roxo é um convite à conscientização — mas o diagnóstico e o cuidado não precisam esperar o mês acabar. Se você suspeita de lipedema, em você ou em alguém próximo, o primeiro passo é procurar um especialista.

A Dra. Nelise Marvulo é cirurgiã vascular com atendimento individualizado para pacientes com lipedema, linfedema, varizes, vasinhos, trombose e check-up vascular, no Jardim Paulista (Jardins), em São Paulo. Atende também por telemedicina para todo o Brasil e Exterior.

📍 Jardim Paulista (Jardins) – São Paulo, SP

💻 Telemedicina disponível para todo o Brasil e Exterior.

Revisado pela Dra. Nelise Marvulo – Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular – CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071 |As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser sempre individualizados por um especialista após avaliação clínica.

Varizes são veias que se tornaram alongadas, dilatadas e tortuosas, o que causa uma alteração no funcionamento desses vasos, dificultando o retorno do sangue dos tecidos para o coração. Mais frequentemente acometem as veias das coxas e pernas podendo causar, além de desconforto estético, inchaço, formigamento, dor, sensação de cansaço e peso nas pernas, sintomas esses que frequentemente pioram ao longo do dia, especialmente após permanecer longos períodos em pé ou sentado, nos dias mais quentes e no período próximo ou durante a menstruação e gravidez e que melhoram com a elevação dos membros. É um problema que acomete cerca de 38% da população brasileira e sua incidência aumenta com o avançar da idade. O principal fator associado ao seu desenvolvimento é a herança genética mas outros fatores como hormônios,  gestações, hábitos de vida, obesidade e permanência por longos períodos em pé ou sentado podem contribuir para potencializar o surgimento desse problema. Seu tratamento depende do grau de acometimento das veias, localização, quantidade e expectativas dos pacientes, podendo envolver desde mudanças no estilo de vida (perda de peso, atividades físicas regulares, alterações posturais, etc), uso de medicações sintomáticas, uso de meias elásticas, escleroterapia, laser transdérmico, espuma densa, flebectomia, cirurgia convencional para tratamento da safena ou tratamento das safenas com laser endovenoso. O avanço das técnicas permite hoje um diagnóstico preciso e associação dessas técnicas de forma a termos tratamentos mais eficazes, confortáveis, evitando internações e cirurgias em mais de 80% dos casos e, quando elas são necessárias, o processo é muito menos invasivo, com menos dor, menos sofrimento e rápida recuperação e retorno às atividades habituais!
Vasos da face e do tronco: o processo de envelhecimento, com afinamento da pele, perda de tecido de sustentação do rosto e a frequente exposição solar comumente levam ao aparecimento de vasinhos (e até mesmo veias mais calibrosas) no rosto e no tronco, que causam um incômodo estético importante. Poucas pessoas sabem que é possível tratar esses vasos de modo não invasivo, com o uso exclusivo de laser transdérmico, sem cortes, sem injeções, no próprio consultório, em poucas visitas.

Lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, geralmente em pernas e braços, associada a dor, sensibilidade ao toque, inchaço e facilidade para hematomas. Afeta quase exclusivamente mulheres e, muitas vezes, é confundida com obesidade ou linfedema, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados.

Como cirurgiã vascular, atuo no diagnóstico preciso do lipedema e no acompanhamento individualizado de cada paciente, integrando estratégias clínicas que visam aliviar sintomas, melhorar a circulação, reduzir o desconforto e preservar a qualidade de vida. O cuidado é sempre personalizado, baseado em ciência, escuta atenta e foco no bem-estar global da paciente.

A obstrução do fluxo de sangue dentro de uma veia por um trombo (sangue na forma sólida) caracteriza a trombose venosa. Em geral esse problema acontece por alteração na consistência do sangue, na velocidade de fluxo dele dentro do vaso ou por lesões diretas na parede da veia. Tais situações podem ser encontradas em pacientes acamados, imobilizados, submetidos a cirurgias longas, pacientes que receberam medicações endovenosas, que sofreram algum traumatismo nos membros, que tiveram infecções graves, doenças do sangue, pacientes com câncer ou em tratamentos oncológicos, gestantes ou pacientes em uso de hormônios, etc. A trombose venosa pode causar inchaços, normalmente acometendo apenas um dos membros, de forma súbita, com piora progressiva, sem melhora com o repouso, acompanhado de dor no membro, podendo ter surgimento de vasos mais evidentes sob a pele e alterações na cor do membro, que pode ficar mais avermelhado ou azulado. No entanto, alguns pacientes não apresentam nenhum sintoma desses e a suspeita deve ser feita quando existe a presença de algum dos fatores de risco já mencionados anteriormente. Seu diagnóstico e tratamento são importantes pois, na fase aguda, existe um risco do trombo/coágulo se desprender da veia e migrar para os vasos do pulmão, causando a temida embolia pulmonar, que pode ser fatal. Na fase tardia, a trombose pode evoluir com um quadro chamado Síndrome pós-trombótica, com aparecimento de inchaço, varizes, escurecimento da pele da perna, alterações na espessura da pele e até surgimento de úlceras de difícil cicatrização. O tratamento, na maioria das vezes, é feito em casa com medicações orais denominadas anticoagulantes a fim de evitar o aumento dos coágulos e facilitar a estabilização dos mesmos. Além disso, o uso de meias elásticas de compressão, orientações quanto a correta execução de atividades físicas e cuidados com a pele são fundamentais para uma boa evolução e qualidade de vida!

As causas de dores nas pernas são inúmeras e uma das mais frequentes é a doença venosa (Insuficiência Venosa Crônica). A compreensão dos hábitos de vida de cada paciente, do seu histórico de saúde e comorbidades atuais, bem como um exame físico e ultrassonográfico com doppler detalhado permitem a diferenciação do diagnóstico e a proposta de tratamentos eficazes e possíveis de serem realizados no dia-a-dia de cada um.

Os equipamentos de realidade aumentada iluminam a área de interesse na pele com uma luz infravermelha inofensiva que, devido às suas características, é absorvida pelo sangue . Por causa dessa absorção, uma ”imagem” da posição do vaso pode ser representada na pele da área onde há a maior concentração de sangue (no caso, as veias). Essa representação facilita identificarmos veias nutridoras de vasinhos e telangiectasias, não visíveis a olho nu por estarem sob a pele e não identificadas ao ultrassom por serem muito superficiais e pequenas para serem definidas pela tecnologia ultrassonográfica.

A adequada visualização dessas veias nutridoras facilita a sua punção durante o tratamento, permitindo a identificação do vaso e acompanhamento em tempo real da injeção das substâncias esclerosantes em sua luz, levando a melhor precisão na punção, menor quantidade de punções e mais eficácia no tratamento. Permite, junto com a associação de exame físico adequado e utilização do ultrassom doppler, que todas as veias envolvidas no quadro apresentado por cada paciente sejam tratadas adequadamente.

Outra utilidade da realidade aumentada é facilitar a marcação das veias a serem retiradas nos procedimentos cirúrgicos de tratamento de varizes. Essa tecnologia permite que as incisões sejam feitas com exatidão, minimizando sangramentos, hematomas e cicatrizes, com recuperação mais rápida e excelentes resultados estéticos e funcionais da cirurgia.