Categoria: Cirurgia Vascular
Autora: Dra. Nelise Marvulo – CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071 | Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular
Você recebeu o diagnóstico de varizes e agora está diante de uma dúvida que aparece no consultório todo dia: preciso operar, ou dá para tratar sem cirurgia? E entre as opções sem cirurgia — escleroterapia, laser transdérmico, laser endovenoso — qual é a indicada para o seu caso?
A resposta depende de fatores que vão muito além da aparência das varizes. Neste artigo, a Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular e ecografista vascular com consultório nos Jardins, em São Paulo, explica as diferenças entre todas as opções disponíveis — incluindo o laser transdérmico, técnica que, na prática clínica, associamos à escleroterapia em quase todos os casos.
Por que existem tantas opções de tratamento para varizes?
Porque varizes não são todas iguais. O sistema venoso tem veias de diferentes calibres, profundidades e origens. A indicação do tratamento precisa ser individualizada — adaptada ao tipo de veia afetada, ao grau de insuficiência venosa, ao histórico do paciente e às suas preferências. Não existe um tratamento universalmente melhor: existe o tratamento certo para aquele caso específico.
Quais são os tratamentos disponíveis para varizes?
- Escleroterapia líquida: injeção de substância esclerosante na forma líquida. Indicada para vasinhos muito finos (telangiectasias) e microvarizes de até 1–2 mm.
- Escleroterapia com espuma: o esclerosante é misturado/agitado com gás, formando uma espuma que gera maior superfície de contato com a parede venosa. Indicada para varizes de pequeno e médio calibre, vasinhos resistentes à escleroterapia simples e veias safenas de menor diâmetro.
- Laser transdérmico (Nd:YAG): laser aplicado sobre a pele que age na hemoglobina do sangue dentro dos vasinhos, fechando-os pelo calor. Complementa a escleroterapia — associados na maioria dos casos para vasinhos resistentes, para vasinhos mais azulados e para veias de calibre intermediário (que, no passado, só eram possíveis de serem tratadas através de microcirurgia).
- Laser endovenoso (EVLA): fibra óptica introduzida dentro da veia safena insuficiente. Fecha a veia de dentro para fora, sem cortes. Padrão-ouro para safena insuficiente.
- Radiofrequência endovenosa (RFA): mesmo princípio do laser endovenoso, usando energia de calor. Resultados e taxas de sucesso equivalentes.
- Cirurgia convencional (safenectomia): remoção cirúrgica da safena por incisões. Ainda indicada em casos específicos.
- Microflebectomia: remoção de varizes tributárias por microincisões de 1–3 mm, geralmente complementar ao laser endovenoso.
Escleroterapia: quando é indicada?
- Telangiectasias e microvarizes (< 3 mm): primeira escolha com excelentes resultados estéticos
- Varizes tributárias de pequeno e médio calibre sem insuficiência safena significativa
- Varizes residuais ou recidivadas após laser endovenoso, radiofrequência ou cirurgia
- Pacientes que não podem ser submetidos a anestesia geral
O que a escleroterapia não resolve sozinha: quando há insuficiência significativa da veia safena, tratar apenas as varizes visíveis sem eliminar a causa do refluxo leva à recidiva precoce. A safena insuficiente precisa ser tratada primeiro.
A associação da escleroterapia com o laser transdérmico potencializa os resultados da escleroterapia e permite tratar vasos mais calibosos.
Laser transdérmico: o aliado da escleroterapia
O laser transdérmico — também chamado de laser percutâneo ou laser de superfície — é aplicado diretamente sobre a pele, sem injeções. A energia luminosa atravessa a pele e é absorvida pela hemoglobina dentro dos vasinhos, gerando calor que coagula e fecha os vasos.
O equipamento mais utilizado é o Nd:YAG 1064 nm — comprimento de onda que penetra mais profundamente na pele e age com maior segurança em diferentes fototipos.
Indicações do laser transdérmico:
- Vasinhos muito finos que dificultam a punção com agulha
- Vasinhos resistentes à escleroterapia simples
- Vasos de calibre intermediário, porém superficiais
- Vasinhos no rosto — onde a escleroterapia não é realizada
- Pacientes com alergia ou contraindicação ao agente esclerosante
- Complemento à escleroterapia para vasinhos residuais após o tratamento principal
Por que associamos laser transdérmico e escleroterapia na maioria dos casos?
Na prática clínica da Dra. Nelise Marvulo, as duas técnicas são frequentemente usadas em conjunto — e essa combinação oferece resultados superiores ao uso isolado de qualquer uma delas:
- A escleroterapia trata os vasinhos de maior calibre e os vasos mais acessíveis à punção
- O laser transdérmico complementa o tratamento nos vasos superficiais de tamanho intermediário, reduzindo o calibre dos mesmos, permitindo menor necessidade de indicação de microcirurgias e o uso de menores volumes de esclerosantes.
- A associação reduz o número total de sessões necessárias e melhora o resultado estético final
O que o laser transdérmico NÃO faz: não trata varizes de médio ou grande calibre, não trata vasos profundos e não substitui o laser endovenoso para safena insuficiente. Sua indicação em peles morenas e negras é possível, exigindo alguns cuidados específicos a fim de evitar pigmentação ou lesões na pele.
Quantas sessões de laser transdérmico são necessárias? Em geral, 2 a 6 sessões com intervalo de 4 a 6 semanas, sempre em conjunto com o protocolo de escleroterapia.
Laser endovenoso e radiofrequência: quando são indicados?
Indicados quando há insuficiência venosa da safena magna ou parva documentada pelo eco Doppler:
- Safena magna ou parva insuficiente com diâmetro ≥ 5–6 mm, refluxo documentado e sinais e sintomas associados
- Varizes volumosas de tronco associadas à insuficiência safena
- Pacientes que buscam alternativa à cirurgia com menor tempo de recuperação
- Contraindicação à anestesia geral — procedimento feito com anestesia local tumescente
Laser endovenoso x Radiofrequência: taxas de sucesso, complicações e conforto pós-operatório são muito semelhantes. A escolha depende da experiência do cirurgião e das características anatômicas da veia.
Cirurgia convencional: quando ainda é necessária?
- Em geral, hoje em dia a cirurgia convencional de safenectomia só está indicada na indisponibilidade da tecnologia do laser endovenoso e nos casos de limitação econômica, impossibilitando a aquisição da fibra do laser.
Comparativo completo das técnicas
| Característica | Escleroterapia | Laser Transdérmico | Laser/Radiofrequência Endovenoso | Cirurgia Convencional |
| Indicação principal | Vasinhos e varizes pequenas/médias | Vasinhos de face, vasinhos e microvarizes superficiais | Safena insuficiente, varizes calibrosas | Indisponibilidade do laser ou questão econômica |
| Anestesia | Nenhuma | Nenhuma | Local (tumescente) | Geral ou raquidiana |
| Internação | Não | Não | Não | Sim (1–2 dias) |
| Cortes/pontos | Não | Não | Não (micropunção) | Sim |
| Recuperação | Imediata | Imediata | 1–3 dias (sedentário) | 7–30 dias |
| Nº de sessões | 2–8 sessões | 2–6 sessões | 1 sessão por veia | 1 cirurgia |
| Taxa sucesso | 70–90% | 60–80% (complementar) | 90–95% (safena) | 85–90% (safena) |
| Cicatriz | Não | Não | Não | Possível |
| Uso combinado | + laser transdérmico | + escleroterapia | + escleroterapia / microflebectomia | + microflebectomia |
O que define a indicação de cada tratamento?
- Calibre e tipo dos vasos: vasinhos muito finos → laser transdérmico + escleroterapia líquida. Varizes médias sem safena insuficiente → escleroterapia com espuma ± laser transdérmico. Varizes volumosas com safena insuficiente → laser endovenoso ou cirurgia + escleroterapia complementar.
- Grau de insuficiência venosa safena: o fator mais importante. O eco Doppler mede o refluxo e o calibre da safena.
- Resistência à escleroterapia: vasinhos que não respondem adequadamente à escleroterapia são candidatos ao laser transdérmico como complemento.
- Fototipo da pele: o laser transdérmico e escleroterapia exigem cuidado em peles mais escuras (fototipos IV–VI) pelo risco de hiperpigmentação. A avaliação médica define a segurança do procedimento para cada paciente.
- Histórico de tratamentos anteriores: cirurgias ou procedimentos prévios podem ter alterado a anatomia e exigir abordagem diferente.
- Estágio CEAP: estágios mais avançados (C4–C6) frequentemente exigem abordagem mais agressiva e multidisciplinar.
O papel do eco Doppler na escolha do tratamento
Nenhuma decisão sobre o tratamento de varizes deve ser tomada sem o eco Doppler venoso. Ele identifica quais veias estão insuficientes, mede o calibre da safena, avalia a permeabilidade do sistema profundo e planeja o acesso do laser ou da cirurgia.
Sem o eco Doppler, o médico trata o que vê — mas não trata a causa. O resultado: varizes que voltam rapidamente porque a ‘torneira’ (safena insuficiente) continua aberta.
A Dra. Nelise Marvulo realiza o eco Doppler venoso integrado à consulta no próprio consultório — diagnóstico e plano de tratamento definidos na mesma visita, pelo mesmo especialista.
Como as técnicas se combinam na prática clínica?
Protocolo mais comum para vasinhos e varizes pequenas/médias:
Escleroterapia com espuma (varizes maiores) + escleroterapia líquida (vasinhos) + laser transdérmico (vasinhos e microvarizes superficiais). Essa combinação cobre todos os calibres de vasos superficiais e oferece o melhor resultado estético, reduzindo o número total de sessões.
Protocolo para insuficiência safena + varizes + vasinhos:
Laser endovenoso ou radiofrequência (safena) → 4 a 8 semanas depois: escleroterapia com espuma (varizes tributárias) + escleroterapia líquida + laser transdérmico (vasinhos). A safena é sempre tratada primeiro — ela é a ‘torneira’ que alimenta tudo o mais.
Protocolo para vasinhos isolados sem insuficiência safena:
Escleroterapia líquida + laser transdérmico desde a primeira sessão, com protocolo definido pela distribuição, calibre e fototipo da paciente.
Varizes voltam após o tratamento?
A veia safena fechada completamente pelo laser não reabre. Vasinhos tratados pela escleroterapia e pelo laser transdérmico são absorvidos e não retornam nos mesmos locais. Porém, novas varizes e vasinhos podem surgir com o tempo — a predisposição genética permanece.
Para minimizar a recidiva:
- Realizar o tratamento completo baseado no eco Doppler, tratando a causa e a consequência
- Manter peso adequado e atividade física regular
- Usar meia elástica, quando necessário
- Realizar acompanhamento vascular anual
Perguntas Frequentes
Laser transdérmico dói?
A maioria das pacientes descreve a sensação como pequenas “picadas” rápidas durante os pulsos do laser. É tolerável sem anestesia na maioria dos casos. Pode ser aplicada anestesia tópica (creme) em pacientes mais sensíveis, além da possibilidade do uso da sedação consciente com óxido nitroso.
Laser transdérmico deixa marcas?
Temporariamente, pode causar vermelhidão e edema nos locais tratados, que desaparecem em poucos dias. O principal risco a longo prazo é a hiperpigmentação (manchas escurecidas), que pode ocorrer especialmente em peles mais escuras ou após exposição solar. A proteção solar rigorosa após o procedimento é fundamental.
Posso fazer escleroterapia e laser transdérmico na mesma sessão?
Sim — e é exatamente assim que trabalhamos na prática. A mesma consulta pode incluir escleroterapia nas varizes maiores e laser transdérmico nas microvarizes e nos vasinhos mais finos. O protocolo é definido pela Dra. Nelise Marvulo conforme o mapa de vasos de cada paciente.
Qual tratamento tem recuperação mais rápida?
Escleroterapia e laser transdérmico: recuperação imediata — a paciente retorna às atividades normais no mesmo dia. Laser endovenoso: retorno ao trabalho sedentário em 1–3 dias. Cirurgia convencional: 7–30 dias.
O plano de saúde cobre os tratamentos?
O tratamento de varizes com insuficiência venosa documentada geralmente tem cobertura para cirurgia convencional e, em alguns casos, laser endovenoso. Escleroterapia e laser transdérmico para vasinhos geralmente são particulares. A Dra. Nelise não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde.
A Indicação Certa — e a Combinação Certa — Fazem Toda a Diferença
Escolher entre cirurgia, laser endovenoso, laser transdérmico e escleroterapia sem o respaldo do eco Doppler e de um cirurgião vascular experiente é deixar o resultado ao acaso. A indicação e a combinação corretas desde o início significam menos sessões, menos recidivas e melhor resultado estético e funcional.
A Dra. Nelise Marvulo é cirurgiã vascular e ecografista vascular, com consultório no Jardim Paulista (Jardins), em São Paulo. Realiza avaliação completa com eco Doppler integrado à consulta e define o plano de tratamento mais adequado — com escleroterapia, laser transdérmico, laser endovenoso, radiofrequência ou combinação de técnicas. Atende também por telemedicina para todo o Brasil e Exterior.
A Dra. Nelise não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde do paciente.
📍 Jardim Paulista (Jardins) – São Paulo, SP
💻 Telemedicina disponível para todo o Brasil e Exterior
Dra. Nelise Marvulo – Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular | CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071
As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser sempre individualizados por um especialista após avaliação clínica.