Categoria: Cirurgia Vascular

Autora: Dra. Nelise Marvulo – CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071 | Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular


“Minha mãe tem varizes há anos e o médico disse que ela pode ter trombose.” “Senti um caroço doloroso numa variz — isso é trombose?” Essas perguntas fazem todo o sentido, porque varizes e trombose compartilham o mesmo território: as veias das pernas.

Não é correto dizer que varizes simplesmente “viram” trombose — mas é correto dizer que quem tem varizes tem risco aumentado de desenvolver trombose. Neste artigo, a Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular e ecografista vascular com consultório nos Jardins, em São Paulo, explica a relação entre as duas condições, como distinguir uma da outra e quando a situação é urgente.


O que são varizes e o que é trombose?

Varizes: são veias superficiais dilatadas, tortuosas, com válvulas que não funcionam corretamente. O sangue reflui para baixo, aumentando a pressão dentro das veias. É uma doença crônica do sistema venoso superficial, com evolução lenta e gradual.

Trombose venosa: é a formação de um coágulo sanguíneo dentro de uma veia. Pode ocorrer em veias superficiais (tromboflebite) ou profundas (TVP). A TVP é a forma mais grave e pode levar à embolia pulmonar.

Em resumo: varizes são um problema estrutural (dilatação e refluxo). Trombose é um problema de coagulação. São condições diferentes — mas que podem se influenciar mutuamente.


Varizes viram trombose? Entenda a relação correta

A expressão “varizes viram trombose” é tecnicamente imprecisa — mas o medo por trás dela é legítimo.

As varizes aumentam o risco de trombose — não são a trombose em si.

  1. Estase venosa: nas veias varicosas, o sangue flui mais lentamente. O refluxo e as dilatações reduzem a velocidade do fluxo — sangue parado tem maior tendência a coagular.
  2. Alteração da parede vascular: a dilatação crônica causa alterações inflamatórias na parede das veias, criando ambiente propício para a coagulação.

O que a literatura mostra: pacientes com varizes têm risco de TVP até 5 vezes maior do que pessoas sem varizes — risco ainda maior com outros fatores associados (obesidade, gravidez, anticoncepcionais, imobilização, cirurgias).


Tromboflebite superficial: quando a variz inflama

A tromboflebite superficial é a condição que mais diretamente conecta varizes e trombose. É a formação de um coágulo dentro de uma veia varicosa superficial, com inflamação local.

Sintomas:

  • Dor localizada e intensa ao longo de uma variz
  • Vermelhidão e calor na pele sobre a variz afetada
  • Endurecimento palpável — a variz fica como um “cordão” firme
  • Edema local e, às vezes, febre baixa

Duas situações tornam a tromboflebite potencialmente grave: extensão para o sistema venoso profundo (quando o coágulo atinge a junção safeno-femoral, com risco real de TVP e embolia) e tromboflebite como sinal de doença subjacente (câncer oculto, trombofilias) em casos recorrentes ou atípicos.


Trombose venosa profunda em quem tem varizes

A TVP é mais grave que a tromboflebite superficial porque o coágulo pode obstruir completamente o retorno venoso, se desprender e migrar para os pulmões, e deixar sequelas nas válvulas venosas.

As varizes em si raramente causam TVP diretamente — mas quem tem varizes frequentemente tem outros fatores de risco associados que, combinados com um gatilho (cirurgia, gravidez, imobilização, viagem longa), aumentam significativamente o risco.

Situações de alto risco em pacientes com varizes:

  • Cirurgia recente — especialmente ortopédica ou abdominal
  • Gravidez e puerpério
  • Imobilização prolongada — viagens longas, repouso, fraturas
  • Uso de anticoncepcionais hormonais com estrogênio
  • Obesidade e histórico familiar de trombose

Como diferenciar variz, tromboflebite e trombose profunda?

Característica Variz Tromboflebite Superficial Trombose Venosa Profunda
Localização Superficial, visível Superficial, visível Profunda, não visível
Dor Peso, cansaço, cãibras Intensa, localizada Difusa, leve a intensa
Inchaço Leve, piora ao longo do dia Leve, localizado Súbito, assimétrico, intenso
Vermelhidão Ausente Presente, linear Pode estar presente
Calor local Ausente Presente, localizado Pode estar presente
Endurecimento Veia mole, compressível Cordão endurecido palpável Não palpável
Urgência Não é urgência Avaliação em dias Urgência — mesmo dia
Risco de embolia Baixo Baixo a moderado Alto

Regra prática: se uma variz ficou repentinamente muito mais dolorosa, endurecida e avermelhada — ou se uma perna inchou subitamente mais que a outra — procure avaliação vascular com urgência. Não tente diferenciar sozinho em casa.


Quando a situação é urgente?

Procure avaliação no mesmo dia se:

  • Uma das pernas inchou de forma súbita e assimétrica, com dor e calor
  • Uma variz ficou muito dolorosa, endurecida e avermelhada de repente
  • O endurecimento se estende pela coxa em direção à virilha
  • Há febre associada ao endurecimento de uma variz

Vá ao pronto-socorro imediatamente se houver falta de ar súbita, dor no peito ou tosse com sangue (suspeita de embolia pulmonar) ou perna com dor intensa, palidez e frio (suspeita de oclusão arterial aguda).


O eco Doppler na investigação de varizes com suspeita de trombose

O eco Doppler venoso é indispensável sempre que há suspeita de trombose em paciente com varizes. Permite visualizar o coágulo, avaliar a extensão da tromboflebite, confirmar ou descartar extensão para o sistema profundo e distinguir tromboflebite de TVP.

A Dra. Nelise Marvulo realiza o eco Doppler venoso no próprio consultório, integrado à consulta — diagnóstico imediato e decisão terapêutica sem encaminhamentos adicionais. Em casos de suspeita de TVP, o exame pode ser solicitado com caráter de urgência.


Tratar as varizes previne a trombose?

Parcialmente — e a prevenção é real e clinicamente significativa. O tratamento das varizes elimina as veias dilatadas que criam o ambiente propício para coágulos: o fluxo melhora, a inflamação local diminui e o risco de tromboflebite nas próprias varizes desaparece.

O que o tratamento não elimina: o risco de TVP relacionado a outros fatores (cirurgia, gravidez, imobilização, trombofilias), a predisposição genética e o risco em veias profundas não relacionadas às varizes tratadas.


Quem tem varizes precisa tomar anticoagulante?

Não — na imensa maioria dos casos, não. A presença de varizes, por si só, não é indicação de anticoagulação.

Indicações de anticoagulação:

  • Tromboflebite superficial extensa, especialmente próxima da junção safeno-femoral
  • Trombose venosa profunda confirmada — tratamento obrigatório
  • Situações de alto risco temporário (cirurgia de grande porte, imobilização prolongada)
  • Trombofilia de alto risco associada a varizes

A decisão deve ser sempre tomada pelo cirurgião vascular após avaliação clínica e eco Doppler. Automedicação com anticoagulantes tem riscos sérios.


Como proteger quem tem varizes do risco de trombose?

Tratar as varizes: medida mais eficaz a longo prazo — não adie por ser “só estético”.

Manter-se ativo: a bomba venosa da panturrilha é a principal aliada contra a estase.

Usar meia de compressão: especialmente em viagens longas, pós-operatório e gravidez.

Hidratação adequada: sangue bem hidratado é menos viscoso e menos propenso a coagular.

Controlar fatores de risco modificáveis: peso, tabagismo e sedentarismo beneficiam ambas as frentes.

Informar médicos sobre varizes antes de cirurgias: para que a profilaxia antitrombótica adequada seja prescrita.

Acompanhamento vascular regular: check-up vascular anual com eco Doppler.


Perguntas Frequentes

Se eu tiver tromboflebite, preciso ir ao hospital?

Depende da extensão. Tromboflebites pequenas podem ser manejadas ambulatorialmente. Tromboflebites extensas — especialmente próximas à virilha — precisam de eco Doppler urgente e possivelmente anticoagulação.

Posso fazer escleroterapia se já tive trombose?

Depende do tempo decorrido e do estado atual das veias. Trombose recente é contraindicação absoluta. Após resolução e anticoagulação adequada, o tratamento pode ser planejado com eco Doppler prévio.

Varizes na gravidez aumentam o risco de trombose?

Sim, significativamente. A gravidez já é um estado de hipercoagulabilidade fisiológica, e as varizes somam estase venosa a esse cenário.

Anticoncepcional aumenta o risco de trombose em quem tem varizes?

Sim, de forma significativa em pacientes que apresentam trombofilias (alterações sanguíneas que predispõe a trombose) e fazem uso de anticoncepcionais combinados. Todos esses fatores combinados tornam o risco de TVP várias vezes maior. Discuta o risco com seu ginecologista e cirurgião vascular pois existem opções seguras para contracepção nesses casos.

O plano de saúde cobre o tratamento de varizes?

O tratamento com insuficiência venosa documentada geralmente tem cobertura. A Dra. Nelise não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso.


Varizes e Trombose: Não Espere o Problema se Agravar

Entender a relação entre varizes e trombose é o primeiro passo para tomar decisões inteligentes sobre a própria saúde vascular. Tratar as varizes não é apenas estético — é prevenção concreta.

A Dra. Nelise Marvulo é cirurgiã vascular e ecografista vascular, com atendimento individualizado no Jardim Paulista (Jardins), em São Paulo. Realiza eco Doppler integrado à consulta para diagnóstico preciso de varizes, tromboflebite e TVP. Atende também por telemedicina para todo o Brasil e Exterior.

A Dra. Nelise não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde do paciente.


📍 Jardim Paulista (Jardins) – São Paulo, SP

💻 Telemedicina disponível para todo o Brasil e Exterior


Dra. Nelise Marvulo – Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular | CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071

As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.

Varizes são veias que se tornaram alongadas, dilatadas e tortuosas, o que causa uma alteração no funcionamento desses vasos, dificultando o retorno do sangue dos tecidos para o coração. Mais frequentemente acometem as veias das coxas e pernas podendo causar, além de desconforto estético, inchaço, formigamento, dor, sensação de cansaço e peso nas pernas, sintomas esses que frequentemente pioram ao longo do dia, especialmente após permanecer longos períodos em pé ou sentado, nos dias mais quentes e no período próximo ou durante a menstruação e gravidez e que melhoram com a elevação dos membros. É um problema que acomete cerca de 38% da população brasileira e sua incidência aumenta com o avançar da idade. O principal fator associado ao seu desenvolvimento é a herança genética mas outros fatores como hormônios,  gestações, hábitos de vida, obesidade e permanência por longos períodos em pé ou sentado podem contribuir para potencializar o surgimento desse problema. Seu tratamento depende do grau de acometimento das veias, localização, quantidade e expectativas dos pacientes, podendo envolver desde mudanças no estilo de vida (perda de peso, atividades físicas regulares, alterações posturais, etc), uso de medicações sintomáticas, uso de meias elásticas, escleroterapia, laser transdérmico, espuma densa, flebectomia, cirurgia convencional para tratamento da safena ou tratamento das safenas com laser endovenoso. O avanço das técnicas permite hoje um diagnóstico preciso e associação dessas técnicas de forma a termos tratamentos mais eficazes, confortáveis, evitando internações e cirurgias em mais de 80% dos casos e, quando elas são necessárias, o processo é muito menos invasivo, com menos dor, menos sofrimento e rápida recuperação e retorno às atividades habituais!
Vasos da face e do tronco: o processo de envelhecimento, com afinamento da pele, perda de tecido de sustentação do rosto e a frequente exposição solar comumente levam ao aparecimento de vasinhos (e até mesmo veias mais calibrosas) no rosto e no tronco, que causam um incômodo estético importante. Poucas pessoas sabem que é possível tratar esses vasos de modo não invasivo, com o uso exclusivo de laser transdérmico, sem cortes, sem injeções, no próprio consultório, em poucas visitas.

Lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, geralmente em pernas e braços, associada a dor, sensibilidade ao toque, inchaço e facilidade para hematomas. Afeta quase exclusivamente mulheres e, muitas vezes, é confundida com obesidade ou linfedema, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados.

Como cirurgiã vascular, atuo no diagnóstico preciso do lipedema e no acompanhamento individualizado de cada paciente, integrando estratégias clínicas que visam aliviar sintomas, melhorar a circulação, reduzir o desconforto e preservar a qualidade de vida. O cuidado é sempre personalizado, baseado em ciência, escuta atenta e foco no bem-estar global da paciente.

A obstrução do fluxo de sangue dentro de uma veia por um trombo (sangue na forma sólida) caracteriza a trombose venosa. Em geral esse problema acontece por alteração na consistência do sangue, na velocidade de fluxo dele dentro do vaso ou por lesões diretas na parede da veia. Tais situações podem ser encontradas em pacientes acamados, imobilizados, submetidos a cirurgias longas, pacientes que receberam medicações endovenosas, que sofreram algum traumatismo nos membros, que tiveram infecções graves, doenças do sangue, pacientes com câncer ou em tratamentos oncológicos, gestantes ou pacientes em uso de hormônios, etc. A trombose venosa pode causar inchaços, normalmente acometendo apenas um dos membros, de forma súbita, com piora progressiva, sem melhora com o repouso, acompanhado de dor no membro, podendo ter surgimento de vasos mais evidentes sob a pele e alterações na cor do membro, que pode ficar mais avermelhado ou azulado. No entanto, alguns pacientes não apresentam nenhum sintoma desses e a suspeita deve ser feita quando existe a presença de algum dos fatores de risco já mencionados anteriormente. Seu diagnóstico e tratamento são importantes pois, na fase aguda, existe um risco do trombo/coágulo se desprender da veia e migrar para os vasos do pulmão, causando a temida embolia pulmonar, que pode ser fatal. Na fase tardia, a trombose pode evoluir com um quadro chamado Síndrome pós-trombótica, com aparecimento de inchaço, varizes, escurecimento da pele da perna, alterações na espessura da pele e até surgimento de úlceras de difícil cicatrização. O tratamento, na maioria das vezes, é feito em casa com medicações orais denominadas anticoagulantes a fim de evitar o aumento dos coágulos e facilitar a estabilização dos mesmos. Além disso, o uso de meias elásticas de compressão, orientações quanto a correta execução de atividades físicas e cuidados com a pele são fundamentais para uma boa evolução e qualidade de vida!

As causas de dores nas pernas são inúmeras e uma das mais frequentes é a doença venosa (Insuficiência Venosa Crônica). A compreensão dos hábitos de vida de cada paciente, do seu histórico de saúde e comorbidades atuais, bem como um exame físico e ultrassonográfico com doppler detalhado permitem a diferenciação do diagnóstico e a proposta de tratamentos eficazes e possíveis de serem realizados no dia-a-dia de cada um.

Os equipamentos de realidade aumentada iluminam a área de interesse na pele com uma luz infravermelha inofensiva que, devido às suas características, é absorvida pelo sangue . Por causa dessa absorção, uma ”imagem” da posição do vaso pode ser representada na pele da área onde há a maior concentração de sangue (no caso, as veias). Essa representação facilita identificarmos veias nutridoras de vasinhos e telangiectasias, não visíveis a olho nu por estarem sob a pele e não identificadas ao ultrassom por serem muito superficiais e pequenas para serem definidas pela tecnologia ultrassonográfica.

A adequada visualização dessas veias nutridoras facilita a sua punção durante o tratamento, permitindo a identificação do vaso e acompanhamento em tempo real da injeção das substâncias esclerosantes em sua luz, levando a melhor precisão na punção, menor quantidade de punções e mais eficácia no tratamento. Permite, junto com a associação de exame físico adequado e utilização do ultrassom doppler, que todas as veias envolvidas no quadro apresentado por cada paciente sejam tratadas adequadamente.

Outra utilidade da realidade aumentada é facilitar a marcação das veias a serem retiradas nos procedimentos cirúrgicos de tratamento de varizes. Essa tecnologia permite que as incisões sejam feitas com exatidão, minimizando sangramentos, hematomas e cicatrizes, com recuperação mais rápida e excelentes resultados estéticos e funcionais da cirurgia.