Categoria: Cirurgia Vascular | Autora: Dra. Nelise Marvulo – CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071 | Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular


“Meu médico disse que pode ser lipedema ou linfedema — mas não tenho certeza qual.” “Pesquisei os dois e parece que são a mesma coisa.” “Como saber se o inchaço nas pernas é lipedema ou linfedema?” Essas dúvidas são extremamente comuns — e fazem sentido, porque as duas condições têm características que se sobrepõem: ambas causam inchaço progressivo nos membros, ambas afetam predominantemente mulheres e ambas são frequentemente confundidas com “gordura” ou “retenção de líquido”.

Mas lipedema e linfedema são condições distintas — com causas diferentes, mecanismos diferentes, progressões diferentes e, principalmente, tratamentos diferentes. Confundir os dois não é apenas uma questão acadêmica: um diagnóstico errado leva a um tratamento errado, com resultados frustrantes ou, pior, com piora do quadro.

Neste artigo, a Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular e ecografista vascular com consultório nos Jardins, em São Paulo, explica as diferenças fundamentais entre lipedema e linfedema, como o médico especialista distingue as duas condições, quando podem coexistir e por que o diagnóstico correto muda completamente o rumo do tratamento.


Índice

  • O que é lipedema?
  • O que é linfedema?
  • As 8 diferenças essenciais entre lipedema e linfedema
  • Como o médico distingue as duas condições?
  • O sinal de Stemmer: o teste clínico mais importante
  • Lipolinfedema: quando as duas condições coexistem
  • Por que o diagnóstico errado é tão problemático?
  • Quais exames ajudam no diagnóstico diferencial?
  • Lipedema x linfedema x insuficiência venosa x obesidade
  • Qual médico deve fazer o diagnóstico?
  • Perguntas frequentes

O que é lipedema? {#o-que-e-lipedema}

O lipedema é uma doença crônica e progressiva do tecido adiposo, caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura inflamatória em regiões específicas do corpo — principalmente quadris, coxas e pernas, e em alguns casos também nos braços. Afeta quase exclusivamente mulheres e tem forte base genética e hormonal.

A gordura do lipedema não é a gordura comum. É estruturalmente diferente: inflamatória, dolorosa ao toque, resistente à dieta e ao exercício nas regiões afetadas e associada a fragilidade capilar que causa hematomas fáceis. O lipedema costuma se manifestar ou piorar em momentos de mudança hormonal — puberdade, gravidez e menopausa.

Características centrais do lipedema:

  • Gordura desproporcional nas pernas e quadris em relação ao tronco
  • Bilateral e simétrica (ambas as pernas afetadas de forma semelhante)
  • Dor ao toque e hipersensibilidade nas regiões afetadas
  • Hematomas espontâneos ou após traumas mínimos
  • Sinal do manguito — a gordura “para” abruptamente no tornozelo, poupando os pés
  • Inchaço que piora ao longo do dia mas melhora parcialmente com repouso
  • A gordura não reduz com dieta nem com exercício nas áreas afetadas

O que é linfedema? {#o-que-e-linfedema}

O linfedema é o acúmulo anormal de líquido linfático nos tecidos, causado por uma disfunção ou obstrução do sistema linfático. O resultado é um inchaço crônico e progressivo — geralmente em um membro, mas que pode afetar outras regiões.

O linfedema pode ser:

  • Primário — de origem genética, quando o próprio sistema linfático é malformado ou subdesenvolvido
  • Secundário — quando o sistema linfático previamente saudável é danificado por cirurgia (remoção de linfonodos), radioterapia, infecção, trauma ou obesidade grave

Características centrais do linfedema:

  • Inchaço que pode ser uni ou bilateral
  • Progressivo — piora com o tempo sem tratamento
  • Pele progressivamente mais espessa e endurecida
  • Sinal de Stemmer positivo — não é possível pinçar a pele na base dos dedos dos pés
  • Os pés e os dedos são afetados (diferente do lipedema)
  • Melhora parcial com elevação nas fases iniciais, progressivamente menor
  • Risco elevado de infecções (erisipela, celulite)

As 8 diferenças essenciais entre lipedema e linfedema {#as-8-diferencas}

1. O que se acumula no tecido

Lipedema: acúmulo de gordura — adipócitos anormais, inflamatórios, que se depositam no tecido subcutâneo de forma progressiva.

Linfedema: acúmulo de líquido linfático — rico em proteínas, que se deposita no espaço intersticial por falha na drenagem linfática.

Essa diferença fundamental explica por que as duas condições têm comportamentos tão distintos — e por que o tratamento precisa ser diferente.

2. Causa

Lipedema: genética e hormonal. Não há evento desencadeante externo identificável — a predisposição é constitutiva, e os hormônios (especialmente o estrogênio) modulam sua manifestação.

Linfedema: dano ao sistema linfático — por cirurgia, radioterapia, infecção, trauma ou malformação congênita. No linfedema secundário, sempre há uma causa identificável.

3. Quem afeta

Lipedema: quase exclusivamente mulheres. Casos em homens são raríssimos e geralmente associados a condições hormonais específicas.

Linfedema: afeta homens e mulheres. O linfedema secundário pós-oncológico é mais comum em mulheres por questões epidemiológicas (maior incidência de câncer de mama), mas o linfedema em si não tem preferência de sexo.

4. Os pés e tornozelos

Esta é uma das diferenças mais importantes e mais fáceis de observar clinicamente:

Lipedema: os pés são poupados. A gordura do lipedema acumula-se nas pernas mas para abruptamente no tornozelo, criando uma demarcação nítida — o famoso sinal do manguito. O pé tem volume normal em contraste com a perna volumosa.

Linfedema: os pés são afetados. O líquido linfático acumula-se também nos pés, tornozelos e dedos — que ficam inchados juntamente com o restante do membro.

5. Sinal de Stemmer

Lipedema: sinal de Stemmer negativo — é possível pinçar a pele na base do segundo dedo do pé normalmente.

Linfedema: sinal de Stemmer positivo — não é possível pinçar a pele na base dos dedos dos pés. A pele está espessa, endurecida e não forma prega. É o sinal clínico mais específico para linfedema.

6. Dor ao toque

Lipedema: dor ao toque é muito característica — hipersensibilidade nas pernas e coxas, com dor desproporcional a pressões leves. Muitas mulheres não suportam que toquem nas pernas.

Linfedema: a dor ao toque é menos característica. Pode existir desconforto, especialmente em fases avançadas com fibrose, mas a hipersensibilidade intensa típica do lipedema está ausente.

7. Hematomas espontâneos

Lipedema: hematomas com facilidade mínima são muito característicos — um toque leve, uma pressão da roupa, qualquer trauma menor produz manchas roxas. Isso ocorre pela fragilidade dos capilares na região afetada.

Linfedema: hematomas espontâneos não são característicos. A fragilidade capilar do lipedema não está presente no linfedema isolado.

8. Resposta à elevação e ao repouso

Lipedema: melhora parcial com elevação e repouso. O inchaço do lipedema tem componente de líquido que melhora, mas o volume de gordura permanece.

Linfedema: nas fases iniciais, melhora mais significativamente com elevação — o líquido linfático drena melhor com a posição favorável. Nas fases avançadas, com fibrose estabelecida, essa resposta diminui progressivamente.


Tabela comparativa completa

Característica Lipedema Linfedema
O que se acumula Gordura inflamatória Líquido linfático
Causa Genética e hormonal Dano ao sistema linfático
Afeta Quase só mulheres Homens e mulheres
Distribuição Bilateral e simétrica Pode ser unilateral
Pés afetados? Não — sinal do manguito Sim — inclui dedos
Sinal de Stemmer Negativo Positivo
Dor ao toque Intensa e característica Menos frequente
Hematomas fáceis Muito comuns Incomuns
Resposta à elevação Melhora parcial Melhora mais nas fases iniciais
Resposta à dieta Não reduz nas áreas afetadas Não é relevante
Início Mudanças hormonais Evento desencadeante identificável
Risco de infecção Menor Elevado (erisipela, celulite)
Progressão Gradual, por estágios Gradual, piora sem tratamento

Como o médico distingue as duas condições? {#como-o-medico-distingue}

O diagnóstico diferencial entre lipedema e linfedema é essencialmente clínico — baseado na história detalhada e no exame físico minucioso realizado por especialista experiente.

O que o cirurgião vascular avalia na consulta:

Anamnese:

  • Quando e como o inchaço começou (gradualmente, após cirurgia, na puberdade, na gravidez?)
  • Histórico de cirurgias, radioterapia ou infecções graves
  • Histórico familiar (mãe, avó, irmãs com pernas volumosas e dolorosas?)
  • Presença de dor ao toque, hematomas fáceis, pele hipersensível
  • Se o inchaço é bilateral ou unilateral
  • Resposta ao repouso e à elevação das pernas

Exame físico:

  • Distribuição e padrão do inchaço
  • Avaliação dos pés e tornozelos — poupados ou afetados?
  • Sinal do manguito — há demarcação nítida no tornozelo?
  • Sinal de Stemmer — é possível pinçar a pele na base dos dedos?
  • Consistência do tecido — mole e gorduroso (lipedema) ou endurecido e fibrótico (linfedema avançado)?
  • Presença de hematomas
  • Temperatura e coloração da pele
  • Avaliação dos pulsos e do sistema venoso

O sinal de Stemmer: o teste clínico mais importante {#sinal-de-stemmer}

O sinal de Stemmer (ou teste de Stemmer) é o teste clínico mais específico para distinguir linfedema de outras causas de inchaço:

Como realizar: Tente pinçar a pele na base do segundo dedo do pé (ou da mão) entre o polegar e o indicador, tentando formar uma pequena prega cutânea.

Interpretação:

  • Sinal de Stemmer negativo (normal): a prega se forma facilmente — sugere que não há linfedema estabelecido
  • Sinal de Stemmer positivo: a pele está tão espessa e endurecida que não é possível formar a prega — fortemente sugestivo de linfedema

No lipedema, o sinal de Stemmer é negativo — porque o que se acumula é gordura, não líquido linfático nos tecidos dos pés.

Atenção: o sinal de Stemmer pode ser negativo nas fases iniciais do linfedema, antes que a fibrose se estabeleça nos pés. Por isso, um Stemmer negativo não descarta linfedema — ele deve ser interpretado em conjunto com toda a avaliação clínica.


Lipolinfedema: quando as duas condições coexistem {#lipolinfedema}

Uma das situações que mais complica o diagnóstico é o lipolinfedema — quando lipedema e linfedema coexistem no mesmo paciente.

Isso acontece porque, nos estágios mais avançados do lipedema (estágios 3 e 4), o volume excessivo de gordura e a inflamação crônica comprometem progressivamente os vasos linfáticos da região afetada. O sistema linfático, sobrecarregado pela gordura ao redor, começa a falhar — e um linfedema secundário se instala sobre o lipedema.

Como suspeitar de lipolinfedema:

  • Paciente com lipedema estabelecido que começa a apresentar sinal de Stemmer positivo
  • Inchaço que passa a não melhorar mais com repouso
  • Pele que começa a endurecer e se tornar fibrótica
  • Episódios repetidos de erisipela nas pernas
  • Inchaço que passa a afetar também os pés

O lipolinfedema exige um protocolo de tratamento mais complexo — combinando as abordagens para ambas as condições e frequentemente indicando avaliação com linfocintilografia para avaliar a extensão do comprometimento linfático.


Por que o diagnóstico errado é tão problemático? {#por-que-o-diagnostico-errado}

O diagnóstico correto não é apenas questão de nomenclatura — tem consequências práticas diretas e significativas:

Se o linfedema for tratado como lipedema:

  • A paciente pode ser submetida à lipoaspiração tumescente — indicada no lipedema mas contraindicada no linfedema estabelecido, onde pode agravar o comprometimento linfático
  • O tratamento anti-inflamatório focado no tecido adiposo não resolve o problema linfático subjacente

Se o lipedema for tratado como linfedema:

  • A drenagem linfática isolada alivia parcialmente os sintomas mas não age sobre a gordura inflamatória
  • A paciente continua sem tratamento adequado para o componente central da doença
  • A lipoaspiração tumescente — que poderia trazer alívio significativo — não é considerada

Se ambos forem confundidos com obesidade:

  • A paciente é encaminhada para dieta restritiva que não vai funcionar nas regiões afetadas
  • O ciclo de culpa e frustração se perpetua
  • O tratamento correto é adiado, permitindo progressão da doença

Quais exames ajudam no diagnóstico diferencial? {#quais-exames-ajudam}

Embora o diagnóstico seja essencialmente clínico, alguns exames complementam a avaliação:

Eco Doppler venoso Fundamental para avaliar se há insuficiência venosa associada — frequente tanto no lipedema quanto no linfedema. Também descarta trombose como causa do inchaço. Realizado pela Dra. Nelise Marvulo no próprio consultório, integrado à consulta.

Linfocintilografia Exame de medicina nuclear que avalia a função e a anatomia do sistema linfático. É o exame de referência para confirmar linfedema e avaliar sua extensão. Especialmente indicado quando há suspeita de lipolinfedema ou quando o diagnóstico diferencial permanece incerto após a avaliação clínica.

Ressonância magnética ou tomografia Em casos complexos, ajudam a avaliar a extensão e as características dos tecidos — diferenciando gordura, líquido e fibrose.

Bioimpedância Mede a quantidade de líquido extracelular nos membros — pode detectar linfedema subclínico antes que o inchaço seja visível e acompanhar a resposta ao tratamento.

Ultrassom de partes moles Pode mostrar as características da gordura do lipedema — textura, padrão e comparação com a gordura convencional.


Lipedema x linfedema x insuficiência venosa x obesidade {#diagnostico-diferencial-amplo}

Na prática clínica, o diagnóstico diferencial muitas vezes precisa incluir mais de duas condições. Veja como distinguir as quatro situações mais comuns de inchaço nas pernas:

Característica Lipedema Linfedema Insuficiência Venosa Obesidade
O que acumula Gordura inflamatória Líquido linfático Sangue venoso / líquido Gordura convencional
Pés afetados? Não Sim Tornozelos, sim Variável
Sinal de Stemmer Negativo Positivo Negativo Negativo
Dor ao toque Intensa Leve Variável Ausente
Hematomas fáceis Sim Não Não Não
Resposta à dieta Não (nas pernas) Não relevante Não Sim
Vasinhos/varizes Podem estar presentes Podem estar presentes Presentes Variável
Assimetria Simétrico Pode ser assimétrico Geralmente simétrico Simétrico
Afeta homens? Raramente Sim Sim Sim

Qual médico deve fazer o diagnóstico? {#qual-medico-faz-o-diagnostico}

O cirurgião vascular é o especialista de referência para o diagnóstico diferencial entre lipedema e linfedema — porque:

  • Tem o treinamento específico para reconhecer os sinais clínicos de ambas as condições
  • Pode realizar o eco Doppler venoso para avaliar o componente venoso associado
  • Tem experiência com todas as modalidades de tratamento — desde a compressão e a drenagem até a lipoaspiração tumescente e a anastomose linfovenosa
  • Coordena o tratamento multidisciplinar com fisioterapeutas especializados em linfoterapia

A Dra. Nelise Marvulo realiza avaliação completa para diagnóstico diferencial de lipedema e linfedema no consultório nos Jardins, em São Paulo, com eco Doppler integrado à consulta. Quando há suspeita de lipolinfedema ou quando a linfocintilografia é necessária, coordena o encaminhamento para o exame e integra o resultado ao plano de tratamento.

Atende também por telemedicina para todo o Brasil e Exterior — possibilitando uma primeira avaliação especializada mesmo para pacientes que não têm acesso fácil a um cirurgião vascular em sua cidade.

A Dra. Nelise não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde da paciente.


Perguntas Frequentes {#perguntas-frequentes}

Posso ter lipedema e linfedema ao mesmo tempo?

Sim — isso é chamado de lipolinfedema e é mais comum do que se imagina, especialmente em estágios avançados do lipedema. O volume excessivo de gordura compromete progressivamente os vasos linfáticos, instalando um linfedema secundário sobre o lipedema. O lipolinfedema exige tratamento mais complexo, combinando abordagens para ambas as condições.

O lipedema pode ser confundido com linfedema pelo médico?

Sim — e essa confusão acontece com frequência, especialmente por profissionais sem especialização em cirurgia vascular. Por isso, buscar um cirurgião vascular com experiência específica nessas condições é fundamental para um diagnóstico preciso.

Se o sinal de Stemmer for negativo, descarta linfedema?

Não completamente. O sinal de Stemmer pode ser negativo nas fases iniciais do linfedema, antes que a fibrose se estabeleça nos pés. Um resultado negativo reduz a probabilidade de linfedema, mas o diagnóstico final sempre deve ser baseado na avaliação clínica completa.

O tratamento do lipedema funciona para o linfedema?

Parcialmente. A compressão e a drenagem linfática beneficiam ambas as condições. Mas a lipoaspiração tumescente — eficaz para o lipedema — é contraindicada no linfedema isolado. E o tratamento específico do linfedema (terapia descongestiva complexa, anastomose linfovenosa) não resolve o componente adiposo do lipedema.

Preciso de linfocintilografia para saber se tenho lipedema ou linfedema?

Não necessariamente. Em muitos casos, o diagnóstico é possível com avaliação clínica e eco Doppler. A linfocintilografia é indicada principalmente quando há suspeita de lipolinfedema, quando o diagnóstico permanece incerto após a avaliação clínica ou para planejamento cirúrgico de linfedema.

Qual das duas condições é mais grave?

As duas são condições crônicas e progressivas. O linfedema tem risco adicional de infecções graves (erisipela, celulite) e, nos casos avançados, pode levar à elefantíase. O lipedema em estágio avançado pode evoluir para lipolinfedema e comprometimento severo da mobilidade. Ambas merecem diagnóstico precoce e tratamento adequado.

O plano de saúde cobre o diagnóstico e tratamento dessas condições?

A consulta com cirurgião vascular e o eco Doppler geralmente têm cobertura quando há indicação clínica. A linfocintilografia também costuma ter cobertura para investigação de linfedema. A Dra. Nelise Marvulo não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde da paciente.


Diagnóstico Correto: O Primeiro Passo Para o Tratamento Certo

Lipedema e linfedema são condições distintas — e tratá-las de forma diferenciada faz toda a diferença nos resultados. Se você tem inchaço persistente nas pernas, dor ao toque, hematomas fáceis ou qualquer outro sintoma descrito neste artigo, não adie a avaliação especializada.

A Dra. Nelise Marvulo é cirurgiã vascular e ecografista vascular, com atendimento individualizado no Jardim Paulista (Jardins), em São Paulo. Realiza diagnóstico diferencial preciso entre lipedema, linfedema e outras causas de inchaço nas pernas, com eco Doppler integrado à consulta e plano de tratamento personalizado. Atende também por telemedicina para todo o Brasil e Exterior.

📍 Jardim Paulista (Jardins) – São Paulo, SP 💻 Telemedicina disponível para todo o Brasil e Exterior


Dra. Nelise Marvulo – Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071

As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser sempre individualizados por um especialista após avaliação clínica.


Varizes são veias que se tornaram alongadas, dilatadas e tortuosas, o que causa uma alteração no funcionamento desses vasos, dificultando o retorno do sangue dos tecidos para o coração. Mais frequentemente acometem as veias das coxas e pernas podendo causar, além de desconforto estético, inchaço, formigamento, dor, sensação de cansaço e peso nas pernas, sintomas esses que frequentemente pioram ao longo do dia, especialmente após permanecer longos períodos em pé ou sentado, nos dias mais quentes e no período próximo ou durante a menstruação e gravidez e que melhoram com a elevação dos membros. É um problema que acomete cerca de 38% da população brasileira e sua incidência aumenta com o avançar da idade. O principal fator associado ao seu desenvolvimento é a herança genética mas outros fatores como hormônios,  gestações, hábitos de vida, obesidade e permanência por longos períodos em pé ou sentado podem contribuir para potencializar o surgimento desse problema. Seu tratamento depende do grau de acometimento das veias, localização, quantidade e expectativas dos pacientes, podendo envolver desde mudanças no estilo de vida (perda de peso, atividades físicas regulares, alterações posturais, etc), uso de medicações sintomáticas, uso de meias elásticas, escleroterapia, laser transdérmico, espuma densa, flebectomia, cirurgia convencional para tratamento da safena ou tratamento das safenas com laser endovenoso. O avanço das técnicas permite hoje um diagnóstico preciso e associação dessas técnicas de forma a termos tratamentos mais eficazes, confortáveis, evitando internações e cirurgias em mais de 80% dos casos e, quando elas são necessárias, o processo é muito menos invasivo, com menos dor, menos sofrimento e rápida recuperação e retorno às atividades habituais!
Vasos da face e do tronco: o processo de envelhecimento, com afinamento da pele, perda de tecido de sustentação do rosto e a frequente exposição solar comumente levam ao aparecimento de vasinhos (e até mesmo veias mais calibrosas) no rosto e no tronco, que causam um incômodo estético importante. Poucas pessoas sabem que é possível tratar esses vasos de modo não invasivo, com o uso exclusivo de laser transdérmico, sem cortes, sem injeções, no próprio consultório, em poucas visitas.

Lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, geralmente em pernas e braços, associada a dor, sensibilidade ao toque, inchaço e facilidade para hematomas. Afeta quase exclusivamente mulheres e, muitas vezes, é confundida com obesidade ou linfedema, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados.

Como cirurgiã vascular, atuo no diagnóstico preciso do lipedema e no acompanhamento individualizado de cada paciente, integrando estratégias clínicas que visam aliviar sintomas, melhorar a circulação, reduzir o desconforto e preservar a qualidade de vida. O cuidado é sempre personalizado, baseado em ciência, escuta atenta e foco no bem-estar global da paciente.

A obstrução do fluxo de sangue dentro de uma veia por um trombo (sangue na forma sólida) caracteriza a trombose venosa. Em geral esse problema acontece por alteração na consistência do sangue, na velocidade de fluxo dele dentro do vaso ou por lesões diretas na parede da veia. Tais situações podem ser encontradas em pacientes acamados, imobilizados, submetidos a cirurgias longas, pacientes que receberam medicações endovenosas, que sofreram algum traumatismo nos membros, que tiveram infecções graves, doenças do sangue, pacientes com câncer ou em tratamentos oncológicos, gestantes ou pacientes em uso de hormônios, etc. A trombose venosa pode causar inchaços, normalmente acometendo apenas um dos membros, de forma súbita, com piora progressiva, sem melhora com o repouso, acompanhado de dor no membro, podendo ter surgimento de vasos mais evidentes sob a pele e alterações na cor do membro, que pode ficar mais avermelhado ou azulado. No entanto, alguns pacientes não apresentam nenhum sintoma desses e a suspeita deve ser feita quando existe a presença de algum dos fatores de risco já mencionados anteriormente. Seu diagnóstico e tratamento são importantes pois, na fase aguda, existe um risco do trombo/coágulo se desprender da veia e migrar para os vasos do pulmão, causando a temida embolia pulmonar, que pode ser fatal. Na fase tardia, a trombose pode evoluir com um quadro chamado Síndrome pós-trombótica, com aparecimento de inchaço, varizes, escurecimento da pele da perna, alterações na espessura da pele e até surgimento de úlceras de difícil cicatrização. O tratamento, na maioria das vezes, é feito em casa com medicações orais denominadas anticoagulantes a fim de evitar o aumento dos coágulos e facilitar a estabilização dos mesmos. Além disso, o uso de meias elásticas de compressão, orientações quanto a correta execução de atividades físicas e cuidados com a pele são fundamentais para uma boa evolução e qualidade de vida!

As causas de dores nas pernas são inúmeras e uma das mais frequentes é a doença venosa (Insuficiência Venosa Crônica). A compreensão dos hábitos de vida de cada paciente, do seu histórico de saúde e comorbidades atuais, bem como um exame físico e ultrassonográfico com doppler detalhado permitem a diferenciação do diagnóstico e a proposta de tratamentos eficazes e possíveis de serem realizados no dia-a-dia de cada um.

Os equipamentos de realidade aumentada iluminam a área de interesse na pele com uma luz infravermelha inofensiva que, devido às suas características, é absorvida pelo sangue . Por causa dessa absorção, uma ”imagem” da posição do vaso pode ser representada na pele da área onde há a maior concentração de sangue (no caso, as veias). Essa representação facilita identificarmos veias nutridoras de vasinhos e telangiectasias, não visíveis a olho nu por estarem sob a pele e não identificadas ao ultrassom por serem muito superficiais e pequenas para serem definidas pela tecnologia ultrassonográfica.

A adequada visualização dessas veias nutridoras facilita a sua punção durante o tratamento, permitindo a identificação do vaso e acompanhamento em tempo real da injeção das substâncias esclerosantes em sua luz, levando a melhor precisão na punção, menor quantidade de punções e mais eficácia no tratamento. Permite, junto com a associação de exame físico adequado e utilização do ultrassom doppler, que todas as veias envolvidas no quadro apresentado por cada paciente sejam tratadas adequadamente.

Outra utilidade da realidade aumentada é facilitar a marcação das veias a serem retiradas nos procedimentos cirúrgicos de tratamento de varizes. Essa tecnologia permite que as incisões sejam feitas com exatidão, minimizando sangramentos, hematomas e cicatrizes, com recuperação mais rápida e excelentes resultados estéticos e funcionais da cirurgia.