Categoria: Cirurgia Vascular | Autora: Dra. Nelise Marvulo – CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071 | Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular


Os homens vão menos ao médico. Essa é uma realidade documentada, conhecida e que custa caro — especialmente quando o assunto é saúde vascular. As doenças vasculares mais graves nos homens — doença arterial periférica, aneurisma de aorta, AVC por aterosclerose carotídea — evoluem silenciosamente por anos antes de dar qualquer sinal. E quando dão, frequentemente já estão em estágio avançado.

No Dia do Homem — celebrado em 15 de julho — é oportuno falar sobre o que os homens ignoram sobre a própria circulação: quais condições vasculares são mais comuns ou mais graves no sexo masculino, quais sintomas são frequentemente minimizados e o que o check-up vascular pode revelar antes que seja tarde.

Este artigo não é sobre assustar. É sobre informar — para que a prevenção aconteça no momento certo.

Neste artigo, a Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular e ecografista vascular com consultório nos Jardins, em São Paulo, fala diretamente sobre a saúde vascular do homem: o que é mais comum, o que é mais grave, quando buscar ajuda e por que o check-up vascular masculino não é opcional depois dos 50.


Índice

  • Por que os homens negligenciam a saúde vascular?
  • Condições vasculares mais comuns e graves nos homens
  • Doença arterial periférica: o silêncio que antecede a amputação
  • Aneurisma de aorta: a bomba-relógio que os homens carregam
  • Aterosclerose carotídea e risco de AVC
  • Varizes nos homens: sim, eles também têm
  • Trombose venosa profunda em homens: fatores de risco específicos
  • Os sintomas vasculares que os homens minimizam
  • Check-up vascular masculino: o que avaliar e quando começar
  • Perguntas frequentes

Por que os homens negligenciam a saúde vascular? 

Estudos mostram que homens procuram serviços de saúde com frequência significativamente menor do que mulheres — e, quando o fazem, muitas vezes já estão em estágios mais avançados da doença. No contexto vascular, esse atraso tem consequências graves:

A cultura do “aguenta” A socialização masculina tradicional associa a busca por cuidado médico a fraqueza. Dor na perna ao caminhar, pés frios, cansaço excessivo — sintomas que levariam muitas mulheres ao consultório em semanas — são minimizados pelos homens por meses ou anos como “cansaço”, “idade” ou “falta de exercício”.

Ausência de rastreamento preventivo As mulheres têm uma cultura de consultas preventivas estabelecida desde cedo — ginecológicas, obstétricas, de check-up geral. Os homens, sem um equivalente consolidado, frequentemente só consultam quando já há sintoma significativo.

Tabagismo e outros fatores de risco não controlados Homens têm historicamente maior prevalência de tabagismo, consumo excessivo de álcool e sedentarismo — todos fatores de risco diretos para doenças vasculares arteriais graves.

O resultado: doenças vasculares que poderiam ser diagnosticadas em estágio inicial — quando o tratamento é simples e eficaz — são encontradas em estágio avançado, quando as opções são mais invasivas e os resultados, piores.


Condições vasculares mais comuns e graves nos homens 

O perfil vascular masculino difere do feminino em aspectos importantes:

Maior prevalência de doenças arteriais A doença arterial periférica, o aneurisma de aorta abdominal e a aterosclerose carotídea são significativamente mais comuns em homens — especialmente acima dos 60 anos e com história de tabagismo.

Apresentação mais grave Quando os homens chegam ao diagnóstico, frequentemente já estão em estágio mais avançado — com claudicação significativa, aneurisma de grande calibre ou placas carotídeas instáveis.

Varizes subdiagnosticadas Varizes em homens existem — e com frequência maior do que se imagina — mas são menos valorizadas esteticamente e raramente relatadas na consulta médica. O resultado é que chegam ao tratamento em estágio mais avançado, com insuficiência venosa mais grave.

Trombose com perfil de risco diferente Homens têm maior risco de TVP relacionada à imobilidade ocupacional (trabalhos que exigem longos períodos sentado ou em pé), ao tabagismo e às doenças oncológicas — que têm maior incidência masculina.


Doença arterial periférica: o silêncio que antecede a amputação 

doença arterial periférica (DAP) é a condição vascular que mais diferencia o perfil masculino — e a que mais preocupa pela gravidade das complicações quando não tratada.

Por que os homens têm mais DAP:

  • Maior prevalência de tabagismo — o principal fator de risco modificável para DAP
  • Maior prevalência de diabetes não diagnosticado ou mal controlado
  • Tendência a negligenciar o controle de colesterol e pressão arterial por anos
  • Menor adesão a consultas preventivas que permitiriam o diagnóstico precoce

O sintoma que os homens ignoram: claudicação intermitente Dor ou cansaço intenso nas panturrilhas ao caminhar, que melhora com o repouso e reaparece ao retomar a caminhada. É o sintoma mais característico da DAP — e é o sintoma que os homens mais frequentemente atribuem a “bateria fraca”, “falta de forma física” ou “idade”.

A progressão da DAP não tratada vai da claudicação para a dor em repouso, para úlceras isquêmicas e, nos casos mais graves, para a gangrena e amputação. Esse desfecho — que poderia ser evitado com diagnóstico precoce e tratamento adequado — ainda acontece com frequência desnecessariamente alta no Brasil.

O que pode ser feito: O índice tornozelo-braquial (ITB) — uma medida simples da pressão arterial nos tornozelos comparada ao braço — é o exame de triagem mais eficaz para DAP. Em conjunto com o eco Doppler arterial, permite identificar obstruções antes que causem sintomas graves, quando o tratamento é muito mais simples.

Todo homem acima de 50 anos com tabagismo, diabetes ou hipertensão deveria realizar esse rastreamento.


Aneurisma de aorta: a bomba-relógio que os homens carregam 

aneurisma de aorta abdominal — uma dilatação patológica da maior artéria do corpo — é uma das condições vasculares com maior diferença entre sexos: é 4 a 5 vezes mais comum em homens do que em mulheres, e sua principal complicação — a ruptura — tem mortalidade superior a 80%.

Por que os homens têm muito mais aneurisma de aorta:

  • Aterosclerose mais precoce e mais grave
  • Maior prevalência de tabagismo (o fator de risco mais importante)
  • Hipertensão não controlada por mais tempo
  • Possível papel hormonal — o estrogênio tem efeito protetor sobre a parede aórtica

O problema central: é completamente assintomático O aneurisma de aorta abdominal cresce silenciosamente — sem dor, sem sintomas perceptíveis — até o momento da ruptura, que é uma catástrofe cirúrgica com risco de morte em horas.

A boa notícia: um simples ultrassom detecta O rastreamento por ultrassom abdominal — um exame simples, rápido e não invasivo — identifica o aneurisma antes da ruptura, quando o tratamento eletivo (cirúrgico ou endovascular) tem mortalidade muito baixa.

Para quem é recomendado o rastreamento:

  • Homens entre 65 e 75 anos com histórico de tabagismo — indicação mais consolidada
  • Homens acima de 60 anos com histórico familiar de aneurisma de aorta
  • Homens hipertensos acima de 65 anos, independentemente do tabagismo

Esse rastreamento é realizado pelo cirurgião vascular com eco Doppler abdominal — e pode literalmente salvar a vida.


Aterosclerose carotídea e risco de AVC 

As artérias carótidas — que irrigam o cérebro — são outro território em que os homens têm desvantagem significativa. A aterosclerose carotídea, acelerada pelo tabagismo, hipertensão e colesterol elevado, é uma das principais causas de AVC isquêmico.

Fatores que tornam os homens mais vulneráveis:

  • Tabagismo — que lesiona diretamente o endotélio das carótidas
  • Hipertensão de longa data não tratada
  • Colesterol elevado sem acompanhamento adequado
  • Chegada tardia ao diagnóstico

Sinais de alerta que os homens frequentemente ignoram:

  • Episódio de fraqueza ou dormência súbita e passageira em um lado do corpo
  • Dificuldade para falar de forma temporária
  • Perda visual transitória em um olho — como uma “cortina” descendo
  • Tontura ou desequilíbrio súbito

Esses episódios — chamados de ataques isquêmicos transitórios (AITs) — são o “aviso” do organismo de que há risco iminente de AVC. Homens frequentemente os ignoram por terem sido breves ou por acharem que “não foi nada”. Podem custar a vida.

eco Doppler de carótidas identifica placas ateroscleróticas, avalia seu grau de obstrução e determina se há indicação de tratamento — antes que a placa se rompa e cause um AVC.


Varizes nos homens: sim, eles também têm 

Existe um equívoco comum de que varizes são um problema exclusivamente feminino. Não são. Estima-se que 40% dos homens desenvolvem algum grau de insuficiência venosa ao longo da vida — mas a busca por tratamento é muito menor do que nas mulheres.

Por que os homens não tratam as varizes:

  • Menor preocupação estética com as pernas
  • Interpretação dos sintomas como “cansaço normal” ou “esforço físico”
  • Tabu cultural em relação a tratar algo percebido como “problema de mulher”

O problema de ignorar as varizes masculinas: Varizes não tratadas progridem. No homem, que muitas vezes só busca tratamento quando já há sintomas intensos — dor, inchaço significativo, alterações de pele — o grau de insuficiência venosa tende a estar mais avançado no momento da primeira consulta.

Estágios avançados de insuficiência venosa incluem dermatite ocre (manchas escurecidas nos tornozelos), lipodermatoesclerose (endurecimento da pele) e úlceras venosas — que são difíceis de tratar e têm grande impacto na qualidade de vida.

A mensagem: varizes em homens merecem o mesmo cuidado que em mulheres — com eco Doppler, avaliação especializada e tratamento no momento adequado, não quando a situação já é grave.


Trombose venosa profunda em homens: fatores de risco específicos 

trombose venosa profunda tem alguns fatores de risco com maior prevalência masculina:

Imobilidade ocupacional Profissões que exigem longas horas sentado (caminhoneiros, pilotos, profissionais de TI) ou em pé parado (seguranças, cozinheiros, cirurgiões) são mais prevalentes entre homens e representam risco real de TVP por estase venosa.

Tabagismo Aumenta a coagulabilidade do sangue e lesiona o endotélio — dois fatores que favorecem a formação de trombos.

Câncer com maior incidência masculina Cânceres de pulmão, próstata, colorretal e estômago — com maior incidência em homens — são importantes fatores de risco para TVP. A trombose pode ser a primeira manifestação de um câncer não diagnosticado.

Menor atenção a sintomas Inchaço assimétrico em uma perna, dor na panturrilha sem causa aparente — sintomas que merecem avaliação imediata — são frequentemente negligenciados por dias ou semanas pelos homens, aumentando o risco de embolia pulmonar.


Os sintomas vasculares que os homens minimizam 

Uma lista prática do que não deve ser ignorado:

Sintomas arteriais:

  • Dor ou cansaço intenso nas panturrilhas ao caminhar que melhora com o repouso → claudicação intermitente
  • Pés frios ou com coloração alterada em relação ao outro lado
  • Ferida no pé ou tornozelo que não cicatriza
  • Episódio passageiro de fraqueza, dormência ou dificuldade para falar → possível AIT

Sintomas venosos:

  • Pernas pesadas e cansadas ao final do dia
  • Inchaço nos tornozelos que piora à tarde e melhora com repouso
  • Cordão endurecido e doloroso ao longo de uma variz → possível tromboflebite
  • Inchaço súbito e assimétrico em uma perna → possível TVP — urgência

Sintomas abdominais vasculares:

  • Dor abdominal ou lombar pulsátil — pode indicar aneurisma de aorta

Regra prática: se um sintoma está presente há mais de 2 semanas e não tem explicação clara, ele merece avaliação médica. Isso não é fraqueza — é inteligência.


Check-up vascular masculino: o que avaliar e quando começar 

O check-up vascular masculino não é um único exame — é uma avaliação progressiva que se torna mais abrangente com a idade e com o acúmulo de fatores de risco:

A partir dos 40 anos (com fatores de risco):

  • Avaliação clínica com cirurgião vascular
  • Índice tornozelo-braquial (ITB) — rastreamento de DAP
  • Eco Doppler venoso — avaliação de insuficiência venosa

A partir dos 50 anos:

  • Todos os anteriores + eco Doppler arterial de membros inferiores
  • Eco Doppler de carótidas — especialmente em tabagistas, hipertensos e com colesterol elevado

A partir dos 60-65 anos:

  • Todos os anteriores + eco Doppler abdominal para rastreamento de aneurisma de aorta
  • Avaliação de risco cardiovascular integrada com cardiologista

Com qualquer fator de risco presente (tabagismo, diabetes, hipertensão, obesidade, histórico familiar): Antecipar o rastreamento para a faixa etária imediatamente anterior.

Dra. Nelise Marvulo realiza o check-up vascular masculino completo no consultório nos Jardins, em São Paulo, com eco Doppler integrado à consulta. Atende também por telemedicina para todo o Brasil e Exterior — facilitando a primeira avaliação sem necessidade de deslocamento.

A Dra. Nelise não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde do paciente.


Perguntas Frequentes

Homens têm varizes?

Sim — cerca de 40% dos homens desenvolvem algum grau de insuficiência venosa. A diferença é que os homens buscam tratamento muito menos e em estágios mais avançados do que as mulheres.

Qual é a doença vascular mais perigosa para os homens?

O aneurisma de aorta abdominal tem a maior mortalidade potencial — sua ruptura mata mais de 80% dos afetados. A doença arterial periférica avançada tem o maior impacto funcional. E o AVC por aterosclerose carotídea tem grande impacto em mortalidade e sequelas. Todas essas condições são mais comuns em homens e têm rastreamento disponível.

A partir de que idade o homem deve consultar com cirurgião vascular?

Com fatores de risco (tabagismo, diabetes, hipertensão, histórico familiar), a partir dos 40 anos. Sem fatores de risco, a partir dos 50. Para rastreamento de aneurisma de aorta, a partir dos 60-65 anos em ex-fumantes ou fumantes.

Trombose é mais comum em homens ou mulheres?

Em adultos jovens, a TVP é mais comum em mulheres (por anticoncepcionais, gravidez). Após os 60 anos, a incidência se iguala ou torna-se maior em homens — especialmente associada a câncer, imobilidade e aterosclerose.

O plano de saúde cobre o check-up vascular masculino?

A consulta com cirurgião vascular e os exames de eco Doppler geralmente têm cobertura quando há indicação clínica. A Dra. Nelise Marvulo não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde do paciente.


Dia do Homem: O Melhor Presente É Cuidar da Circulação

No Dia do Homem, a mensagem é direta: as doenças vasculares que mais matam e mais incapacitam os homens são as que mais silenciosamente evoluem — e as que mais se beneficiam do diagnóstico precoce. Agendar uma consulta com o cirurgião vascular não é sinal de fraqueza: é a decisão mais inteligente que um homem pode tomar pela própria saúde.

Dra. Nelise Marvulo é cirurgiã vascular e ecografista vascular, com atendimento individualizado no Jardim Paulista (Jardins), em São Paulo. Realiza check-up vascular completo masculino — com eco Doppler arterial, venoso, de carótidas e abdominal integrados à consulta — e trata varizes, trombose, doença arterial periférica e todas as condições vasculares. Atende também por telemedicina para todo o Brasil e Exterior.

📍 Jardim Paulista (Jardins) – São Paulo, SP 💻 Telemedicina disponível para todo o Brasil e Exterior


Dra. Nelise Marvulo – Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071

As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser sempre individualizados por um especialista após avaliação clínica.

Varizes são veias que se tornaram alongadas, dilatadas e tortuosas, o que causa uma alteração no funcionamento desses vasos, dificultando o retorno do sangue dos tecidos para o coração. Mais frequentemente acometem as veias das coxas e pernas podendo causar, além de desconforto estético, inchaço, formigamento, dor, sensação de cansaço e peso nas pernas, sintomas esses que frequentemente pioram ao longo do dia, especialmente após permanecer longos períodos em pé ou sentado, nos dias mais quentes e no período próximo ou durante a menstruação e gravidez e que melhoram com a elevação dos membros. É um problema que acomete cerca de 38% da população brasileira e sua incidência aumenta com o avançar da idade. O principal fator associado ao seu desenvolvimento é a herança genética mas outros fatores como hormônios,  gestações, hábitos de vida, obesidade e permanência por longos períodos em pé ou sentado podem contribuir para potencializar o surgimento desse problema. Seu tratamento depende do grau de acometimento das veias, localização, quantidade e expectativas dos pacientes, podendo envolver desde mudanças no estilo de vida (perda de peso, atividades físicas regulares, alterações posturais, etc), uso de medicações sintomáticas, uso de meias elásticas, escleroterapia, laser transdérmico, espuma densa, flebectomia, cirurgia convencional para tratamento da safena ou tratamento das safenas com laser endovenoso. O avanço das técnicas permite hoje um diagnóstico preciso e associação dessas técnicas de forma a termos tratamentos mais eficazes, confortáveis, evitando internações e cirurgias em mais de 80% dos casos e, quando elas são necessárias, o processo é muito menos invasivo, com menos dor, menos sofrimento e rápida recuperação e retorno às atividades habituais!
Vasos da face e do tronco: o processo de envelhecimento, com afinamento da pele, perda de tecido de sustentação do rosto e a frequente exposição solar comumente levam ao aparecimento de vasinhos (e até mesmo veias mais calibrosas) no rosto e no tronco, que causam um incômodo estético importante. Poucas pessoas sabem que é possível tratar esses vasos de modo não invasivo, com o uso exclusivo de laser transdérmico, sem cortes, sem injeções, no próprio consultório, em poucas visitas.

Lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, geralmente em pernas e braços, associada a dor, sensibilidade ao toque, inchaço e facilidade para hematomas. Afeta quase exclusivamente mulheres e, muitas vezes, é confundida com obesidade ou linfedema, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados.

Como cirurgiã vascular, atuo no diagnóstico preciso do lipedema e no acompanhamento individualizado de cada paciente, integrando estratégias clínicas que visam aliviar sintomas, melhorar a circulação, reduzir o desconforto e preservar a qualidade de vida. O cuidado é sempre personalizado, baseado em ciência, escuta atenta e foco no bem-estar global da paciente.

A obstrução do fluxo de sangue dentro de uma veia por um trombo (sangue na forma sólida) caracteriza a trombose venosa. Em geral esse problema acontece por alteração na consistência do sangue, na velocidade de fluxo dele dentro do vaso ou por lesões diretas na parede da veia. Tais situações podem ser encontradas em pacientes acamados, imobilizados, submetidos a cirurgias longas, pacientes que receberam medicações endovenosas, que sofreram algum traumatismo nos membros, que tiveram infecções graves, doenças do sangue, pacientes com câncer ou em tratamentos oncológicos, gestantes ou pacientes em uso de hormônios, etc. A trombose venosa pode causar inchaços, normalmente acometendo apenas um dos membros, de forma súbita, com piora progressiva, sem melhora com o repouso, acompanhado de dor no membro, podendo ter surgimento de vasos mais evidentes sob a pele e alterações na cor do membro, que pode ficar mais avermelhado ou azulado. No entanto, alguns pacientes não apresentam nenhum sintoma desses e a suspeita deve ser feita quando existe a presença de algum dos fatores de risco já mencionados anteriormente. Seu diagnóstico e tratamento são importantes pois, na fase aguda, existe um risco do trombo/coágulo se desprender da veia e migrar para os vasos do pulmão, causando a temida embolia pulmonar, que pode ser fatal. Na fase tardia, a trombose pode evoluir com um quadro chamado Síndrome pós-trombótica, com aparecimento de inchaço, varizes, escurecimento da pele da perna, alterações na espessura da pele e até surgimento de úlceras de difícil cicatrização. O tratamento, na maioria das vezes, é feito em casa com medicações orais denominadas anticoagulantes a fim de evitar o aumento dos coágulos e facilitar a estabilização dos mesmos. Além disso, o uso de meias elásticas de compressão, orientações quanto a correta execução de atividades físicas e cuidados com a pele são fundamentais para uma boa evolução e qualidade de vida!

As causas de dores nas pernas são inúmeras e uma das mais frequentes é a doença venosa (Insuficiência Venosa Crônica). A compreensão dos hábitos de vida de cada paciente, do seu histórico de saúde e comorbidades atuais, bem como um exame físico e ultrassonográfico com doppler detalhado permitem a diferenciação do diagnóstico e a proposta de tratamentos eficazes e possíveis de serem realizados no dia-a-dia de cada um.

Os equipamentos de realidade aumentada iluminam a área de interesse na pele com uma luz infravermelha inofensiva que, devido às suas características, é absorvida pelo sangue . Por causa dessa absorção, uma ”imagem” da posição do vaso pode ser representada na pele da área onde há a maior concentração de sangue (no caso, as veias). Essa representação facilita identificarmos veias nutridoras de vasinhos e telangiectasias, não visíveis a olho nu por estarem sob a pele e não identificadas ao ultrassom por serem muito superficiais e pequenas para serem definidas pela tecnologia ultrassonográfica.

A adequada visualização dessas veias nutridoras facilita a sua punção durante o tratamento, permitindo a identificação do vaso e acompanhamento em tempo real da injeção das substâncias esclerosantes em sua luz, levando a melhor precisão na punção, menor quantidade de punções e mais eficácia no tratamento. Permite, junto com a associação de exame físico adequado e utilização do ultrassom doppler, que todas as veias envolvidas no quadro apresentado por cada paciente sejam tratadas adequadamente.

Outra utilidade da realidade aumentada é facilitar a marcação das veias a serem retiradas nos procedimentos cirúrgicos de tratamento de varizes. Essa tecnologia permite que as incisões sejam feitas com exatidão, minimizando sangramentos, hematomas e cicatrizes, com recuperação mais rápida e excelentes resultados estéticos e funcionais da cirurgia.