Categoria: Lipedema | Autora: Dra. Nelise Marvulo – CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071 | Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular


Você faz dieta, se exercita, emagrece no tronco — mas as pernas simplesmente não mudam. São pesadas, doem ao toque, ficam roxas com facilidade e parecem desproporcionais ao resto do corpo. Você já deve ter ouvido que “é genética”, “é retenção de líquido” ou simplesmente “é preciso se esforçar mais”. Mas e se não for nada disso?

Essa é a realidade de milhões de mulheres brasileiras que convivem com o lipedema sem saber — diagnosticadas erroneamente como obesas ou sedentárias, quando na verdade têm uma doença crônica com nome, causas e tratamento. O lipedema é responsável por um sofrimento que vai muito além do físico: anos de dietas que não funcionam, exercícios que não trazem resultado nas pernas e a sensação de que o próprio corpo é um inimigo.

Neste artigo, a Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular especialista em lipedema com consultório nos Jardins, em São Paulo, explica de forma clara e direta como diferenciar o lipedema da gordura comum — e por que esse diagnóstico pode mudar completamente a vida de quem recebe.


Índice

  • O que é lipedema?
  • O que é gordura comum?
  • As 7 diferenças principais entre lipedema e gordura comum
  • O sinal do manguito: o teste que você pode fazer agora
  • Por que o lipedema não responde à dieta?
  • Lipedema tem graus? Como a doença progride?
  • Lipedema x linfedema x obesidade: entenda cada um
  • Como é feito o diagnóstico de lipedema?
  • Lipedema tem tratamento?
  • Quando procurar um cirurgião vascular?
  • Perguntas frequentes

O que é lipedema? {#o-que-e-lipedema}

O lipedema é uma doença crônica, progressiva e sistêmica do tecido adiposo — caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura inflamatória em regiões específicas do corpo, principalmente quadris, coxas e pernas, e em alguns casos nos braços. Afeta quase exclusivamente mulheres e tem forte base genética e hormonal.

A gordura do lipedema não é a mesma gordura que se acumula com o ganho de peso comum. Ela tem uma estrutura diferente — é inflamatória, dolorosa, hipersensível e não responde aos mecanismos convencionais de emagrecimento. Dieta e exercício podem reduzir o peso corporal geral, mas têm efeito mínimo ou nulo nas regiões afetadas pelo lipedema.

Apesar de afetar entre 10% e 12% das mulheres no mundo — o que representaria mais de 8 milhões de brasileiras — o lipedema ainda é amplamente desconhecido, inclusive entre profissionais de saúde. Muitas pacientes levam anos, ou décadas, para receber o diagnóstico correto.


O que é gordura comum? {#o-que-e-gordura-comum}

A gordura comum — tecnicamente chamada de tecido adiposo convencional — é o acúmulo de células de gordura (adipócitos) que ocorre em resposta ao balanço energético positivo: quando a ingestão calórica supera o gasto. Ela se distribui pelo corpo de forma proporcional ao ganho de peso e responde à dieta e ao exercício físico.

A gordura comum:

  • Não dói ao toque
  • Distribui-se proporcionalmente pelo corpo conforme o ganho de peso
  • Responde à restrição calórica e ao exercício aeróbico
  • Não causa hematomas espontâneos
  • Não está associada a inchaço que piora ao longo do dia
  • Afeta homens e mulheres de forma semelhante

Quando uma mulher engorda, a gordura comum tende a se acumular preferencialmente no abdômen (padrão androide) ou nos quadris e coxas (padrão ginoide) — mas sempre de forma proporcional e sem as características inflamatórias e dolorosas do lipedema.


As 7 diferenças principais entre lipedema e gordura comum {#as-7-diferencas}

Essas são as características que distinguem o lipedema da gordura convencional — e que devem levantar a suspeita diagnóstica:

  1. Distribuição desproporcional e simétrica

Lipedema: as pernas, coxas e quadris são desproporcionalmente volumosos em relação ao tronco e aos braços. Uma mulher pode ter manequim 36 no tronco e 46 nas pernas. A distribuição é sempre bilateral e simétrica — ambas as pernas são afetadas de forma semelhante.

Gordura comum: distribui-se proporcionalmente por todo o corpo conforme o ganho de peso. Não há desproporção marcante entre tronco e membros.

  1. Pés e mãos poupados — o “sinal do manguito”

Lipedema: a gordura acumula-se nas pernas mas para abruptamente no tornozelo, criando uma demarcação nítida entre a perna volumosa e o pé normal. Esse é o famoso sinal do manguito — como se houvesse um elástico apertando no tornozelo. O mesmo padrão pode ocorrer nos braços, com a gordura parando no pulso.

Gordura comum: não há essa demarcação. A gordura distribui-se de forma gradual e contínua, sem “linha de corte” no tornozelo ou pulso.

  1. Dor ao toque e hipersensibilidade

Lipedema: as pernas doem ao toque — especialmente à pressão moderada nas coxas e panturrilhas. Muitas mulheres relatam que não suportam que toquem nas pernas, que roupas apertadas causam dor e que até o jato do chuveiro pode ser desconfortável. Essa hipersensibilidade é uma das características mais marcantes e subestimadas da doença.

Gordura comum: não causa dor ao toque. A pressão sobre tecido adiposo convencional pode ser desconfortável, mas não dolorosa.

  1. Hematomas espontâneos e fáceis

Lipedema: um dos sinais mais característicos — e a razão pela qual o roxo foi escolhido como cor do Junho Roxo. Mulheres com lipedema desenvolvem hematomas com facilidade mínima: um leve esbarrão em uma cadeira, apertar a própria perna, até mesmo a pressão de uma meia podem causar manchas roxas. Isso acontece porque os vasos capilares da região afetada são frágeis e permeáveis.

Gordura comum: hematomas surgem apenas após traumas mais significativos, como qualquer pessoa sem a doença.

  1. Inchaço que piora ao longo do dia

Lipedema: as pernas ficam mais inchadas ao longo do dia — com o calor, após longos períodos em pé e no fim do dia. Esse inchaço melhora parcialmente com repouso e elevação das pernas, mas não desaparece completamente. Com a progressão da doença, o inchaço pode se tornar mais persistente e evoluir para comprometimento linfático (lipolinfedema).

Gordura comum: não causa inchaço que varia ao longo do dia. O volume das pernas permanece estável independentemente da posição ou do horário.

  1. Não responde à dieta nem ao exercício nas regiões afetadas

Lipedema: mesmo com dieta restritiva e exercício regular, o volume das pernas praticamente não diminui. A mulher pode perder peso no rosto, tronco e abdômen — mas as pernas permanecem volumosas. Essa é frequentemente a primeira queixa que leva à investigação: “emagreço em todo lugar menos nas pernas”.

Gordura comum: responde à restrição calórica e ao exercício, com redução proporcional em todo o corpo — incluindo as pernas.

  1. Início associado a mudanças hormonais

Lipedema: a doença costuma aparecer ou se agravar em momentos de mudança hormonal: puberdade, gravidez, menopausa e uso de anticoncepcionais hormonais. Esse padrão é um forte indicativo diagnóstico.

Gordura comum: o acúmulo de gordura está diretamente associado ao balanço calórico — não a fases hormonais específicas.

Tabela comparativa completa

Característica

Lipedema

Gordura Comum

Distribuição Desproporcional, bilateral e simétrica Proporcional ao ganho de peso
Pés/tornozelos Poupados (sinal do manguito) Podem ser afetados
Dor ao toque Presente, muitas vezes intensa Ausente
Hematomas fáceis Muito frequentes Raros sem trauma
Inchaço diário Piora ao longo do dia Ausente
Resposta à dieta Mínima ou nula nas áreas afetadas Redução proporcional
Resposta ao exercício Mínima nas áreas afetadas Melhora progressiva
Início Associado a mudanças hormonais Associado a ganho calórico
Afeta homens? Raramente Sim
Progressão Sim, sem tratamento Controlável com estilo de vida

 


O sinal do manguito: o teste que você pode fazer agora {#sinal-do-manguito}

O sinal do manguito é um dos indicadores clínicos mais simples e importantes do lipedema. Para verificar se você tem esse sinal:

  1. Olhe para seus tornozelos e pés com atenção
  2. Observe se há uma demarcação nítida entre o volume das pernas e o pé — como se a perna “caísse” abruptamente no tornozelo
  3. A perna é visivelmente mais volumosa que o pé, com uma linha de transição clara

Se você identificar essa demarcação, combinada com dois ou mais sinais da lista acima (dor ao toque, hematomas fáceis, gordura que não reduz com dieta), procure avaliação com um cirurgião vascular especializado em lipedema.

Importante: o sinal do manguito sozinho não confirma o diagnóstico de lipedema. O diagnóstico é clínico e deve ser feito por um médico especializado após avaliação completa.


Por que o lipedema não responde à dieta? {#por-que-nao-responde-a-dieta}

Essa é uma das perguntas mais importantes — e a resposta liberta muitas mulheres de anos de culpa e frustração.

A gordura do lipedema é estruturalmente diferente da gordura convencional. Ela é composta por adipócitos anormais que se comportam de forma distinta:

  • São resistentes à lipólise — o processo pelo qual o organismo quebra a gordura para usar como energia. Mesmo em estado de restrição calórica, esses adipócitos não são mobilizados normalmente
  • Estão em um microambiente inflamatório crônico, com aumento de macrófagos, fibrose e disfunção dos vasos linfáticos locais
  • São altamente sensíveis a estímulos hormonais — especialmente ao estrogênio, que favorece seu crescimento e proliferação

Em termos simples: a dieta pode fazer a mulher com lipedema perder gordura no rosto, nos braços e no abdômen — mas a gordura das pernas, protegida por essa resistência metabólica, permanece. É por isso que muitas pacientes ficam com aparência ainda mais desproporcional após emagrecimento intenso.

Isso não significa que dieta e exercício são inúteis no lipedema — eles são fundamentais para controlar a inflamação, o peso geral e a progressão da doença. Mas as expectativas precisam ser realistas e o plano de tratamento precisa ser específico para o lipedema.


Lipedema tem graus? Como a doença progride? {#lipedema-tem-graus}

Sim. O lipedema é classificado em 4 estágios conforme a progressão:

Estágio 1 — Pele lisa, gordura nodular A pele ainda tem aparência normal e lisa. Ao toque profundo, é possível sentir pequenos nódulos de gordura sob a pele. Inchaço discreto ao final do dia. Muitas mulheres não percebem que têm lipedema nessa fase.

Estágio 2 — Pele irregular, nódulos maiores A superfície da pele começa a ficar irregular — com aspecto de “casca de laranja” ou “colchão de molas”. Os nódulos de gordura são maiores e palpáveis. Dor ao toque mais evidente. Inchaço mais frequente.

Estágio 3 — Grandes lobos de gordura, deformação Formam-se grandes lobos de gordura que deformam o contorno das pernas e coxas. O volume é significativo, com dobras de gordura na parte interna dos joelhos e tornozelos. Limitação de mobilidade começa a aparecer. Alto risco de desenvolvimento de linfedema secundário.

Estágio 4 — Lipolinfedema O comprometimento linfático está estabelecido — o lipedema evoluiu para lipolinfedema. O inchaço é mais intenso, a pele está espessada e fibrótica, e o risco de infecções (erisipela, celulite) é elevado. É o estágio mais grave e de tratamento mais complexo.

O diagnóstico e o tratamento precoces — nos estágios 1 e 2 — são fundamentais para evitar a progressão para os estágios mais graves. Por isso, reconhecer os sinais do lipedema o quanto antes faz toda a diferença.


Lipedema x linfedema x obesidade: entenda cada um {#lipedema-x-linfedema-x-obesidade}

As três condições são frequentemente confundidas — inclusive em laudos médicos. Entenda as diferenças fundamentais:

Característica

Lipedema Linfedema

Obesidade

O que é Doença do tecido gorduroso Doença do sistema linfático Excesso de tecido adiposo convencional
Causa Genética e hormonal Dano ou obstrução linfática Desequilíbrio calórico
Afeta Quase exclusivamente mulheres Homens e mulheres Homens e mulheres
Dor ao toque Presente Menos frequente Ausente
Hematomas fáceis Muito frequentes Incomuns Incomuns
Pés afetados? Não (sinal do manguito) Sim — inclui pés e dedos Pode ser afetado
Responde à dieta? Não nas áreas afetadas Não Sim
Sinal de Stemmer Negativo Positivo Negativo
Progressão Sim, sem tratamento Sim, sem tratamento Controlável

Lipolinfedema: quando lipedema e linfedema coexistem — situação comum nos estágios mais avançados da doença, quando o volume excessivo de gordura comprime e compromete os vasos linfáticos.


Como é feito o diagnóstico de lipedema? {#como-e-feito-o-diagnostico}

O diagnóstico do lipedema é clínico — baseado na história da paciente, nos sintomas relatados e no exame físico realizado por um médico especializado. Não existe um único exame laboratorial ou de imagem que confirme o lipedema isoladamente.

O que o médico avalia na consulta:

  • Distribuição da gordura corporal e presença de desproporção
  • Sinal do manguito nos tornozelos e/ou pulsos
  • Sensibilidade ao toque nas pernas
  • Histórico de hematomas fáceis
  • Presença e padrão de inchaço
  • Histórico familiar (mãe, avó, irmãs com pernas volumosas)
  • Início dos sintomas em relação às mudanças hormonais (puberdade, gravidez, menopausa)

Exames complementares utilizados:

  • Eco Doppler venoso: avalia se há insuficiência venosa ou linfedema associado — realizado pela Dra. Nelise Marvulo no próprio consultório
  • Ultrassom de partes moles: pode mostrar as características da gordura no lipedema
  • Linfocintilografia: indicada quando há suspeita de comprometimento linfático (lipolinfedema)
  • Bioimpedância: pode ajudar a quantificar o excesso de líquido nos tecidos

Lipedema tem tratamento? {#lipedema-tem-tratamento}

Sim — e o tratamento pode transformar completamente a qualidade de vida de quem tem lipedema. Embora não exista cura definitiva até o momento, as opções disponíveis atuais são eficazes para controlar os sintomas, frear a progressão e melhorar significativamente o bem-estar físico e emocional.

Tratamento conservador (base de tudo):

  • Terapia Descongestiva Complexa (TDC): combinação de drenagem linfática manual, bandagem compressiva e exercícios específicos
  • Meias e roupas de compressão: reduzem o inchaço e melhoram o retorno venolinfático
  • Exercícios de baixo impacto: natação, hidroginástica, caminhada e yoga — eficazes e bem tolerados
  • Alimentação anti-inflamatória: reduz a inflamação sistêmica e ajuda a controlar os sintomas

Tratamento cirúrgico:

  • Lipoaspiração tumescente (LAL): nos casos mais avançados ou quando o tratamento conservador não é suficiente, a lipoaspiração com técnica específica para lipedema remove a gordura doentia, reduz a dor, o volume e os hematomas. Deve ser realizada por equipe especializada e sempre combinada com o tratamento conservador contínuo.

Quando procurar um cirurgião vascular? {#quando-procurar}

Procure avaliação com um cirurgião vascular especializado em lipedema se você:

  • Tem pernas desproporcionalmente volumosas em relação ao tronco, mesmo com peso controlado
  • Sente dor nas pernas ao toque ou com roupas apertadas
  • Desenvolveu hematomas com facilidade desde jovem
  • Tem inchaço nas pernas que piora ao longo do dia
  • Fez dietas e exercícios sem resultado nas pernas
  • Percebeu que os sintomas começaram ou pioraram na puberdade, gravidez ou menopausa
  • Tem histórico familiar de pernas volumosas com dor (mãe, avó, irmãs)

A Dra. Nelise Marvulo realiza a avaliação completa para lipedema no consultório nos Jardins, em São Paulo, com eco Doppler integrado à consulta para diagnóstico diferencial preciso. Atende também por telemedicina para todo o Brasil e Exterior — especialmente importante para mulheres que ainda não encontraram um especialista próximo de casa.


Perguntas Frequentes {#perguntas-frequentes}

Homens podem ter lipedema?

Raramente. O lipedema afeta quase exclusivamente mulheres — casos em homens são descritos, mas incomuns, e geralmente associados a alterações hormonais significativas como hipogonadismo ou uso de estrógeno.

Lipedema aparece só nas pernas?

Não necessariamente. Embora as pernas e quadris sejam as regiões mais frequentemente afetadas, o lipedema também pode comprometer os braços (especialmente a parte superior, da axila ao cotovelo). Em alguns casos, ambas as localizações são afetadas simultaneamente.

Emagrecer piora o lipedema?

O emagrecimento intenso pode tornar a desproporção mais visível — a paciente perde gordura no tronco e fica com as pernas ainda mais destacadas em relação ao restante do corpo. Por isso, o emagrecimento no contexto do lipedema deve ser acompanhado por um especialista que entenda a doença e defina estratégias adequadas.

Anticoncepcionais pioram o lipedema?

Anticoncepcionais com estrogênio podem agravar o lipedema em algumas mulheres, pois o estrógeno estimula o crescimento dos adipócitos do lipedema. Se você tem lipedema e usa anticoncepcionais hormonais, converse com seu médico sobre as opções disponíveis.

O plano de saúde cobre o tratamento de lipedema?

Consultas com cirurgião vascular e exames como eco Doppler geralmente têm cobertura quando há indicação clínica. A lipoaspiração tumescente para lipedema ainda enfrenta barreiras em muitos planos. A Dra. Nelise Marvulo não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde do paciente.

Lipedema é reconhecido pelo CID?

Sim. O lipedema foi reconhecido como doença a partir do CID 11, sendo seu código o  EF02.2. O reconhecimento oficial facilita o acesso a tratamentos e reembolsos junto aos planos de saúde.

O que é lipolinfedema?

É o estágio avançado do lipedema em que o volume excessivo de gordura compromete os vasos linfáticos, gerando linfedema secundário. O lipolinfedema exige tratamento ainda mais estruturado, combinando abordagens para ambas as condições.


Você Pode Estar com Lipedema Sem Saber

Se você chegou até aqui e se identificou com vários dos sinais descritos, não ignore. O lipedema é real, tem nome e tem tratamento. Você não precisa continuar sem diagnóstico.

A Dra. Nelise Marvulo é cirurgiã vascular especialista em lipedema, com atendimento individualizado no Jardim Paulista (Jardins), em São Paulo, e por telemedicina para todo o Brasil e Exterior. Agende sua consulta e dê o primeiro passo para entender o que está acontecendo com o seu corpo.

📍 Jardim Paulista (Jardins) – São Paulo, SP 💻 Telemedicina disponível para todo o Brasil e Exterior


Dra. Nelise Marvulo – Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071

As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser sempre individualizados por um especialista após avaliação clínica.

Varizes são veias que se tornaram alongadas, dilatadas e tortuosas, o que causa uma alteração no funcionamento desses vasos, dificultando o retorno do sangue dos tecidos para o coração. Mais frequentemente acometem as veias das coxas e pernas podendo causar, além de desconforto estético, inchaço, formigamento, dor, sensação de cansaço e peso nas pernas, sintomas esses que frequentemente pioram ao longo do dia, especialmente após permanecer longos períodos em pé ou sentado, nos dias mais quentes e no período próximo ou durante a menstruação e gravidez e que melhoram com a elevação dos membros. É um problema que acomete cerca de 38% da população brasileira e sua incidência aumenta com o avançar da idade. O principal fator associado ao seu desenvolvimento é a herança genética mas outros fatores como hormônios,  gestações, hábitos de vida, obesidade e permanência por longos períodos em pé ou sentado podem contribuir para potencializar o surgimento desse problema. Seu tratamento depende do grau de acometimento das veias, localização, quantidade e expectativas dos pacientes, podendo envolver desde mudanças no estilo de vida (perda de peso, atividades físicas regulares, alterações posturais, etc), uso de medicações sintomáticas, uso de meias elásticas, escleroterapia, laser transdérmico, espuma densa, flebectomia, cirurgia convencional para tratamento da safena ou tratamento das safenas com laser endovenoso. O avanço das técnicas permite hoje um diagnóstico preciso e associação dessas técnicas de forma a termos tratamentos mais eficazes, confortáveis, evitando internações e cirurgias em mais de 80% dos casos e, quando elas são necessárias, o processo é muito menos invasivo, com menos dor, menos sofrimento e rápida recuperação e retorno às atividades habituais!
Vasos da face e do tronco: o processo de envelhecimento, com afinamento da pele, perda de tecido de sustentação do rosto e a frequente exposição solar comumente levam ao aparecimento de vasinhos (e até mesmo veias mais calibrosas) no rosto e no tronco, que causam um incômodo estético importante. Poucas pessoas sabem que é possível tratar esses vasos de modo não invasivo, com o uso exclusivo de laser transdérmico, sem cortes, sem injeções, no próprio consultório, em poucas visitas.

Lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, geralmente em pernas e braços, associada a dor, sensibilidade ao toque, inchaço e facilidade para hematomas. Afeta quase exclusivamente mulheres e, muitas vezes, é confundida com obesidade ou linfedema, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados.

Como cirurgiã vascular, atuo no diagnóstico preciso do lipedema e no acompanhamento individualizado de cada paciente, integrando estratégias clínicas que visam aliviar sintomas, melhorar a circulação, reduzir o desconforto e preservar a qualidade de vida. O cuidado é sempre personalizado, baseado em ciência, escuta atenta e foco no bem-estar global da paciente.

A obstrução do fluxo de sangue dentro de uma veia por um trombo (sangue na forma sólida) caracteriza a trombose venosa. Em geral esse problema acontece por alteração na consistência do sangue, na velocidade de fluxo dele dentro do vaso ou por lesões diretas na parede da veia. Tais situações podem ser encontradas em pacientes acamados, imobilizados, submetidos a cirurgias longas, pacientes que receberam medicações endovenosas, que sofreram algum traumatismo nos membros, que tiveram infecções graves, doenças do sangue, pacientes com câncer ou em tratamentos oncológicos, gestantes ou pacientes em uso de hormônios, etc. A trombose venosa pode causar inchaços, normalmente acometendo apenas um dos membros, de forma súbita, com piora progressiva, sem melhora com o repouso, acompanhado de dor no membro, podendo ter surgimento de vasos mais evidentes sob a pele e alterações na cor do membro, que pode ficar mais avermelhado ou azulado. No entanto, alguns pacientes não apresentam nenhum sintoma desses e a suspeita deve ser feita quando existe a presença de algum dos fatores de risco já mencionados anteriormente. Seu diagnóstico e tratamento são importantes pois, na fase aguda, existe um risco do trombo/coágulo se desprender da veia e migrar para os vasos do pulmão, causando a temida embolia pulmonar, que pode ser fatal. Na fase tardia, a trombose pode evoluir com um quadro chamado Síndrome pós-trombótica, com aparecimento de inchaço, varizes, escurecimento da pele da perna, alterações na espessura da pele e até surgimento de úlceras de difícil cicatrização. O tratamento, na maioria das vezes, é feito em casa com medicações orais denominadas anticoagulantes a fim de evitar o aumento dos coágulos e facilitar a estabilização dos mesmos. Além disso, o uso de meias elásticas de compressão, orientações quanto a correta execução de atividades físicas e cuidados com a pele são fundamentais para uma boa evolução e qualidade de vida!

As causas de dores nas pernas são inúmeras e uma das mais frequentes é a doença venosa (Insuficiência Venosa Crônica). A compreensão dos hábitos de vida de cada paciente, do seu histórico de saúde e comorbidades atuais, bem como um exame físico e ultrassonográfico com doppler detalhado permitem a diferenciação do diagnóstico e a proposta de tratamentos eficazes e possíveis de serem realizados no dia-a-dia de cada um.

Os equipamentos de realidade aumentada iluminam a área de interesse na pele com uma luz infravermelha inofensiva que, devido às suas características, é absorvida pelo sangue . Por causa dessa absorção, uma ”imagem” da posição do vaso pode ser representada na pele da área onde há a maior concentração de sangue (no caso, as veias). Essa representação facilita identificarmos veias nutridoras de vasinhos e telangiectasias, não visíveis a olho nu por estarem sob a pele e não identificadas ao ultrassom por serem muito superficiais e pequenas para serem definidas pela tecnologia ultrassonográfica.

A adequada visualização dessas veias nutridoras facilita a sua punção durante o tratamento, permitindo a identificação do vaso e acompanhamento em tempo real da injeção das substâncias esclerosantes em sua luz, levando a melhor precisão na punção, menor quantidade de punções e mais eficácia no tratamento. Permite, junto com a associação de exame físico adequado e utilização do ultrassom doppler, que todas as veias envolvidas no quadro apresentado por cada paciente sejam tratadas adequadamente.

Outra utilidade da realidade aumentada é facilitar a marcação das veias a serem retiradas nos procedimentos cirúrgicos de tratamento de varizes. Essa tecnologia permite que as incisões sejam feitas com exatidão, minimizando sangramentos, hematomas e cicatrizes, com recuperação mais rápida e excelentes resultados estéticos e funcionais da cirurgia.