Categoria: Cirurgia Vascular

Autora: Dra. Nelise Marvulo – CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071 | Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular


Você passou por uma cirurgia oncológica com remoção de linfonodos e agora percebe que um braço ou uma perna incham com mais facilidade? Ou está em fase de planejamento cirúrgico e quer entender como se proteger dessa complicação? Você está diante de uma realidade que afeta milhares de pacientes oncológicos no Brasil: o linfedema pós-câncer.

O linfedema pós-oncológico não é uma fatalidade inevitável — e mesmo quando se instala, tem tratamento eficaz. Neste artigo, a Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular e ecografista vascular com consultório nos Jardins, em São Paulo, explica por que acontece, como se prevenir, como reconhecer os primeiros sinais e quais são as opções de tratamento.

O que é o linfedema pós-câncer?

É o acúmulo anormal de líquido linfático em um membro ou região do corpo, causado por dano ao sistema linfático durante o tratamento oncológico — seja por cirurgia com remoção de linfonodos, radioterapia ou a combinação dos dois.

É a forma mais comum de linfedema secundário no mundo ocidental. Quando os linfonodos são removidos ou danificados pela radiação, a capacidade de drenagem linfática daquela região fica reduzida, e o líquido passa a se acumular nos tecidos.

Importante: o linfedema pós-câncer não é sinal de recidiva da doença nem indica que o tratamento oncológico falhou. É uma consequência física do tratamento.

Quais cirurgias oncológicas têm maior risco?

Câncer de mama com dissecção axilar: a causa mais frequente. Risco de 15% a 30% com dissecção axilar completa, e cerca de 5–7% apenas com biópsia do linfonodo sentinela.

Cânceres ginecológicos (colo de útero, endométrio, ovário): risco de linfedema de membro inferior de 20% a 40%, especialmente com radioterapia pélvica associada.

Câncer de próstata: a linfadenectomia pélvica pode levar a linfedema de membros inferiores e, em alguns casos, genital.

Câncer de bexiga: linfadenectomia pélvica extensa com risco semelhante aos cânceres ginecológicos.

Melanoma: dissecção de linfonodos inguinais ou axilares tem risco elevado de linfedema no membro correspondente.

Câncer colorretal e anal: em casos com dissecção de linfonodos inguinais ou pélvicos, risco de linfedema de membro inferior.

Fatores que aumentam o risco:

        Maior número de linfonodos removidos

        Associação com radioterapia na mesma região

        Obesidade e infecções pós-operatórias

        Idade mais avançada e histórico de trombose venosa no membro

Por que a remoção de linfonodos causa linfedema?

O sistema linfático funciona como uma rede de drenagem: vasos linfáticos coletam o excesso de líquido dos tecidos e o transportam através dos linfonodos antes de devolvê-lo à circulação sanguínea.

Quando linfonodos são removidos, essa rede perde capacidade naquela área. O organismo tenta compensar criando novos caminhos (circulação colateral linfática), mas nem sempre é suficiente — especialmente com radioterapia associada, que pode causar fibrose nos vasos remanescentes.

Quando o linfedema pode aparecer após o tratamento?

Linfedema precoce: pode aparecer já nas primeiras semanas, geralmente transitório.

Primeiros 1 a 3 anos: período em que se manifesta a maioria dos casos, à medida que o sistema linfático sobrecarregado não consegue mais compensar.

Linfedema tardio: pode surgir mesmo vários anos depois — 10, 15 ou mais — desencadeado por infecção, trauma, ganho de peso ou viagem longa.

Pacientes que passaram por cirurgia com remoção de linfonodos devem manter atenção ao membro em risco indefinidamente.

Sinais precoces que não devem ser ignorados

        Sensação de peso ou pressão no membro em risco, mesmo sem inchaço visível

        Formigamento ou dormência sutil

        Dificuldade para usar anéis, pulseiras, relógio ou roupas que antes serviam bem

        Inchaço discreto que aparece ao final do dia e desaparece com o repouso

        Sensação de “aperto” em mangas ou meias antes confortáveis

        Pequena diferença de volume entre os dois braços ou pernas

Quanto mais cedo o linfedema é identificado — idealmente no estágio subclínico — mais simples e eficaz é o tratamento, com maior chance de reverter completamente o quadro inicial.

Como prevenir o linfedema pós-câncer

Antes da cirurgia: converse sobre a técnica planejada — biópsia do linfonodo sentinela tem risco menor que dissecção axilar completa.

No pós-operatório imediato: siga as orientações de fisioterapia precoce para preservar amplitude de movimento.

Nos primeiros meses: considere acompanhamento com fisioterapeuta especializado em linfedema desde o início, mesmo sem sinais.

Ao longo da vida: mantenha peso adequado e pratique atividade física regular — incluindo musculação com progressão adequada, que não aumenta o risco e traz benefícios.

Cuidados específicos no dia a dia do membro em risco

Proteção contra lesões e infecções:

        Evite cortes, queimaduras e arranhões no membro em risco

        Use luvas para jardinagem e tarefas domésticas com produtos químicos

        Trate imediatamente qualquer ferida, por menor que seja

        Proteja-se de picadas de inseto com repelente

Cuidados médicos:

        Evite aferição de pressão e punções venosas no membro em risco, quando possível

        Informe sempre profissionais de saúde sobre a cirurgia prévia

Cuidados estéticos:

        Evite depilação com cera ou lâmina — prefira tesoura ou aparador elétrico

        Evite tatuagens e piercings na região

Atividades cotidianas:

        Evite carregar peso excessivo no braço em risco

        Em voos longos, use compressão e movimente-se regularmente

        Evite calor excessivo prolongado (sauna, banhos muito quentes)

Linfedema após câncer de mama

É a situação mais comum e estudada. Pode afetar o braço inteiro, antebraço, mão ou até a região do tórax próxima à cicatriz. O risco é maior quando há associação de cirurgia com radioterapia axilar.

Medidas específicas: exercícios de amplitude de movimento do ombro e braço orientados por fisioterapeuta especializado, avaliação periódica do volume dos membros e atenção redobrada a sinais no braço operado durante toda a vida.

Linfedema após cânceres ginecológicos, de próstata e outros

O linfedema de membro inferior pós-oncológico é igualmente significativo. Pode afetar uma ou ambas as pernas, e envolver a região genital e o baixo abdômen em cânceres ginecológicos.

Pacientes oncológicos têm risco aumentado tanto de linfedema quanto de trombose venosa profunda — às vezes simultaneamente. Qualquer inchaço de membro inferior em paciente com histórico oncológico deve ser avaliado por cirurgião vascular, com eco Doppler para diagnóstico diferencial.

Como é feito o tratamento do linfedema pós-câncer?

Terapia Descongestiva Complexa (TDC): drenagem linfática manual especializada, bandagem compressiva multicamadas, exercícios terapêuticos e cuidados com a pele.

Compressão de manutenção: uso de manga ou meia de compressão graduada no dia a dia para manter o resultado e prevenir progressão.

Tratamento precoce de infecções: episódios de erisipela devem ser tratados imediatamente com antibióticos.

Acompanhamento multidisciplinar: integração entre cirurgião vascular, fisioterapeuta especializado e equipe de oncologia.

Procedimentos cirúrgicos: em casos selecionados, especialmente quando identificados precocemente, técnicas como a anastomose linfovenosa podem ser consideradas.

O papel do cirurgião vascular no acompanhamento oncológico

        Avaliação inicial e de rastreamento, idealmente já no pós-operatório

        Diagnóstico diferencial entre linfedema, trombose venosa profunda e outras causas de inchaço

        Eco Doppler vascular para investigar componente venoso e descartar trombose

        Prescrição de compressão adequada ao estágio e localização

        Coordenação do tratamento multidisciplinar

        Acompanhamento de longo prazo, já que o linfedema pode surgir anos depois

A Dra. Nelise Marvulo acompanha pacientes em risco e com diagnóstico de linfedema pós-câncer nos Jardins, em São Paulo, com eco Doppler integrado à consulta. Atende também por telemedicina para todo o Brasil e Exterior.

Perguntas Frequentes

Todo paciente que remove linfonodos desenvolve linfedema?

Não. O risco varia conforme o número de linfonodos removidos, a associação com radioterapia e fatores individuais como obesidade. Muitos pacientes nunca desenvolvem linfedema clinicamente evidente, especialmente seguindo medidas preventivas.

Posso fazer exercícios com peso após cirurgia com remoção de linfonodos?

Sim. Estudos mostram que exercícios de fortalecimento com progressão gradual e supervisionada não aumentam o risco — e trazem benefícios para a função do membro e qualidade de vida.

O linfedema pode aparecer mesmo anos depois da cirurgia?

Sim. O linfedema tardio pode surgir 10 ou mais anos depois, geralmente desencadeado por infecção, trauma ou ganho de peso. Os cuidados devem ser mantidos indefinidamente.

Linfedema é sinal de que o câncer voltou?

Não. É uma sequela física do tratamento, não indica recidiva. Mas qualquer inchaço novo deve ser sempre avaliado pelo médico para descartar outras causas.

O plano de saúde cobre o tratamento de linfedema pós-câncer?

Consultas e exames geralmente têm cobertura quando há indicação clínica relacionada ao tratamento oncológico. A Dra. Nelise não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso.

Linfedema Pós-Câncer: Prevenção e Cuidado Que Fazem a Diferença

O linfedema pós-oncológico é uma realidade para muitos pacientes — mas o conhecimento sobre prevenção, o reconhecimento precoce dos sinais e o acompanhamento especializado mudam completamente a trajetória dessa condição.

A Dra. Nelise Marvulo é cirurgiã vascular e ecografista vascular, com atendimento individualizado no Jardim Paulista (Jardins), em São Paulo, dedicado também ao acompanhamento de pacientes oncológicos. Atende também por telemedicina para todo o Brasil e Exterior.

📍 Jardim Paulista (Jardins) – São Paulo, SP

💻 Telemedicina disponível para todo o Brasil e Exterior

Dra. Nelise Marvulo – Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular | CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071

As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser sempre individualizados por um especialista após avaliação clínica.

Varizes são veias que se tornaram alongadas, dilatadas e tortuosas, o que causa uma alteração no funcionamento desses vasos, dificultando o retorno do sangue dos tecidos para o coração. Mais frequentemente acometem as veias das coxas e pernas podendo causar, além de desconforto estético, inchaço, formigamento, dor, sensação de cansaço e peso nas pernas, sintomas esses que frequentemente pioram ao longo do dia, especialmente após permanecer longos períodos em pé ou sentado, nos dias mais quentes e no período próximo ou durante a menstruação e gravidez e que melhoram com a elevação dos membros. É um problema que acomete cerca de 38% da população brasileira e sua incidência aumenta com o avançar da idade. O principal fator associado ao seu desenvolvimento é a herança genética mas outros fatores como hormônios,  gestações, hábitos de vida, obesidade e permanência por longos períodos em pé ou sentado podem contribuir para potencializar o surgimento desse problema. Seu tratamento depende do grau de acometimento das veias, localização, quantidade e expectativas dos pacientes, podendo envolver desde mudanças no estilo de vida (perda de peso, atividades físicas regulares, alterações posturais, etc), uso de medicações sintomáticas, uso de meias elásticas, escleroterapia, laser transdérmico, espuma densa, flebectomia, cirurgia convencional para tratamento da safena ou tratamento das safenas com laser endovenoso. O avanço das técnicas permite hoje um diagnóstico preciso e associação dessas técnicas de forma a termos tratamentos mais eficazes, confortáveis, evitando internações e cirurgias em mais de 80% dos casos e, quando elas são necessárias, o processo é muito menos invasivo, com menos dor, menos sofrimento e rápida recuperação e retorno às atividades habituais!
Vasos da face e do tronco: o processo de envelhecimento, com afinamento da pele, perda de tecido de sustentação do rosto e a frequente exposição solar comumente levam ao aparecimento de vasinhos (e até mesmo veias mais calibrosas) no rosto e no tronco, que causam um incômodo estético importante. Poucas pessoas sabem que é possível tratar esses vasos de modo não invasivo, com o uso exclusivo de laser transdérmico, sem cortes, sem injeções, no próprio consultório, em poucas visitas.

Lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, geralmente em pernas e braços, associada a dor, sensibilidade ao toque, inchaço e facilidade para hematomas. Afeta quase exclusivamente mulheres e, muitas vezes, é confundida com obesidade ou linfedema, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados.

Como cirurgiã vascular, atuo no diagnóstico preciso do lipedema e no acompanhamento individualizado de cada paciente, integrando estratégias clínicas que visam aliviar sintomas, melhorar a circulação, reduzir o desconforto e preservar a qualidade de vida. O cuidado é sempre personalizado, baseado em ciência, escuta atenta e foco no bem-estar global da paciente.

A obstrução do fluxo de sangue dentro de uma veia por um trombo (sangue na forma sólida) caracteriza a trombose venosa. Em geral esse problema acontece por alteração na consistência do sangue, na velocidade de fluxo dele dentro do vaso ou por lesões diretas na parede da veia. Tais situações podem ser encontradas em pacientes acamados, imobilizados, submetidos a cirurgias longas, pacientes que receberam medicações endovenosas, que sofreram algum traumatismo nos membros, que tiveram infecções graves, doenças do sangue, pacientes com câncer ou em tratamentos oncológicos, gestantes ou pacientes em uso de hormônios, etc. A trombose venosa pode causar inchaços, normalmente acometendo apenas um dos membros, de forma súbita, com piora progressiva, sem melhora com o repouso, acompanhado de dor no membro, podendo ter surgimento de vasos mais evidentes sob a pele e alterações na cor do membro, que pode ficar mais avermelhado ou azulado. No entanto, alguns pacientes não apresentam nenhum sintoma desses e a suspeita deve ser feita quando existe a presença de algum dos fatores de risco já mencionados anteriormente. Seu diagnóstico e tratamento são importantes pois, na fase aguda, existe um risco do trombo/coágulo se desprender da veia e migrar para os vasos do pulmão, causando a temida embolia pulmonar, que pode ser fatal. Na fase tardia, a trombose pode evoluir com um quadro chamado Síndrome pós-trombótica, com aparecimento de inchaço, varizes, escurecimento da pele da perna, alterações na espessura da pele e até surgimento de úlceras de difícil cicatrização. O tratamento, na maioria das vezes, é feito em casa com medicações orais denominadas anticoagulantes a fim de evitar o aumento dos coágulos e facilitar a estabilização dos mesmos. Além disso, o uso de meias elásticas de compressão, orientações quanto a correta execução de atividades físicas e cuidados com a pele são fundamentais para uma boa evolução e qualidade de vida!

As causas de dores nas pernas são inúmeras e uma das mais frequentes é a doença venosa (Insuficiência Venosa Crônica). A compreensão dos hábitos de vida de cada paciente, do seu histórico de saúde e comorbidades atuais, bem como um exame físico e ultrassonográfico com doppler detalhado permitem a diferenciação do diagnóstico e a proposta de tratamentos eficazes e possíveis de serem realizados no dia-a-dia de cada um.

Os equipamentos de realidade aumentada iluminam a área de interesse na pele com uma luz infravermelha inofensiva que, devido às suas características, é absorvida pelo sangue . Por causa dessa absorção, uma ”imagem” da posição do vaso pode ser representada na pele da área onde há a maior concentração de sangue (no caso, as veias). Essa representação facilita identificarmos veias nutridoras de vasinhos e telangiectasias, não visíveis a olho nu por estarem sob a pele e não identificadas ao ultrassom por serem muito superficiais e pequenas para serem definidas pela tecnologia ultrassonográfica.

A adequada visualização dessas veias nutridoras facilita a sua punção durante o tratamento, permitindo a identificação do vaso e acompanhamento em tempo real da injeção das substâncias esclerosantes em sua luz, levando a melhor precisão na punção, menor quantidade de punções e mais eficácia no tratamento. Permite, junto com a associação de exame físico adequado e utilização do ultrassom doppler, que todas as veias envolvidas no quadro apresentado por cada paciente sejam tratadas adequadamente.

Outra utilidade da realidade aumentada é facilitar a marcação das veias a serem retiradas nos procedimentos cirúrgicos de tratamento de varizes. Essa tecnologia permite que as incisões sejam feitas com exatidão, minimizando sangramentos, hematomas e cicatrizes, com recuperação mais rápida e excelentes resultados estéticos e funcionais da cirurgia.