Categoria: Cirurgia Vascular | Autora: Dra. Nelise Marvulo – CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071 | Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular
A Copa do Mundo 2026 já começou — e com ela, vieram as maratonas de jogos, as madrugadas acordadas, o sofá por horas a fio, as comemorações com churrasco, cerveja e salgadinhos. Com jogos em diferentes fusos horários entre Estados Unidos, México e Canadá, muitos brasileiros vão acompanhar partidas de madrugada, alterando completamente a rotina de sono, alimentação e movimento durante semanas.
O que parece só diversão tem, sim, relação direta com a sua saúde vascular. Longas horas sentado no sofá, noites maldormidas, exagero no sal e no álcool e a quebra da rotina de exercícios são fatores que, juntos, podem sobrecarregar a circulação das pernas — especialmente em quem já tem varizes, insuficiência venosa ou outros fatores de risco vascular.
Neste artigo, a Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular e ecografista vascular com consultório nos Jardins, em São Paulo, explica a relação entre a rotina de Copa do Mundo e a saúde das suas veias — e como aproveitar cada jogo sem prejudicar a circulação.
Índice
Por que a rotina de Copa do Mundo afeta a circulação?
[Horas sentado assistindo aos jogos: o que isso faz com suas veias?](#horas-sentado]Madrugadas acordadas e o impacto na circulação
Churrasco, sal e cerveja: o trio que retém líquido
Quem tem mais risco durante esse período?
Como assistir aos jogos sem prejudicar as pernas
Viagens para acompanhar a Copa: cuidados vasculares
Sinais de alerta que não devem ser ignorados durante a Copa
Aproveite a Copa para cuidar da sua saúde vascular
Perguntas frequentes
Por que a rotina de Copa do Mundo afeta a circulação? {#por-que-afeta-a-circulacao}
A Copa do Mundo 2026 está sendo disputada em três países — Estados Unidos, México e Canadá — com jogos em diferentes fusos horários. Isso significa partidas em horários variados ao longo do dia e da madrugada no Brasil, criando uma rotina atípica que se estende por semanas.
Do ponto de vista vascular, o problema não é assistir futebol — é o conjunto de hábitos que costuma acompanhar essa rotina:
Longas horas sentado, muitas vezes em posições pouco ergonômicas (sofá baixo, pernas cruzadas, poltrona reclinada)
Privação de sono pelos jogos de madrugada, que afeta a regulação hormonal e a inflamação sistêmica
Alimentação rica em sódio — churrasco, salgadinhos, embutidos — que favorece a retenção de líquido
Consumo aumentado de álcool, que desidrata e dilata os vasos
Redução da atividade física — a rotina de exercícios costuma ser a primeira coisa sacrificada
Aglomerações e viagens para acompanhar jogos com amigos, em bares ou em outras cidades
Cada um desses fatores, isoladamente, já tem impacto na circulação. Combinados ao longo de semanas de torneio, o efeito pode ser sentido por quem já tem predisposição a problemas vasculares — e até por quem nunca teve sintomas antes.
Horas sentado assistindo aos jogos: o que isso faz com suas veias? {#horas-sentado}
Ficar sentado por longos períodos é um dos principais fatores de risco para o agravamento da insuficiência venosa — e a Copa do Mundo, com jogos em sequência e prorrogações que estendem ainda mais o tempo no sofá, é um cenário propício para isso.
O que acontece fisiologicamente:
A musculatura da panturrilha funciona como uma bomba que empurra o sangue das pernas de volta ao coração. Quando ficamos sentados por horas, essa bomba para de funcionar. O sangue se acumula nas veias das pernas, a pressão venosa aumenta e o líquido começa a extravasar para os tecidos — causando inchaço, peso e, em quem já tem varizes, piora dos sintomas.
Jogos em sequência = imobilidade prolongada
Em dias de jogos duplos ou triplos — comuns na fase de grupos — é fácil passar 4, 5 ou mais horas sentado sem perceber. Some a isso prorrogações e disputas de pênaltis, e o tempo de imobilidade pode ultrapassar facilmente o que se recomendaria para uma única sessão contínua sem pausa.
Postura no sofá: um problema à parte
Sofás muito baixos, pernas cruzadas ou dobradas sob o corpo e poltrons reclináveis que comprimem a parte de trás do joelho (onde passa a veia poplítea) pioram ainda mais o retorno venoso — um efeito parecido com o que ocorre em voos longos.
Madrugadas acordadas e o impacto na circulação {#madrugadas-acordadas}
Jogos de madrugada — que vão acontecer com frequência nesta Copa, especialmente os disputados na costa oeste dos Estados Unidos e do Canadá — trazem outra camada de impacto na saúde vascular: a privação de sono.
Como o sono afeta a circulação:
A privação de sono aumenta marcadores inflamatórios no organismo, que têm relação direta com a saúde da parede vascular
Noites maldormidas elevam a pressão arterial e a frequência cardíaca de forma sustentada — sobrecarregando o sistema circulatório como um todo
O sono é o período em que o corpo realiza boa parte da reparação tecidual, incluindo dos vasos sanguíneos
A fadiga acumulada reduz a disposição para caminhar e se exercitar no dia seguinte — perpetuando o ciclo de sedentarismo
Cochilos no sofá: um padrão de risco
É comum, em jogos de madrugada, cochilar no sofá ou na poltrona em posições que comprimem as pernas por horas — sem a qualidade de um sono real na cama, mas com o mesmo efeito de imobilidade prolongada. Essa combinação (sono fragmentado + imobilidade) é especialmente desfavorável para a circulação.
Churrasco, sal e cerveja: o trio que retém líquido {#churrasco-sal-cerveja}
A Copa do Mundo é sinônimo de confraternização — e isso geralmente envolve churrasco, salgadinhos, embutidos e bebida alcoólica. Esse padrão alimentar, mantido ao longo de semanas, tem efeito direto sobre o inchaço e a sensação de peso nas pernas.
Sódio em excesso
Churrasco com carnes processadas, queijos, salgadinhos industrializados e molhos prontos são extremamente ricos em sódio. O excesso de sal favorece a retenção de líquido nos tecidos — o que se soma ao inchaço já causado pela imobilidade.
Álcool: vasodilatador e diurético
O álcool dilata os vasos sanguíneos perifericamente — o que pode intensificar a sensação de pernas quentes e inchadas, especialmente em quem já tem varizes. Ao mesmo tempo, tem efeito diurético, contribuindo para a desidratação — que aumenta a viscosidade do sangue e o risco de formação de coágulos.
Desidratação silenciosa
Entre cerveja, refrigerante e a falta de água durante os jogos, é comum que a hidratação adequada fique em segundo plano durante a Copa — um problema sutil, mas com impacto real na fluidez do sangue e na saúde vascular.
Quem tem mais risco durante esse período? {#quem-tem-mais-risco}
A rotina de Copa do Mundo afeta a todos, mas alguns grupos merecem atenção redobrada:
Pessoas com varizes ou insuficiência venosa já diagnosticada — a imobilidade prolongada agrava diretamente os sintomas
Quem tem histórico de trombose venosa profunda — o sedentarismo é um fator de risco real para recorrência
Gestantes — já têm maior pressão venosa nas pernas, agravada pelo sedentarismo
Pessoas com lipedema ou linfedema — o inchaço e a inflamação tendem a piorar com a imobilidade e o excesso de sódio
Idosos — circulação naturalmente mais lenta, somada a hábitos sedentários, aumenta o risco de eventos vasculares
Pessoas com obesidade — a pressão sobre o sistema venoso já é maior, e o padrão alimentar da Copa tende a agravar o quadro
Quem vai viajar para acompanhar jogos — combinação de longas viagens (avião, ônibus, carro) com o próprio sedentarismo da torcida
Como assistir aos jogos sem prejudicar as pernas {#como-assistir-sem-prejudicar}
A boa notícia: dá para curtir a Copa do Mundo inteira sem comprometer a saúde vascular. Basta incorporar alguns cuidados simples à rotina de torcedor:
Durante os jogos
Levante-se nos intervalos
Aproveite o intervalo entre os tempos, as paradas técnicas e os intervalos comerciais para caminhar pela casa, subir e descer escadas ou simplesmente ficar em pé por alguns minutos.
Movimente os pés enquanto assiste
Mesmo sentado, é possível ativar a bomba venosa: flexione e estenda os pés, gire os tornozelos, contraia a panturrilha periodicamente. Pequenos movimentos fazem diferença ao longo de horas de jogo.
Evite cruzar as pernas
Cruzar as pernas por longos períodos comprime as veias e prejudica o retorno venoso. Mantenha os pés apoiados no chão sempre que possível.
Eleve as pernas durante os jogos
Se estiver no sofá, use um apoio para manter as pernas ligeiramente elevadas — facilita o retorno venoso, especialmente em jogos longos com prorrogação.
Use meia de compressão em jogos longos ou maratonas de partidas
Para quem já tem varizes, histórico de trombose ou vai passar o dia inteiro acompanhando jogos consecutivos, a meia de compressão graduada é uma aliada real — reduz o inchaço e protege a circulação durante longos períodos sentado.
Na alimentação
Modere no sal
Aproveite o churrasco, mas equilibre com saladas, grelhados sem excesso de sal e hidratação abundante. Reduza embutidos e salgadinhos industrializados quando possível.
Alterne álcool com água
Para cada bebida alcoólica, beba um copo de água. Isso reduz a desidratação e ajuda o organismo a processar o álcool com menos impacto.
Não abandone frutas e vegetais
Mesmo em dias de confraternização, inclua alimentos ricos em flavonoides (frutas vermelhas, cítricos) que protegem a parede vascular.
No sono
Tente recuperar o sono perdido
Se assistiu a um jogo de madrugada, busque compensar com uma soneca durante o dia ou dormir mais cedo na noite seguinte. A privação crônica de sono ao longo de toda a Copa é o que realmente preocupa.
Evite cochilar sentado por longos períodos
Se for cochilar durante os jogos, prefira se deitar adequadamente, evitando posições que comprimem as pernas por horas.
Na rotina geral
Não abandone a caminhada
Mesmo nos dias de jogo, reserve 20 a 30 minutos para caminhar. É a medida isolada mais eficaz para proteger a circulação das pernas durante esse período.
Aproveite os dias sem jogo para compensar
Use os intervalos entre as partidas para retomar a rotina de exercícios e equilibrar o sono.
Viagens para acompanhar a Copa: cuidados vasculares {#viagens-para-a-copa}
Muitos brasileiros vão viajar — seja para os Estados Unidos, México e Canadá acompanhar a Copa de perto, seja para reunir a torcida em outras cidades no Brasil. Viagens longas, especialmente de avião, somam-se aos fatores de risco já discutidos neste artigo.
Cuidados essenciais para quem vai viajar:
Movimente-se a cada 1 a 2 horas durante o voo
Use meia de compressão durante viagens longas
Mantenha-se hidratado, evitando excesso de álcool durante o trajeto
Para quem tem fatores de risco para trombose, uma consulta vascular pré-viagem é altamente recomendada
Para mais detalhes sobre prevenção de trombose em viagens longas, a Dra. Nelise Marvulo aborda o tema em profundidade em outro artigo do blog — especialmente relevante para quem vai cruzar continentes para acompanhar o Mundial.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados durante a Copa {#sinais-de-alerta}
Mesmo com a empolgação do Mundial, fique atento ao que o seu corpo sinaliza. Procure avaliação médica se notar:
Inchaço súbito e assimétrico em uma das pernas — mais inchada que a outra
Dor na panturrilha ou na coxa sem causa aparente
Vermelhidão ou calor ao longo de uma veia
Piora importante de varizes já existentes, com dor e inchaço maior que o habitual
Falta de ar ou dor no peito — procure atendimento de urgência imediatamente, pode ser sinal de embolia pulmonar
Esses sintomas não devem esperar o fim da Copa para serem investigados. A trombose venosa profunda é uma condição que pode evoluir rapidamente para complicações graves.
Aproveite a Copa para Cuidar da Sua Saúde Vascular {#aproveite-para-cuidar}
A Copa do Mundo é um momento de celebração — e não precisa ser sacrificada em nome da saúde vascular, nem o contrário. Pequenos ajustes na rotina de torcedor protegem suas pernas sem tirar a graça dos jogos.
Para quem já tem varizes, histórico de trombose ou outros fatores de risco vascular, esse também pode ser um bom momento para agendar uma avaliação vascular preventiva — especialmente antes de viagens para acompanhar o torneio ou antes de maratonas de jogos que envolvem muitas horas de imobilidade.
A Dra. Nelise Marvulo é cirurgiã vascular e ecografista vascular, com atendimento individualizado no Jardim Paulista (Jardins), em São Paulo. Realiza check-up vascular completo com eco Doppler integrado à consulta e acompanha pacientes com varizes, trombose, insuficiência venosa, lipedema e linfedema. Atende também por telemedicina para todo o Brasil e Exterior.
A Dra. Nelise não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde do paciente.
📍 Jardim Paulista (Jardins) – São Paulo, SP
💻 Telemedicina disponível para todo o Brasil e Exterior
Perguntas Frequentes {#perguntas-frequentes}
Assistir muitos jogos seguidos pode causar trombose?
Assistir aos jogos em si não causa trombose, mas a imobilidade prolongada associada — especialmente em quem já tem fatores de risco — pode contribuir para a formação de coágulos. O risco é maior em maratonas de jogos com várias horas seguidas sentado, sem pausas para caminhar.
Cerveja faz mal para quem tem varizes?
O consumo moderado de álcool não é proibido para quem tem varizes, mas o excesso pode intensificar a sensação de pernas quentes e inchadas, pelo efeito vasodilatador e diurético do álcool. Equilíbrio e hidratação com água são as palavras-chave durante a Copa.
Posso usar meia de compressão só para assistir aos jogos?
Sim — e é uma boa estratégia para quem vai passar muitas horas sentado em dias de jogos duplos ou triplos, especialmente para quem já tem varizes, histórico de trombose ou outros fatores de risco. A meia pode ser usada apenas durante o período de maior imobilidade.
Jogos de madrugada prejudicam a circulação mesmo sem beber ou comer mal?
A privação de sono em si já tem impacto na saúde vascular, por aumentar marcadores inflamatórios e elevar a pressão arterial de forma sustentada. Tente compensar o sono perdido nos dias seguintes para minimizar esse efeito ao longo de toda a Copa.
Quando devo procurar um médico durante a Copa?
Se notar inchaço súbito e assimétrico em uma perna, dor incomum na panturrilha, vermelhidão ao longo de uma veia ou piora importante das varizes, procure avaliação vascular o quanto antes — não espere o torneio terminar.
Dra. Nelise Marvulo – Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular
CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071
As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser sempre individualizados por um especialista após avaliação clínica.