Categoria: Cirurgia Vascular | Autora: Dra. Nelise Marvulo – CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071 | Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular
Julho chegou, o frio bateu em São Paulo — e as suas varizes parecem ter decidido aproveitar a oportunidade para doer mais, pesar mais e incomodar mais do que o habitual. Você não está imaginando: essa piora sazonal é real, tem explicação fisiológica e acontece com uma parcela significativa de quem tem insuficiência venosa. O frio não é o único vilão — e entender a combinação de fatores que atua no inverno é o primeiro passo para enfrentar a estação sem sofrimento.
Neste artigo, a Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular e ecografista vascular com consultório nos Jardins, em São Paulo, explica por que as varizes se comportam diferente no inverno, qual é o papel do sedentarismo sazonal nessa piora e o que fazer para proteger a circulação nos meses mais frios do ano.
Índice
- Varizes doem mais no inverno? É real ou impressão?
- O papel do frio na circulação venosa
- Sedentarismo de inverno: o vilão silencioso
- A combinação mais perigosa: sofá + frio + comida salgada
- Por que as varizes podem piorar visualmente no inverno?
- O que fazer para aliviar as varizes no inverno
- Inverno é uma boa época para tratar varizes?
- Quando a piora no inverno indica algo mais grave?
- Perguntas frequentes
Varizes doem mais no inverno? É real ou impressão?
É real — e há mecanismos fisiológicos que explicam essa piora sazonal. Muitas pessoas que convivem com varizes e insuficiência venosa crônica relatam que no inverno os sintomas ficam mais intensos: dor ao longo das veias, sensação de peso ao final do dia, cãibras noturnas mais frequentes e, em alguns casos, piora do inchaço nos tornozelos.
O interessante é que o frio em si não é o principal responsável — é a combinação de fatores que o inverno traz consigo que cria o cenário perfeito para a piora da insuficiência venosa: mudanças na circulação periférica provocadas pelas variações de temperatura, redução expressiva da atividade física, alimentação mais calórica e rica em sódio, menor ingestão de água e mais horas passadas no sofá ou na cama.
Cada um desses fatores, isoladamente, já teria impacto na circulação venosa. Juntos e sustentados ao longo de semanas, criam uma carga significativa para um sistema venoso que já não funciona com plena eficiência.
O papel do frio na circulação venosa
Para entender como o frio afeta as varizes, é preciso compreender como o sistema vascular responde às variações de temperatura:
Vasoconstrição pelo frio Quando a temperatura cai, o organismo ativa um mecanismo de proteção chamado vasoconstrição periférica: os vasos sanguíneos da pele e dos membros se contraem para redirecionar o fluxo para os órgãos vitais e conservar calor. Isso é eficiente do ponto de vista térmico — mas cria um efeito colateral relevante para quem tem varizes.
O ciclo contração-dilatação O problema não é a vasoconstrição em si — é o ciclo que ocorre ao longo do dia. Quando a pessoa sai do ambiente aquecido para o frio externo, os vasos contraem. Quando entra em casa novamente ou liga o aquecedor, os vasos dilatam. Quando vai ao banheiro ou abre a janela, contraem de novo. Esse ciclo repetido de contração e dilatação sobrecarrega as paredes venosas — especialmente as veias varicosas, que já têm a musculatura enfraquecida e as válvulas comprometidas.
Aumento da viscosidade sanguínea O frio aumenta discretamente a viscosidade do sangue — tornando-o um pouco mais espesso e de fluxo mais lento. Para veias saudáveis, essa mudança é imperceptível. Para veias com refluxo e estase, ela agrava o acúmulo de sangue.
A dor que o frio provoca diretamente Veias inflamadas — como as varicosas em fase ativa de insuficiência — têm receptores de dor mais sensíveis. O frio pode estimular diretamente esses receptores, intensificando a percepção dolorosa ao longo das varizes. É o mesmo mecanismo que faz uma lesão articular doer mais em dias frios.
Sedentarismo de inverno: o vilão silencioso
Se o frio tem papel coadjuvante, o sedentarismo de inverno é o protagonista da piora das varizes nos meses mais frios.
A musculatura da panturrilha funciona como uma bomba venosa: cada contração muscular durante a caminhada espreme as veias profundas das pernas e empurra o sangue em direção ao coração. É o mecanismo mais eficiente de retorno venoso nos membros inferiores — e ele para de funcionar quando paramos de nos mover.
No inverno, a queda da atividade física é expressiva:
- A caminhada matinal ou noturna vai para o arquivo morto quando o frio chega
- A academia perde frequentadores regulares
- Finais de semana que seriam de atividade ao ar livre viram maratonas de sofá
- O inverno de 2026, com a Copa do Mundo chegando ao fim, criou semanas inteiras de jogos assistidos em posição estática
Para quem tem insuficiência venosa, cada dia menos ativo é um dia em que a bomba venosa da panturrilha trabalhou menos — e o sangue ficou mais acumulado nas veias das pernas. O resultado direto: mais dor, mais peso, mais inchaço.
A combinação mais perigosa: sofá + frio + comida salgada
O inverno tem um efeito em cascata sobre os hábitos que afetam a circulação venosa. A piora das varizes nessa época raramente tem uma causa única — é a soma de:
Sofá por horas Ficar sentado em posição estática por longos períodos — especialmente em sofás baixos, com as pernas dobradas ou cruzadas — é uma das piores posições para a circulação venosa. A borda do sofá pressiona a parte posterior das pernas, a bomba da panturrilha fica inativa e o sangue se acumula progressivamente.
Alimentação mais rica em sódio O inverno convida para fondues, caldos, massas, queijos, embutidos — alimentos geralmente ricos em sódio. O excesso de sal favorece a retenção hídrica, que se soma ao inchaço já causado pela estase venosa. O resultado é aquela sensação de tornozelos “estourando” ao final do dia.
Menos água No frio, a sensação de sede diminui — e a ingestão hídrica cai junto. Mas o corpo continua perdendo líquido. A desidratação relativa aumenta a viscosidade do sangue, dificultando ainda mais o retorno venoso.
Roupas inadequadas Calças jeans muito apertadas na virilha, botas de cano rígido que comprimem a panturrilha e meias com elástico demarcado podem prejudicar o retorno venoso — exatamente o oposto do que a meia de compressão terapêutica faz.
Banhos muito quentes O banho quente prolongado do inverno dilata os vasos superficiais, piorando temporariamente o inchaço e a sensação de peso nas pernas — especialmente em quem tem insuficiência venosa.
Por que as varizes podem piorar visualmente no inverno?
Além dos sintomas, algumas pessoas notam que as varizes ficam mais evidentes — mais salientes, mais azuladas ou mais extensas — no inverno. Isso tem explicação:
Vasodilatação em ambientes aquecidos Dentro de casa aquecida, as veias superficiais se dilatam para liberar calor e regular a temperatura corporal. Veias varicosas, que já estão dilatadas além do normal, ficam ainda mais evidentes quando há vasodilatação adicional por calor.
Aumento do volume venoso pelo sedentarismo Com a bomba da panturrilha menos ativa, mais sangue fica represado nas veias das pernas. Esse aumento de volume pode fazer com que varizes que estavam “compensadas” se tornem visíveis ou que as já visíveis fiquem mais proeminentes.
Progressão real da insuficiência venosa Em alguns casos — especialmente em quem abandona o uso da meia de compressão no inverno ou reduz drasticamente a atividade física — o inverno pode de fato representar um período de progressão real da doença. O eco Doppler de controle, quando realizado após o inverno, pode mostrar refluxo em novas veias ou aumento do calibre das já comprometidas.
O que fazer para aliviar as varizes no inverno
A boa notícia: a maioria dos fatores que pioram as varizes no inverno são modificáveis. Pequenas mudanças de hábito fazem diferença real:
Continue se movendo — especialmente a panturrilha
Mesmo sem sair de casa, é possível manter a bomba venosa ativa:
- Flexão e extensão dos pés(como pisar no acelerador e no freio) — 20 repetições, várias vezes ao dia
- Elevação dos calcanhares(ficar na ponta dos pés e voltar) — ativa intensamente o gastrocnêmio
- Caminhada dentro de casa— mesmo 10 a 15 minutos entre os episódios da série já fazem diferença
- Bicicleta estacionária— excelente para dias de frio intenso
- Subir escadasem vez de usar o elevador
Use a meia de compressão — especialmente no inverno
Muitas pessoas usam a meia no verão, quando o calor piora o inchaço, mas abandonam no inverno por não sentir tanto desconforto. Erro: o sedentarismo do inverno é a situação que mais justifica o uso contínuo da meia de compressão. Use todos os dias, do momento em que acorda até a hora de dormir.
Cuide da postura no sofá
Se vai assistir TV ou trabalhar no sofá por horas:
- Eleve as pernas — use um apoio ou travesseiro para manter os pés acima do nível do quadril
- Não cruze as pernas
- Faça pausas a cada 45 a 60 minutos para caminhar pela casa
Hidrate-se mesmo sem sentir sede
No inverno, programe lembretes para beber água. Chás sem açúcar e caldos caseiros leves também contribuem para a hidratação. Evite excesso de álcool — tem efeito diurético e vasodilatador que piora o inchaço.
Reduza o sódio nos pratos de inverno
É possível curtir a comida de inverno com menos sal. Reduza embutidos, queijos processados e temperos prontos. Inclua mais ervas frescas para temperar sem precisar de sódio.
Eleve as pernas antes de dormir
Deitar de 15 a 20 minutos com as pernas elevadas acima do nível do coração antes de dormir facilita o retorno venoso e alivia a sensação de peso acumulada ao longo do dia.
Finalize o banho com água fria nas pernas
O choque térmico — água fria nas pernas ao final do banho quente — estimula a vasoconstrição venosa e melhora o tônus das veias. Não precisa ser gelo: água em temperatura ambiente já é suficiente.
Inverno é uma boa época para tratar varizes?
Sim — e muitas vezes é a melhor época.
Existe um mito de que varizes só devem ser tratadas no inverno porque no verão não dá para usar meia ou porque o sol interfere. Na verdade, o tratamento pode ser feito durante todo o ano — mas o inverno tem vantagens reais:
Facilidade com a meia de compressão Após escleroterapia ou laser endovenoso, é obrigatório o uso de meia de compressão por dias a semanas. No inverno, usar meia sob calças é mais confortável, mais discreto e mais fácil de tolerar do que no calor de dezembro.
Menos exposição solar Após a escleroterapia, evitar sol nas áreas tratadas por pelo menos 30 dias reduz o risco de manchas (hiperpigmentação). No inverno, com pernas cobertas e menos exposição solar, esse cuidado é naturalmente mais fácil de manter.
Resultado pronto para o verão Quem trata varizes e vasinhos em julho e agosto chega ao verão — quando as pernas aparecem mais — com as veias já tratadas, as manchas resolvidas e a circulação melhorada.
Menor inchaço pré-procedimento Com o frio, as pernas chegam ao consultório com menos inchaço do que no verão — o que facilita a visualização das veias e a execução do procedimento.
A Dra. Nelise Marvulo realiza escleroterapia, laser transdérmico e laser endovenoso durante todo o ano, incluindo o inverno — com eco Doppler integrado à consulta para diagnóstico preciso e planejamento individualizado.
Quando a piora no inverno indica algo mais grave?
Nem toda piora dos sintomas no inverno é apenas sazonal. Alguns sinais merecem avaliação médica com urgência:
Procure o cirurgião vascular se:
- Uma das pernas ficou muito mais inchada que a outra de forma súbita — suspeita de trombose
- Apareceu um cordão endurecido e dolorosoao longo de uma variz — suspeita de tromboflebite
- O inchaço não melhoracom repouso e elevação das pernas
- Surgiram manchas escurecidasnovos na pele dos tornozelos ou uma ferida que não cicatriza
- A dor nas varizes está muito mais intensa do que o habitual, sem relação com o nível de atividade
Procure atendimento de urgência se:
- Surgiram falta de ar, dor no peito ou tosse junto com dor e inchaço na perna — suspeita de embolia pulmonar
Perguntas Frequentes
As varizes somem quando o inverno passa?
Os sintomas tendem a melhorar com o retorno das temperaturas mais altas e a retomada da atividade física. Mas as varizes em si não somem com as estações — são uma doença estrutural progressiva que precisa de tratamento específico para ser eliminada.
Posso usar bolsa de água quente nas pernas para aliviar a dor das varizes no inverno?
Não é recomendado. O calor localizado intenso dilata ainda mais as veias varicosas e pode piorar o inchaço e a dor. Se quiser calor, prefira temperatura morna e por pouco tempo. O frio moderado (compressas frias) tende a ser mais eficaz para aliviar a dor ao longo das veias.
Meia de compressão pode ser usada no frio sem problema?
Sim — e deveria ser usada especialmente no inverno. A meia de compressão pode ser vestida sob qualquer calça ou meia grossa, sem nenhum inconveniente. É um dos períodos em que mais faz sentido usar, dado o sedentarismo sazonal.
O frio pode causar trombose em quem tem varizes?
O frio em si não causa trombose diretamente. Mas a combinação de sedentarismo, desidratação e vasoconstrição que o inverno promove cria condições que favorecem a estase venosa — um dos fatores da Tríade de Virchow para formação de coágulos. Pacientes com múltiplos fatores de risco devem redobrar os cuidados no inverno.
Devo parar de tomar anticoagulante no inverno por causa do frio?
Nunca interrompa o anticoagulante por conta própria — em nenhuma estação do ano. Se tiver dúvidas sobre o tratamento, entre em contato com o cirurgião vascular antes de qualquer modificação.
O plano de saúde cobre o tratamento de varizes no inverno?
O tratamento de varizes com insuficiência venosa documentada geralmente tem cobertura pelos planos de saúde independentemente da época do ano. A Dra. Nelise Marvulo não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde do paciente.
Inverno Não Precisa Ser Sinônimo de Sofrer com Varizes
Frio, sofá e comida gostosa fazem parte do inverno — e é possível aproveitar tudo isso sem abrir mão do cuidado com a circulação. Pequenas mudanças de hábito, a meia de compressão no lugar certo e o acompanhamento vascular regular fazem toda a diferença.
E se o inverno revelou que suas varizes precisam de tratamento, não adie: essa é justamente a melhor época para começar.
A Dra. Nelise Marvulo é cirurgiã vascular e ecografista vascular, com atendimento individualizado no Jardim Paulista (Jardins), em São Paulo. Realiza avaliação completa com eco Doppler integrado à consulta e trata varizes, vasinhos, insuficiência venosa, trombose e todas as condições vasculares — com agenda aberta durante todo o inverno. Atende também por telemedicina para todo o Brasil e Exterior.
A Dra. Nelise não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde do paciente.
📍 Jardim Paulista (Jardins) – São Paulo, SP 💻 Telemedicina disponível para todo o Brasil e Exterior
Dra. Nelise Marvulo – Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071
As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser sempre individualizados por um especialista após avaliação clínica.