Categoria: Lipedema | Autora: Dra. Nelise Marvulo – CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071 | Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular


Se você tem lipedema, já sabe — e provavelmente já sofreu muito com isso — que dieta comum não funciona para as pernas. A gordura do lipedema não responde à restrição calórica da mesma forma que a gordura convencional. Mas isso não significa que a alimentação seja irrelevante no manejo da doença. Pelo contrário: a dieta tem papel fundamental no controle da inflamação, que é um dos mecanismos centrais do lipedema — e que determina em boa parte a intensidade dos sintomas, a velocidade de progressão e a resposta aos tratamentos.

A questão não é “comer pouco para emagrecer as pernas”. A questão é comer de um jeito que reduza a inflamação sistêmica, proteja os vasos e melhore o funcionamento do sistema linfático. Essa distinção muda tudo — inclusive a relação da mulher com o próprio corpo e com a comida.

Neste artigo, a Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular especialista em lipedema com consultório nos Jardins, em São Paulo, explica o papel da alimentação no manejo do lipedema, quais alimentos ajudam, quais pioram e como montar uma estratégia alimentar que realmente funcione.


Índice

  • Por que a alimentação importa no lipedema?
  • O lipedema é uma doença inflamatória?
  • O que a dieta pode — e não pode — fazer no lipedema?
  • Alimentos anti-inflamatórios que ajudam no lipedema
  • Alimentos que pioram o lipedema e devem ser reduzidos
  • A dieta RAD para lipedema: o que é e como funciona?
  • Low carb e lipedema: faz sentido?
  • Glúten, laticínios e lipedema: precisam ser cortados?
  • Hidratação e lipedema: água também é estratégia
  • Como montar um plano alimentar para lipedema?
  • Perguntas frequentes

Por que a alimentação importa no lipedema? {#por-que-a-alimentacao-importa}

O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo — mas não é apenas um “problema de gordura”. Nos tecidos afetados pelo lipedema, existe um estado de inflamação crônica de baixo grau: os adipócitos (células de gordura) são maiores que o normal, estão cercados por células inflamatórias (macrófagos), há maior produção de citocinas pró-inflamatórias e o microambiente local é progressivamente fibrótico.

Essa inflamação crônica é responsável por boa parte dos sintomas que as pacientes sentem:

  • dor ao toque e a hipersensibilidade das pernas
  • Os hematomas fáceis pela fragilidade dos capilares
  • inchaço que piora ao longo do dia
  • progressão da doença de estágios mais leves para mais graves
  • resistência ao tratamento — tecidos muito inflamados respondem pior à drenagem e à compressão

A alimentação influencia diretamente esse estado inflamatório. Uma dieta pró-inflamatória — rica em açúcar, ultraprocessados, gorduras trans e sódio — alimenta esse ciclo. Uma dieta anti-inflamatória pode interrompê-lo — não eliminando a gordura do lipedema, mas reduzindo a inflamação ao redor dela, aliviando os sintomas e possivelmente freando a progressão.


O lipedema é uma doença inflamatória? {#e-uma-doenca-inflamatoria}

Sim — e essa é uma das perspectivas mais recentes e relevantes sobre a fisiopatologia do lipedema.

Pesquisas mostram que o tecido adiposo nas regiões afetadas pelo lipedema apresenta:

  • Infiltração por macrófagos — células do sistema imune que, quando ativadas cronicamente, mantêm um estado de inflamação local
  • Níveis elevados de citocinas inflamatórias como IL-6, TNF-alfa e proteína C reativa no tecido local
  • Estresse oxidativo aumentado nos adipócitos
  • Angiogênese desorganizada — formação de novos vasos sanguíneos de forma irregular, que contribui para a fragilidade capilar e os hematomas
  • Fibrose progressiva — deposição de colágeno ao redor dos adipócitos que, ao longo do tempo, endurece o tecido e dificulta a drenagem linfática

Esse perfil inflamatório explica por que o lipedema dói, progride e responde mal às abordagens convencionais de emagrecimento — e também por que estratégias anti-inflamatórias têm potencial real de modificar o curso da doença.


O que a dieta pode — e não pode — fazer no lipedema? {#o-que-a-dieta-pode-fazer}

Antes de entrar nas recomendações, é fundamental ser honesto sobre o que a alimentação pode e não pode fazer no lipedema:

O que a dieta PODE fazer:

  • Reduzir a inflamação sistêmica e local, aliviando a dor e o inchaço
  • Contribuir para o controle do peso corporal geral — o ganho de peso piora o lipedema
  • Melhorar a resposta ao tratamento conservador (drenagem, compressão)
  • Reduzir a retenção hídrica associada ao excesso de sódio
  • Proteger a saúde cardiovascular e metabólica — frequentemente comprometida em pacientes com lipedema
  • Potencialmente frear a progressão da doença ao reduzir o estímulo inflamatório

O que a dieta NÃO pode fazer:

  • Eliminar a gordura do lipedema nas regiões afetadas — essa gordura tem resistência metabólica à lipólise convencional
  • Curar o lipedema — não existe dieta curativa para a condição
  • Substituir o tratamento médico e a compressão terapêutica
  • Reverter estágios avançados da doença

Essa clareza é libertadora: não se trata de comer menos para emagrecer as pernas (o que não vai funcionar), mas de comer melhor para se sentir melhor, progredir menos e responder melhor ao tratamento.


Alimentos anti-inflamatórios que ajudam no lipedema {#alimentos-anti-inflamatorios}

Gorduras saudáveis — especialmente ômega-3

O ômega-3 é o nutriente com maior evidência de ação anti-inflamatória. Reduz citocinas pró-inflamatórias, protege a parede dos vasos e melhora a fluidez do sangue.

Fontes alimentares:

  • Peixes gordurosos de águas frias: salmão, sardinha, atum, cavalinha, arenque — idealmente 2 a 3 porções por semana
  • Linhaça e chia — ricas em ALA, precursor do ômega-3
  • Nozes — a oleaginosa com maior teor de ômega-3
  • Óleo de peixe como suplemento, quando a ingestão alimentar for insuficiente

Vegetais coloridos e ricos em antioxidantes

Os pigmentos que dão cor aos vegetais — carotenoides, antocianinas, flavonoides — são potentes antioxidantes que combatem o estresse oxidativo característico do lipedema.

Destaques:

  • Frutas vermelhas e roxas: mirtilo, amora, framboesa, uva roxa, açaí — ricas em antocianinas que têm ação específica sobre a parede dos capilares
  • Folhas verde-escuras: espinafre, couve, rúcula, agrião — ricos em magnésio e antioxidantes
  • Brócolis, couve-flor, repolho — crucíferas com ação desintoxicante e anti-inflamatória
  • Pimentão vermelho, tomate, cenoura, beterraba — carotenoides e betalaínas
  • Cúrcuma (açafrão-da-terra) — a curcumina é um dos anti-inflamatórios naturais mais estudados
  • Gengibre — ação anti-inflamatória e melhora da circulação

Proteínas de qualidade

Proteínas adequadas são essenciais para manutenção da massa muscular, que é fundamental para a bomba venolinfática das pernas. Também são necessárias para a síntese de colágeno vascular e para a função imunológica.

Melhores fontes para lipedema:

  • Peixes (especialmente os citados acima)
  • Ovos inteiros — ricos em colina, anti-inflamatória e protetora vascular
  • Leguminosas: feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha — proteína vegetal com fibras prebióticas
  • Frango e peru sem pele
  • Tofu e tempê — proteína vegetal fermentada, com benefício adicional para o microbioma

Gorduras monoinsaturadas

O azeite de oliva extravirgem é a gordura com maior evidência de ação anti-inflamatória entre os lipídeos. Rico em polifenóis e oleocantal — um composto com ação similar a anti-inflamatórios não esteroidais, porém sem os efeitos colaterais.

Use o azeite extravirgem a frio (em saladas, legumes cozidos, fios sobre pratos prontos) para preservar seus compostos bioativos. O aquecimento excessivo reduz os benefícios.

Alimentos ricos em flavonoides vasculares

Flavonoides como a rutina, a hesperidina e a diosmina — encontrados em alimentos específicos — têm ação protetora direta sobre a parede dos capilares, reduzindo a permeabilidade vascular e os hematomas, sintoma tão característico do lipedema.

Fontes:

  • Frutas cítricas (laranja, limão, tangerina) — especialmente a parte branca entre a casca e a polpa
  • Maçã com casca — rica em quercetina
  • Cebola — uma das maiores fontes de quercetina
  • Chá verde e chá preto — catequinas e teaflavinas
  • Cacau a 70% ou mais — flavonoides com ação cardiovascular e anti-inflamatória
  • Uva vermelha — resveratrol e procianidinas

Alimentos que pioram o lipedema e devem ser reduzidos {#alimentos-que-pioram}

Açúcar refinado e carboidratos de alto índice glicêmico

O consumo excessivo de açúcar e carboidratos refinados eleva a insulina — hormônio que estimula o crescimento e a proliferação dos adipócitos, incluindo os do lipedema. Além disso, picos glicêmicos recorrentes alimentam a inflamação sistêmica.

Reduzir ou evitar:

  • Açúcar branco, mascavo e mel em excesso
  • Refrigerantes, sucos industrializados e bebidas adoçadas
  • Pão branco, biscoitos, bolachas e massas refinadas
  • Bolos, doces e sobremesas processadas
  • Cereais matinais açucarados

Gorduras trans e óleos vegetais refinados em excesso

As gorduras trans (presentes em margarinas, biscoitos industrializados e salgadinhos) são diretamente pró-inflamatórias. Óleos vegetais ricos em ômega-6 — como soja, milho e girassol — quando consumidos em excesso e sem contrabalanço de ômega-3, também favorecem a inflamação.

Ultraprocessados

Alimentos ultraprocessados concentram o que há de pior para o lipedema: açúcar, gorduras ruins, sódio em excesso, aditivos artificiais e quase nenhum nutriente de qualidade. São pró-inflamatórios por múltiplos mecanismos e devem ser o alvo prioritário de redução.

Sódio em excesso

O excesso de sal (sódio) favorece a retenção hídrica, aumentando o edema já presente no lipedema. Reduzir o sal de adição, os embutidos (salame, presunto, linguiça), os enlatados e os temperos prontos industrializados é uma medida com impacto direto e rápido no inchaço.

Álcool

O álcool é simultaneamente vasodilatador (piora o inchaço), inflamatório (aumenta marcadores inflamatórios) e prejudicial ao fígado (que tem papel na regulação do metabolismo dos lipídeos). Em mulheres com lipedema, o consumo regular de álcool tende a piorar os sintomas — especialmente a sensação de pernas pesadas e o inchaço ao final do dia.


A dieta RAD para lipedema: o que é e como funciona? {#dieta-rad}

dieta RAD (sigla em inglês para Rare Adipose Disorders — Distúrbios Raros do Tecido Adiposo) foi desenvolvida especificamente para pacientes com lipedema e condições relacionadas. Foi criada pela nutricionista norte-americana Catherine Seo, que ela mesma tem lipedema.

Princípios da dieta RAD:

  • Foco em alimentos anti-inflamatórios e ricos em antioxidantes
  • Redução significativa de açúcar refinado e carboidratos de alto índice glicêmico
  • Ênfase em gorduras saudáveis (ômega-3, azeite extravirgem, abacate)
  • Proteínas de qualidade e de fácil digestão
  • Atenção especial a possíveis sensibilidades alimentares — glúten e laticínios são frequentemente reduzidos
  • Sem contagem calórica rígida — o foco é na qualidade dos alimentos, não na quantidade

Muitas pacientes relatam melhora significativa dos sintomas com a dieta RAD — especialmente redução da dor, do inchaço e dos hematomas. No entanto, as evidências científicas ainda são preliminares e baseadas principalmente em relatos e séries de casos. A dieta RAD não é um protocolo médico oficialmente estabelecido, mas seus princípios se alinham bem com o conhecimento atual sobre inflamação e lipedema.


Low carb e lipedema: faz sentido? {#low-carb-e-lipedema}

A abordagem low carb (baixo carboidrato) — especialmente a dieta cetogênica (muito baixo carboidrato) — tem ganhado atenção no contexto do lipedema, e por razões que fazem sentido fisiológico:

Por que o low carb pode ajudar no lipedema:

  • Reduz os níveis de insulina — que estimula a lipogênese e o crescimento dos adipócitos
  • Diminui a inflamação sistêmica — evidências mostram redução de marcadores inflamatórios com dietas low carb
  • Promove perda de peso corporal geral, reduzindo a carga sobre o sistema venolinfático
  • Pode reduzir a retenção hídrica associada aos carboidratos (cada grama de glicogênio armazena cerca de 3g de água)

O que as pacientes relatam: Muitas mulheres com lipedema reportam redução da dor, do inchaço e dos hematomas com abordagens low carb ou cetogênicas. A perda de volume nas regiões afetadas tende a ser modesta, mas o alívio dos sintomas pode ser expressivo.

Cuidados importantes:

  • A dieta cetogênica muito restritiva deve ser acompanhada por nutricionista — pode causar deficiências nutricionais, alterações de humor e problemas gastrointestinais se mal implementada
  • Não é a única abordagem possível — mulheres que não toleram restrição severa de carboidratos podem se beneficiar de uma abordagem de baixo índice glicêmico, igualmente eficaz para reduzir a insulina sem os desafios de uma dieta cetogênica
  • A evidência científica específica para lipedema ainda é limitada — os benefícios relatados têm base na fisiopatologia e em relatos de pacientes, mas estudos clínicos controlados são necessários

Glúten, laticínios e lipedema: precisam ser cortados? {#gluten-e-laticinios}

Essa é uma das perguntas mais frequentes em grupos de lipedema — e a resposta honesta é: depende de cada paciente.

Glúten: Não existe evidência científica de que o glúten cause ou agrave o lipedema em mulheres sem doença celíaca ou sensibilidade ao glúten não-celíaca. No entanto, um subgrupo de pacientes com lipedema relata melhora dos sintomas ao reduzir o glúten — possivelmente por:

  • Redução do consumo de carboidratos refinados (pão, massa, biscoito) que o acompanham
  • Efeito anti-inflamatório em pacientes com sensibilidade subclínica não diagnosticada
  • Melhora do microbioma intestinal

A orientação mais razoável: não é necessário cortar o glúten indiscriminadamente, mas reduzir os alimentos que costumam acompanhá-lo (pão branco, biscoito, massa refinada) é benéfico de qualquer forma.

Laticínios: Laticínios integrais, especialmente leite e queijos processados, são alimentos de índice insulinêmico elevado — ou seja, estimulam a produção de insulina mesmo sem grandes quantidades de açúcar. Para algumas pacientes com lipedema, a redução de laticínios traz melhora perceptível dos sintomas.

Novamente, não existe recomendação universal de corte — mas a experimentação orientada por nutricionista pode valer a pena para quem não observa melhora com as demais estratégias.


Hidratação e lipedema: água também é estratégia {#hidratacao}

A hidratação adequada é frequentemente subestimada no manejo do lipedema — mas tem impacto real:

Por que a hidratação importa:

  • Sangue bem hidratado é menos viscoso, facilitando o fluxo nos capilares e o transporte linfático
  • A drenagem linfática depende de um ambiente tecidual bem hidratado para funcionar adequadamente
  • A desidratação pode aumentar o edema paradoxalmente — o corpo retém mais líquido quando percebe baixa ingestão de água

Quanto beber: A recomendação geral é de 30 a 35 ml de água por kg de peso corporal ao dia — para uma mulher de 70 kg, cerca de 2,1 a 2,5 litros por dia.

Dicas práticas:

  • Distribua a ingestão ao longo do dia — não tente repor todo o volume de uma vez
  • Chás sem açúcar (verde, hibisco, cavalinha) contribuem para a hidratação e têm compostos com ação diurética suave e anti-inflamatória
  • Reduza bebidas que promovem desidratação: álcool, café em excesso, refrigerantes

Erros a evitar:

  • Restringir água com medo de “inchar mais” — o inchaço do lipedema não é causado por excesso de água, mas por disfunção linfática
  • Substituir água por sucos, mesmo os naturais — que adicionam açúcar à equação

Como montar um plano alimentar para lipedema? {#como-montar-plano}

A alimentação no lipedema não deve ser uma dieta de privação — deve ser uma estratégia de vida sustentável. Algumas diretrizes práticas para começar:

Priorize, não proíba Em vez de focar no que não pode comer, foque em aumentar a presença dos alimentos anti-inflamatórios. Quanto mais espaço eles ocupam no prato, menos sobra para os pró-inflamatórios.

Monte um prato colorido Metade do prato em legumes e verduras coloridos, um quarto em proteína de qualidade (peixe, ovos, leguminosas, frango), um quarto em carboidratos de baixo índice glicêmico (batata-doce, abóbora, quinoa, arroz integral). Regue com azeite extravirgem.

Inclua ômega-3 pelo menos 3 vezes por semana Salmão, sardinha, atum fresco, ovos enriquecidos com ômega-3. Se a ingestão for insuficiente, considere suplementação com orientação nutricional.

Reduza gradualmente os ultraprocessados Tentar eliminar tudo de uma vez costuma levar ao abandono. Substituições graduais são mais sustentáveis — troque o biscoito por uma fruta com oleaginosas, o refrigerante por água com limão.

Adapte ao seu contexto A dieta anti-inflamatória para lipedema não precisa ser cara, restritiva ou socialmente isolante. Sardinha em lata é ômega-3 acessível. Feijão com couve é anti-inflamatório por excelência na culinária brasileira.

Busque acompanhamento nutricional especializado A orientação de um nutricionista com experiência em lipedema é fundamental para personalizar o plano alimentar, identificar sensibilidades individuais e ajustar a abordagem conforme a resposta de cada paciente.

A alimentação anti-inflamatória no lipedema não substitui a compressão, a drenagem linfática e o acompanhamento médico especializado — ela potencializa. O melhor resultado vem da combinação de todas as estratégias, integradas e personalizadas.


Perguntas Frequentes {#perguntas-frequentes}

Se eu fizer dieta, as minhas pernas vão afinar?

A dieta não elimina a gordura do lipedema das regiões afetadas. Você pode perder peso no rosto, no tronco e nos braços — mas as pernas tendem a responder pouco ou nada ao emagrecimento convencional. O objetivo da alimentação no lipedema é reduzir a inflamação e os sintomas, não remodelar as pernas — isso, quando indicado, é papel da lipoaspiração tumescente.

Preciso contratar um nutricionista especializado em lipedema?

O ideal é sim — especialmente para personalizar a abordagem, identificar sensibilidades individuais e construir um plano sustentável. Nutricionistas com experiência em lipedema e doenças inflamatórias têm conhecimento específico que faz diferença real nos resultados.

Posso tomar suplementos para lipedema?

Alguns suplementos têm potencial de interesse no lipedema — ômega-3, vitamina D, magnésio, curcumina, rutina — mas a suplementação deve sempre ser orientada por profissional de saúde, levando em conta os exames e as necessidades individuais. Não existe “suplemento para lipedema” com eficácia comprovada.

Café piora o lipedema?

O café em quantidade moderada (até 3 xícaras ao dia) não tem evidência de piora do lipedema e pode até ter ação anti-inflamatória pelos seus polifenóis. O problema está no café com açúcar, nos cafés adoçados industrializados e no excesso que interfere no sono — que por si só aumenta a inflamação.

Preciso cortar completamente o açúcar?

Não precisa ser absoluto — mas a redução expressiva é importante. O açúcar adicionado (não o natural das frutas) é um dos maiores estímulos à inflamação. A meta é reduzir o açúcar de adição, os ultraprocessados e as bebidas açucaradas, não necessariamente chegar a zero.

A dieta anti-inflamatória funciona para o linfedema também?

Sim — os princípios anti-inflamatórios que beneficiam o lipedema também têm impacto positivo no linfedema, especialmente no controle do inchaço e na melhora do ambiente tecidual para a drenagem linfática.

Comer Bem é Parte do Tratamento

A alimentação anti-inflamatória não é sacrifício — é uma forma poderosa de dar ao seu corpo as condições para responder melhor ao tratamento, sentir menos dor e progredir mais devagar. E ao contrário da dieta restritiva convencional, não está pedindo que você lute contra o seu corpo. Está pedindo que você o alimente melhor.

Dra. Nelise Marvulo é cirurgiã vascular especialista em lipedema, com atendimento individualizado no Jardim Paulista (Jardins), em São Paulo. Realiza diagnóstico preciso com eco Doppler integrado à consulta e orienta o tratamento multidisciplinar — incluindo a importância da alimentação como parte da estratégia de controle da doença. Atende também por telemedicina para todo o Brasil e Exterior.

A Dra. Nelise não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde da paciente.

📍 Jardim Paulista (Jardins) – São Paulo, SP 💻 Telemedicina disponível para todo o Brasil e Exterior


Dra. Nelise Marvulo – Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071

As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser sempre individualizados por um especialista após avaliação clínica.

 

 

Varizes são veias que se tornaram alongadas, dilatadas e tortuosas, o que causa uma alteração no funcionamento desses vasos, dificultando o retorno do sangue dos tecidos para o coração. Mais frequentemente acometem as veias das coxas e pernas podendo causar, além de desconforto estético, inchaço, formigamento, dor, sensação de cansaço e peso nas pernas, sintomas esses que frequentemente pioram ao longo do dia, especialmente após permanecer longos períodos em pé ou sentado, nos dias mais quentes e no período próximo ou durante a menstruação e gravidez e que melhoram com a elevação dos membros. É um problema que acomete cerca de 38% da população brasileira e sua incidência aumenta com o avançar da idade. O principal fator associado ao seu desenvolvimento é a herança genética mas outros fatores como hormônios,  gestações, hábitos de vida, obesidade e permanência por longos períodos em pé ou sentado podem contribuir para potencializar o surgimento desse problema. Seu tratamento depende do grau de acometimento das veias, localização, quantidade e expectativas dos pacientes, podendo envolver desde mudanças no estilo de vida (perda de peso, atividades físicas regulares, alterações posturais, etc), uso de medicações sintomáticas, uso de meias elásticas, escleroterapia, laser transdérmico, espuma densa, flebectomia, cirurgia convencional para tratamento da safena ou tratamento das safenas com laser endovenoso. O avanço das técnicas permite hoje um diagnóstico preciso e associação dessas técnicas de forma a termos tratamentos mais eficazes, confortáveis, evitando internações e cirurgias em mais de 80% dos casos e, quando elas são necessárias, o processo é muito menos invasivo, com menos dor, menos sofrimento e rápida recuperação e retorno às atividades habituais!
Vasos da face e do tronco: o processo de envelhecimento, com afinamento da pele, perda de tecido de sustentação do rosto e a frequente exposição solar comumente levam ao aparecimento de vasinhos (e até mesmo veias mais calibrosas) no rosto e no tronco, que causam um incômodo estético importante. Poucas pessoas sabem que é possível tratar esses vasos de modo não invasivo, com o uso exclusivo de laser transdérmico, sem cortes, sem injeções, no próprio consultório, em poucas visitas.

Lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, geralmente em pernas e braços, associada a dor, sensibilidade ao toque, inchaço e facilidade para hematomas. Afeta quase exclusivamente mulheres e, muitas vezes, é confundida com obesidade ou linfedema, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados.

Como cirurgiã vascular, atuo no diagnóstico preciso do lipedema e no acompanhamento individualizado de cada paciente, integrando estratégias clínicas que visam aliviar sintomas, melhorar a circulação, reduzir o desconforto e preservar a qualidade de vida. O cuidado é sempre personalizado, baseado em ciência, escuta atenta e foco no bem-estar global da paciente.

A obstrução do fluxo de sangue dentro de uma veia por um trombo (sangue na forma sólida) caracteriza a trombose venosa. Em geral esse problema acontece por alteração na consistência do sangue, na velocidade de fluxo dele dentro do vaso ou por lesões diretas na parede da veia. Tais situações podem ser encontradas em pacientes acamados, imobilizados, submetidos a cirurgias longas, pacientes que receberam medicações endovenosas, que sofreram algum traumatismo nos membros, que tiveram infecções graves, doenças do sangue, pacientes com câncer ou em tratamentos oncológicos, gestantes ou pacientes em uso de hormônios, etc. A trombose venosa pode causar inchaços, normalmente acometendo apenas um dos membros, de forma súbita, com piora progressiva, sem melhora com o repouso, acompanhado de dor no membro, podendo ter surgimento de vasos mais evidentes sob a pele e alterações na cor do membro, que pode ficar mais avermelhado ou azulado. No entanto, alguns pacientes não apresentam nenhum sintoma desses e a suspeita deve ser feita quando existe a presença de algum dos fatores de risco já mencionados anteriormente. Seu diagnóstico e tratamento são importantes pois, na fase aguda, existe um risco do trombo/coágulo se desprender da veia e migrar para os vasos do pulmão, causando a temida embolia pulmonar, que pode ser fatal. Na fase tardia, a trombose pode evoluir com um quadro chamado Síndrome pós-trombótica, com aparecimento de inchaço, varizes, escurecimento da pele da perna, alterações na espessura da pele e até surgimento de úlceras de difícil cicatrização. O tratamento, na maioria das vezes, é feito em casa com medicações orais denominadas anticoagulantes a fim de evitar o aumento dos coágulos e facilitar a estabilização dos mesmos. Além disso, o uso de meias elásticas de compressão, orientações quanto a correta execução de atividades físicas e cuidados com a pele são fundamentais para uma boa evolução e qualidade de vida!

As causas de dores nas pernas são inúmeras e uma das mais frequentes é a doença venosa (Insuficiência Venosa Crônica). A compreensão dos hábitos de vida de cada paciente, do seu histórico de saúde e comorbidades atuais, bem como um exame físico e ultrassonográfico com doppler detalhado permitem a diferenciação do diagnóstico e a proposta de tratamentos eficazes e possíveis de serem realizados no dia-a-dia de cada um.

Os equipamentos de realidade aumentada iluminam a área de interesse na pele com uma luz infravermelha inofensiva que, devido às suas características, é absorvida pelo sangue . Por causa dessa absorção, uma ”imagem” da posição do vaso pode ser representada na pele da área onde há a maior concentração de sangue (no caso, as veias). Essa representação facilita identificarmos veias nutridoras de vasinhos e telangiectasias, não visíveis a olho nu por estarem sob a pele e não identificadas ao ultrassom por serem muito superficiais e pequenas para serem definidas pela tecnologia ultrassonográfica.

A adequada visualização dessas veias nutridoras facilita a sua punção durante o tratamento, permitindo a identificação do vaso e acompanhamento em tempo real da injeção das substâncias esclerosantes em sua luz, levando a melhor precisão na punção, menor quantidade de punções e mais eficácia no tratamento. Permite, junto com a associação de exame físico adequado e utilização do ultrassom doppler, que todas as veias envolvidas no quadro apresentado por cada paciente sejam tratadas adequadamente.

Outra utilidade da realidade aumentada é facilitar a marcação das veias a serem retiradas nos procedimentos cirúrgicos de tratamento de varizes. Essa tecnologia permite que as incisões sejam feitas com exatidão, minimizando sangramentos, hematomas e cicatrizes, com recuperação mais rápida e excelentes resultados estéticos e funcionais da cirurgia.