Categoria: Cirurgia Vascular | Autora: Dra. Nelise Marvulo – CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071 | Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular


Você tem varizes — não apenas vasinhos finos, mas veias mais volumosas, azuladas, que formam cordões visíveis na perna — e seu cirurgião vascular indicou escleroterapia com espuma. Ou talvez você tenha pesquisado sobre tratamentos para varizes e se deparou com esse nome, sem entender bem a diferença em relação à escleroterapia convencional. A escleroterapia com espuma é hoje uma das técnicas mais utilizadas e mais eficazes para o tratamento de varizes de pequeno e médio calibre — e o entendimento de como funciona, o que esperar e quais são os riscos reais faz toda a diferença na adesão ao tratamento e nos resultados.

Neste artigo, a Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular e ecografista vascular com consultório nos Jardins, em São Paulo, explica tudo sobre a escleroterapia com espuma: o que é, como funciona, em que difere da escleroterapia líquida, quais são as vantagens, os riscos reais e o que esperar antes, durante e depois do procedimento.


Índice

  • O que é escleroterapia com espuma?
  • Como a espuma é diferente da escleroterapia líquida?
  • Para que é indicada?
  • Como é feito o procedimento?
  • Quais são as vantagens da escleroterapia com espuma?
  • Quais são os riscos e efeitos colaterais?
  • Contraindicações: quem não pode fazer?
  • O que esperar dos resultados?
  • Quantas sessões são necessárias?
  • Escleroterapia com espuma x laser endovenoso: quando escolher cada um?
  • Perguntas frequentes

O que é escleroterapia com espuma?

A escleroterapia com espuma — tecnicamente chamada de escleroterapia com microespuma ou foam sclerotherapy — é uma variação da escleroterapia clássica em que o agente esclerosante é transformado em espuma antes de ser injetado na veia. Essa espuma é criada misturando o esclerosante líquido com um gás (ar filtrado ou CO₂) por meio de uma técnica específica que produz bolhas de tamanho controlado.

O resultado é uma substância com consistência de espuma densa — similar à espuma de barbear — que tem propriedades físicas muito superiores às do esclerosante líquido para o tratamento de varizes de maior calibre.

O procedimento continua sendo ambulatorial, realizado no consultório, sem necessidade de internação, anestesia geral ou cortes. O paciente vai caminhando após a sessão e retorna às atividades habituais no mesmo dia ou no dia seguinte.


Como a espuma é diferente da escleroterapia líquida? 

A diferença entre escleroterapia líquida e com espuma vai além da textura do produto — ela determina a eficácia clínica em diferentes tipos de vasos:

Escleroterapia líquida: Quando o esclerosante é injetado na forma líquida dentro de uma veia com sangue, ele se dilui imediatamente — o sangue presente na veia dilui o produto, reduzindo sua concentração e seu contato com a parede do vaso. Para vasinhos muito finos, onde o volume de sangue é mínimo, isso funciona bem. Para veias maiores, o efeito é insuficiente.

Escleroterapia com espuma: A espuma tem comportamento completamente diferente: ao ser injetada, ela desloca o sangue da veia, criando contato direto e prolongado com a parede venosa. As bolhas da espuma funcionam como uma emulsão que mantém o esclerosante em contato com o endotélio (revestimento interno da veia) por mais tempo e com maior concentração — mesmo em veias de calibre mais significativo.

Além disso, a espuma é visível ao ultrassom — o que permite acompanhar sua distribuição em tempo real durante o procedimento (escleroterapia ecoguiada), aumentando a precisão do tratamento.

Característica Escleroterapia Líquida Escleroterapia com Espuma
Consistência Líquida Espuma densa
Indicação Vasinhos muito finos (< 1–2 mm) Varizes de 1–8 mm, veias reticulares
Diluição pelo sangue Sim — reduz eficácia em vasos maiores Não — desloca o sangue
Contato com a parede Menor e mais breve Maior e mais prolongado
Visibilidade ao ultrassom Não Sim — permite escleroterapia ecoguiada
Volume necessário Menor Ligeiramente maior, com limites seguros
Eficácia em varizes Limitada Alta

 


Para que é indicada?

A escleroterapia com espuma tem indicações bem definidas na cirurgia vascular:

Varizes de pequeno e médio calibre (1 a 8 mm) É a indicação mais frequente. Varizes reticulares (azuladas, de 1 a 3 mm) e varizes tributárias (de 3 a 8 mm) respondem muito bem à escleroterapia com espuma, com taxas de sucesso superiores à escleroterapia líquida nessa faixa de calibre.

Veias safenas de menor calibre com refluxo moderado Em alguns casos de insuficiência da veia safena com diâmetro menor (abaixo de 5–6 mm), a escleroterapia com espuma ecoguiada pode ser preferível ao laser endovenoso — pelo menor custo, pela ausência de anestesia tumescente e pelo resultado comparável.

Varizes residuais após laser endovenoso ou radiofrequência Após o tratamento da safena com laser ou radiofrequência, as varizes tributárias que persistem são frequentemente tratadas com escleroterapia com espuma nas sessões subsequentes.

Varizes recidivadas após cirurgia convencional Em recidivas pós-safenectomia, onde a anatomia está alterada, a escleroterapia com espuma ecoguiada permite abordar as varizes com precisão, mesmo em localizações de difícil acesso cirúrgico.

Varizes em localizações especiais Varizes perineais, vulvares ou pélvicas que não são candidatas a cirurgia convencional podem ser abordadas com escleroterapia com espuma ecoguiada.

O que a escleroterapia com espuma não trata adequadamente:

  • Vasinhos muito finos (telangiectasias < 1 mm) — para esses, a escleroterapia líquida ou o laser transdérmico são mais apropriados
  • Safena magna muito dilatada (> 8–10 mm) com refluxo extenso — nesses casos, o laser endovenoso, a radiofrequência ou a cirurgia oferecem resultados mais consistentes

Como é feito o procedimento? 

Preparação da espuma: Imediatamente antes do procedimento, o cirurgião vascular prepara a microespuma utilizando a técnica de Tessari ou DSS (Double Syringe System): o esclerosante líquido é misturado com gás em proporções específicas, em seringa dupla, até obter uma espuma densa e homogênea. A espuma é preparada na hora — sua eficácia diminui rapidamente (em poucos minutos), por isso deve ser injetada logo após a preparação.

O procedimento:

  1. O paciente é posicionado na maca, geralmente deitado
  2. Quando há escleroterapia ecoguiada, o eco Doppler é utilizado para visualizar a veia em tempo real e guiar a punção com precisão
  3. O cirurgião vascular punciona a veia com agulha fina e injeta a espuma
  4. A espuma é visível ao ultrassom como uma nuvem branca dentro da veia — o médico acompanha sua distribuição e garante que o produto está no local correto
  5. Após a injeção, é aplicada compressão local (chumaço de algodão + micropore ou bandagem)
  6. A meia de compressão é colocada imediatamente ao final do procedimento

Duração: cada sessão dura em média 30 a 60 minutos, dependendo da área e do número de pontos tratados.

Após o procedimento: caminhada leve imediatamente após é encorajada. O paciente retorna ao consultório para reavaliação conforme o cronograma definido.

Quais são as vantagens da escleroterapia com espuma? {#quais-sao-as-vantagens}

  1. Maior eficácia em varizes de médio calibre A principal vantagem em relação à escleroterapia líquida: o deslocamento do sangue e o contato prolongado com a parede venosa resultam em taxas de oclusão muito superiores para varizes de 1 a 8 mm.
  2. Procedimento ambulatorial sem anestesia Diferente do laser endovenoso (que exige anestesia tumescente) e da cirurgia convencional (que exige anestesia geral ou raquidiana), a escleroterapia com espuma é realizada sem qualquer tipo de anestesia — apenas a picada da agulha, com desconforto mínimo.
  3. Sem cortes, sem internação, sem pontos O paciente retorna às atividades normais no mesmo dia ou no dia seguinte — tempo de recuperação muito inferior ao da cirurgia convencional.
  4. Visibilidade ao ultrassom (escleroterapia ecoguiada) A espuma é visível ao eco Doppler, o que permite ao cirurgião vascular acompanhar a distribuição do produto em tempo real e tratar veias que não seriam acessíveis por punção às cegas — aumentando a precisão e a segurança.
  5. Menor custo em relação ao laser endovenoso Para varizes de calibre compatível, a escleroterapia com espuma oferece resultados semelhantes ao laser endovenoso com custo de procedimento geralmente menor.
  6. Possibilidade de tratar múltiplas áreas na mesma sessão Diferentes regiões de ambas as pernas podem ser tratadas na mesma sessão, respeitando os limites de volume de espuma por sessão.
  7. Aplicável em casos de anatomia desfavorável para laser Safenas muito tortuosas ou com calibre inadequado para o cateter do laser podem ser tratadas com espuma ecoguiada.

Quais são os riscos e efeitos colaterais? 

A escleroterapia com espuma é um procedimento seguro quando realizado por cirurgião vascular experiente — mas, como qualquer procedimento médico, tem riscos e efeitos colaterais que devem ser conhecidos:

Efeitos colaterais comuns (esperados e transitórios):

  • Manchas acastanhadas (hemossiderose): coloração marrom ao longo da veia tratada, causada pela hemoglobina do sangue coagulado. Aparece nas semanas seguintes ao tratamento e desaparece em meses — mas pode demorar até 12 a 18 meses para sumir completamente em alguns casos. Exposição solar deve ser evitada na área tratada para não intensificar essas manchas.
  • “Caroço” palpável ao longo da veia: o trombo intraluminal (coágulo dentro da veia tratada) pode ser palpado como um endurecimento linear logo após o procedimento. É esperado e desaparece com a absorção progressiva. Em alguns casos, o cirurgião vascular pode drená-lo por micropuntura durante a consulta de retorno.
  • Vermelhidão e inchaço locais: nos dias seguintes à injeção, a área tratada pode apresentar inflamação localizada — parte normal do processo de cicatrização.
  • Hiperpigmentação pós-inflamatória: manchas mais escuras na pele, especialmente em pacientes com fototipo mais alto. Geralmente transitória, mas pode demorar para resolver.

Riscos menos comuns:

  • Trombose venosa profunda (TVP): rara, mas possível. Ocorre quando a espuma migra do sistema venoso superficial para o sistema venoso profundo. O risco é minimizado respeitando os limites de volume de espuma por sessão e com monitoramento cuidadoso. O uso de eco Doppler durante e após o procedimento ajuda a identificar precocemente qualquer extensão indesejada.
  • Distúrbios visuais transitórios: alguns pacientes relatam visão turva, pontos luminosos ou alterações visuais passageiras (minutos a horas) após a escleroterapia com espuma — especialmente quando há volumes maiores de espuma. Ocorre pela passagem de microbolhas para a circulação sistêmica, especialmente em pacientes com forame oval patente (comunicação entre câmaras cardíacas). Em geral, é autolimitado.
  • Dor de cabeça: transitória, associada ao mesmo mecanismo das alterações visuais.
  • Reação alérgica ao esclerosante: rara, mas possível. O cirurgião vascular deve investigar histórico de alergias antes do procedimento.
  • Necrose cutânea: muito rara. Pode ocorrer se a espuma for injetada fora da veia (extravasamento perivenoso) ou em veias muito superficiais. É evitada com técnica precisa.

O que fazer se surgirem efeitos adversos: Qualquer sintoma incomum após a escleroterapia — especialmente alterações visuais, cefaleia intensa, dor no peito, falta de ar ou inchaço súbito e assimétrico na perna — deve ser comunicado imediatamente ao cirurgião vascular.


Contraindicações: quem não pode fazer? 

A escleroterapia com espuma tem contraindicações específicas que devem ser avaliadas pelo cirurgião vascular antes do procedimento:

Contraindicações absolutas:

  • Gravidez — o esclerosante tem potencial de absorção sistêmica e não tem segurança estabelecida para o feto
  • Trombose venosa profunda ativa — contraindicação enquanto houver trombo não tratado
  • Alergia conhecida ao agente esclerosante
  • Infecção ativa na área a ser tratada
  • Imobilidade grave — a deambulação após o procedimento é parte fundamental do protocolo e sua ausência aumenta o risco de TVP

Contraindicações relativas (avaliadas caso a caso):

  • Forame oval patente conhecido — pelo risco maior de passagem de microbolhas para a circulação arterial
  • Doença arterial periférica grave nos membros a serem tratados
  • Trombofilia de alto risco sem anticoagulação adequada
  • Histórico de distúrbios visuais após escleroterapia com espuma prévia
  • Migrânea com aura (pela sobreposição de mecanismos)

O que esperar dos resultados? 

Na semana seguinte ao procedimento: As varizes tratadas podem parecer mais escuras ou avermelhadas — é o trombo formado dentro da veia. A vermelhidão e o inchaço local são esperados. Pode surgir um cordão endurecido palpável ao longo das veias tratadas.

Entre 2 e 6 semanas: O organismo começa a absorver o trombo e os vasos tratados. As varizes vão gradualmente desaparecendo.

Entre 2 e 6 meses: O resultado final torna-se visível. A maioria das varizes tratadas desaparece completamente. Manchas acastanhadas, quando presentes, vão clareando progressivamente.

Taxas de sucesso: Estudos mostram oclusão (fechamento) das varizes tratadas em 70% a 90% dos casos com escleroterapia com espuma para varizes de médio calibre. Para veias safenas de menor calibre, as taxas de fechamento são de 60% a 80% — inferiores às do laser endovenoso (90 a 95%) para safenas, o que justifica a preferência pelo laser nesse contexto quando há safena insuficiente de maior calibre.


Quantas sessões são necessárias? 

O número de sessões depende da extensão das varizes, do calibre dos vasos e da resposta individual ao tratamento:

  • Varizes reticulares e tributárias isoladas: em geral 2 a 4 sessões
  • Varizes extensas com múltiplos grupos afetados: 4 a 8 sessões
  • Tratamento complementar após laser endovenoso: 2 a 4 sessões de escleroterapia com espuma + escleroterapia líquida + laser transdérmico para os vasinhos residuais

O intervalo entre as sessões é de 4 a 6 semanas — tempo necessário para avaliar a resposta ao tratamento anterior e dar tempo para a fibrinólise natural agir sobre o trombo formado.


Escleroterapia com espuma x laser endovenoso: quando escolher cada um? 

Essa é uma das decisões mais frequentes no planejamento do tratamento de varizes — e depende fundamentalmente dos achados do eco Doppler:

Situação

Escleroterapia com Espuma

Laser Endovenoso

Varizes tributárias (3–8 mm) sem insuficiência safena ✅ Primeira escolha ✅ Boa opção
Safena magna < 5 mm com refluxo moderado ✅ Pode ser indicada ✅ Pode ser indicada
Safena magna ≥ 6 mm com refluxo significativo ➖ Eficácia inferior ✅ Primeira escolha
Varizes após cirurgia prévia (recidiva) ✅ Boa opção ✅ Se houver safena residual
Varizes em localização de difícil acesso cirúrgico ✅ Ecoguiada ➖ Nem sempre viável
Preferência por sem anestesia ➖ Exige tumescente

Na prática clínica da Dra. Nelise Marvulo, as duas técnicas frequentemente se complementam: o laser endovenoso trata a safena insuficiente (a causa raiz), e a escleroterapia com espuma trata as varizes tributárias nas sessões seguintes — muitas vezes combinada com laser transdérmico para os vasinhos mais finos.


Perguntas Frequentes 

A escleroterapia com espuma dói?

A dor é mínima — a sensação principal é a da picada da agulha, seguida de uma leve ardência ou pressão ao longo da veia no momento da injeção da espuma. Não há necessidade de anestesia. A grande maioria das pacientes tolera bem o procedimento.

Posso trabalhar depois da escleroterapia com espuma?

Sim. O procedimento é ambulatorial e a maioria das pacientes retorna às atividades de escritório no mesmo dia. A única restrição é evitar atividades de alto impacto (corrida, musculação intensa) por 48 a 72 horas.

As manchas escuras que aparecem depois somem?

Sim — em geral somem completamente ao longo de semanas a meses. Em alguns casos, podem demorar até 12 a 18 meses. A proteção solar rigorosa nas áreas tratadas acelera o clareamento e previne que as manchas piorem.

Posso fazer escleroterapia com espuma se já fiz laser endovenoso antes?

Sim — e frequentemente é exatamente o que se faz. O laser trata a safena e, nas sessões seguintes, a escleroterapia com espuma trata as varizes tributárias que permanecem.

A escleroterapia com espuma é a mesma coisa que a escleroterapia comum?

São a mesma família de tratamento (escleroterapia), mas técnicas diferentes. A principal diferença é que a espuma desloca o sangue da veia, permitindo maior contato com a parede — o que a torna mais eficaz para varizes de médio calibre.

O plano de saúde cobre a escleroterapia com espuma?

Quando há insuficiência venosa documentada por eco Doppler, alguns planos cobrem a escleroterapia com espuma para tratamento de varizes. Para vasinhos com indicação estética, geralmente não há cobertura. A Dra. Nelise Marvulo não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde do paciente.

Posso fazer escleroterapia com espuma estando amamentando?

Por precaução, recomenda-se aguardar o término da amamentação para realizar escleroterapia com espuma, pois não há estudos suficientes sobre a segurança dos agentes esclerosantes no leite materno.

Escleroterapia com Espuma: Resultado Real, Sem Cirurgia, Sem Internação

Para varizes de pequeno e médio calibre, a escleroterapia com espuma é hoje uma das opções mais eficazes, seguras e acessíveis — com resultado estético e funcional expressivo, sem os riscos e o tempo de recuperação de uma cirurgia.


A Dra. Nelise Marvulo é cirurgiã vascular e ecografista vascular, com consultório no Jardim Paulista (Jardins), em São Paulo. Realiza escleroterapia com espuma e escleroterapia ecoguiada com eco Doppler integrado à consulta — garantindo diagnóstico preciso, planejamento individualizado e acompanhamento completo de cada etapa do tratamento. Atende também por telemedicina para todo o Brasil e Exterior.

A Dra. Nelise não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde do paciente.

📍 Jardim Paulista (Jardins) – São Paulo, SP 💻 Telemedicina disponível para todo o Brasil e Exterior


Dra. Nelise Marvulo – Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071

As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser sempre individualizados por um especialista após avaliação clínica.

Varizes são veias que se tornaram alongadas, dilatadas e tortuosas, o que causa uma alteração no funcionamento desses vasos, dificultando o retorno do sangue dos tecidos para o coração. Mais frequentemente acometem as veias das coxas e pernas podendo causar, além de desconforto estético, inchaço, formigamento, dor, sensação de cansaço e peso nas pernas, sintomas esses que frequentemente pioram ao longo do dia, especialmente após permanecer longos períodos em pé ou sentado, nos dias mais quentes e no período próximo ou durante a menstruação e gravidez e que melhoram com a elevação dos membros. É um problema que acomete cerca de 38% da população brasileira e sua incidência aumenta com o avançar da idade. O principal fator associado ao seu desenvolvimento é a herança genética mas outros fatores como hormônios,  gestações, hábitos de vida, obesidade e permanência por longos períodos em pé ou sentado podem contribuir para potencializar o surgimento desse problema. Seu tratamento depende do grau de acometimento das veias, localização, quantidade e expectativas dos pacientes, podendo envolver desde mudanças no estilo de vida (perda de peso, atividades físicas regulares, alterações posturais, etc), uso de medicações sintomáticas, uso de meias elásticas, escleroterapia, laser transdérmico, espuma densa, flebectomia, cirurgia convencional para tratamento da safena ou tratamento das safenas com laser endovenoso. O avanço das técnicas permite hoje um diagnóstico preciso e associação dessas técnicas de forma a termos tratamentos mais eficazes, confortáveis, evitando internações e cirurgias em mais de 80% dos casos e, quando elas são necessárias, o processo é muito menos invasivo, com menos dor, menos sofrimento e rápida recuperação e retorno às atividades habituais!
Vasos da face e do tronco: o processo de envelhecimento, com afinamento da pele, perda de tecido de sustentação do rosto e a frequente exposição solar comumente levam ao aparecimento de vasinhos (e até mesmo veias mais calibrosas) no rosto e no tronco, que causam um incômodo estético importante. Poucas pessoas sabem que é possível tratar esses vasos de modo não invasivo, com o uso exclusivo de laser transdérmico, sem cortes, sem injeções, no próprio consultório, em poucas visitas.

Lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, geralmente em pernas e braços, associada a dor, sensibilidade ao toque, inchaço e facilidade para hematomas. Afeta quase exclusivamente mulheres e, muitas vezes, é confundida com obesidade ou linfedema, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados.

Como cirurgiã vascular, atuo no diagnóstico preciso do lipedema e no acompanhamento individualizado de cada paciente, integrando estratégias clínicas que visam aliviar sintomas, melhorar a circulação, reduzir o desconforto e preservar a qualidade de vida. O cuidado é sempre personalizado, baseado em ciência, escuta atenta e foco no bem-estar global da paciente.

A obstrução do fluxo de sangue dentro de uma veia por um trombo (sangue na forma sólida) caracteriza a trombose venosa. Em geral esse problema acontece por alteração na consistência do sangue, na velocidade de fluxo dele dentro do vaso ou por lesões diretas na parede da veia. Tais situações podem ser encontradas em pacientes acamados, imobilizados, submetidos a cirurgias longas, pacientes que receberam medicações endovenosas, que sofreram algum traumatismo nos membros, que tiveram infecções graves, doenças do sangue, pacientes com câncer ou em tratamentos oncológicos, gestantes ou pacientes em uso de hormônios, etc. A trombose venosa pode causar inchaços, normalmente acometendo apenas um dos membros, de forma súbita, com piora progressiva, sem melhora com o repouso, acompanhado de dor no membro, podendo ter surgimento de vasos mais evidentes sob a pele e alterações na cor do membro, que pode ficar mais avermelhado ou azulado. No entanto, alguns pacientes não apresentam nenhum sintoma desses e a suspeita deve ser feita quando existe a presença de algum dos fatores de risco já mencionados anteriormente. Seu diagnóstico e tratamento são importantes pois, na fase aguda, existe um risco do trombo/coágulo se desprender da veia e migrar para os vasos do pulmão, causando a temida embolia pulmonar, que pode ser fatal. Na fase tardia, a trombose pode evoluir com um quadro chamado Síndrome pós-trombótica, com aparecimento de inchaço, varizes, escurecimento da pele da perna, alterações na espessura da pele e até surgimento de úlceras de difícil cicatrização. O tratamento, na maioria das vezes, é feito em casa com medicações orais denominadas anticoagulantes a fim de evitar o aumento dos coágulos e facilitar a estabilização dos mesmos. Além disso, o uso de meias elásticas de compressão, orientações quanto a correta execução de atividades físicas e cuidados com a pele são fundamentais para uma boa evolução e qualidade de vida!

As causas de dores nas pernas são inúmeras e uma das mais frequentes é a doença venosa (Insuficiência Venosa Crônica). A compreensão dos hábitos de vida de cada paciente, do seu histórico de saúde e comorbidades atuais, bem como um exame físico e ultrassonográfico com doppler detalhado permitem a diferenciação do diagnóstico e a proposta de tratamentos eficazes e possíveis de serem realizados no dia-a-dia de cada um.

Os equipamentos de realidade aumentada iluminam a área de interesse na pele com uma luz infravermelha inofensiva que, devido às suas características, é absorvida pelo sangue . Por causa dessa absorção, uma ”imagem” da posição do vaso pode ser representada na pele da área onde há a maior concentração de sangue (no caso, as veias). Essa representação facilita identificarmos veias nutridoras de vasinhos e telangiectasias, não visíveis a olho nu por estarem sob a pele e não identificadas ao ultrassom por serem muito superficiais e pequenas para serem definidas pela tecnologia ultrassonográfica.

A adequada visualização dessas veias nutridoras facilita a sua punção durante o tratamento, permitindo a identificação do vaso e acompanhamento em tempo real da injeção das substâncias esclerosantes em sua luz, levando a melhor precisão na punção, menor quantidade de punções e mais eficácia no tratamento. Permite, junto com a associação de exame físico adequado e utilização do ultrassom doppler, que todas as veias envolvidas no quadro apresentado por cada paciente sejam tratadas adequadamente.

Outra utilidade da realidade aumentada é facilitar a marcação das veias a serem retiradas nos procedimentos cirúrgicos de tratamento de varizes. Essa tecnologia permite que as incisões sejam feitas com exatidão, minimizando sangramentos, hematomas e cicatrizes, com recuperação mais rápida e excelentes resultados estéticos e funcionais da cirurgia.