Categoria: Cirurgia Vascular | Autora: Dra. Nelise Marvulo – CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071 | Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular


“Posso malhar com varizes?” “Corrida piora os vasinhos?” “Meu médico disse que tenho insuficiência venosa — preciso parar de me exercitar?” Essas perguntas chegam ao consultório com muita frequência — e revelam um paradoxo curioso: a atividade física é, ao mesmo tempo, uma das maiores aliadas do sistema venoso e uma das maiores fontes de dúvidas para quem tem varizes.

A boa notícia é que a resposta para a maioria dessas perguntas é: pode sim exercitar. Na maior parte dos casos, a atividade física não apenas é permitida como é altamente recomendada para quem tem varizes e vasinhos. O que muda são alguns detalhes — o tipo de exercício, a forma de praticá-lo, os cuidados antes e depois e, em algumas situações específicas, restrições temporárias que o cirurgião vascular vai orientar.

Neste artigo, a Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular e ecografista vascular com consultório no Jardins, em São Paulo, explica quais exercícios beneficiam a circulação, quais devem ser evitados ou adaptados, o que fazer antes e depois do treino e como a atividade física se encaixa no plano de tratamento vascular.


Índice

  • Por que a atividade física é importante para quem tem varizes?
  • Como o exercício afeta a circulação venosa?
  • Exercícios que beneficiam quem tem varizes e vasinhos
  • Exercícios que devem ser evitados ou adaptados
  • Musculação com varizes: pode ou não pode?
  • Corrida com varizes: riscos e cuidados
  • Cuidados antes e depois do treino
  • Atividade física após escleroterapia ou laser
  • Exercício com lipedema e linfedema
  • Quando a atividade física é contraindicada?
  • Perguntas frequentes

Por que a atividade física é importante para quem tem varizes?

Existe um mito muito difundido de que pessoas com varizes deveriam evitar exercícios para não “piorar” as veias. Esse mito não apenas é incorreto — é potencialmente prejudicial, porque leva ao sedentarismo, que é um dos principais fatores de risco para a progressão da insuficiência venosa.

A realidade é oposta: a atividade física regular é uma das medidas mais eficazes para:

  • Ativar a bomba venosa da panturrilha — o mecanismo mais importante de retorno venoso nas pernas
  • Reduzir a pressão venosa nos membros inferiores durante e após o exercício
  • Diminuir o inchaço e a sensação de peso nas pernas
  • Controlar o peso corporal — excesso de peso é um fator de risco para insuficiência venosa
  • Melhorar o tônus vascular — exercício regular tem efeito benéfico sobre a parede das veias
  • Reduzir o risco de trombose — a estase venosa é um dos principais fatores de formação de coágulos

Pessoas sedentárias com varizes têm piora progressiva muito mais rápida do que aquelas que se mantêm fisicamente ativas. O exercício não vai eliminar as varizes já existentes — mas contribui significativamente para frear sua progressão e aliviar os sintomas.


Como o exercício afeta a circulação venosa?

Para entender por que alguns exercícios beneficiam e outros prejudicam a circulação venosa, é preciso compreender a bomba musculovenosa da panturrilha — o mecanismo central do retorno venoso nas pernas.

A musculatura da panturrilha (especialmente o gastrocnêmio e o sóleo) envolve as principais veias profundas da perna. A cada contração muscular, ela espreme essas veias, empurrando o sangue para cima em direção ao coração. As válvulas venosas impedem que o sangue reflua para baixo entre as contrações.

O que acontece com o exercício:

  • Durante a contração muscular (fase ativa): a pressão nas veias profundas aumenta, o sangue é empurrado para cima
  • Durante o relaxamento muscular (fase passiva): as válvulas fecham, impedindo o refluxo, e as veias enchem novamente
  • Com exercício contínuo e rítmico: esse ciclo se repete várias vezes por minuto, criando uma bomba muito eficiente de retorno venoso

Exercícios que ativam esse ciclo de forma rítmica e contínua — caminhada, natação, ciclismo — são os mais benéficos. Exercícios isométricos (contração estática sem movimento) ou de muito impacto podem, em algumas situações, ser menos favoráveis ou exigir adaptações.


Exercícios que beneficiam quem tem varizes e vasinhos

Caminhada — a melhor amiga das veias

A caminhada é o exercício com melhor relação entre benefício vascular e acessibilidade. Ativa intensamente a bomba da panturrilha, é de baixo impacto, pode ser praticada por qualquer pessoa independentemente do condicionamento físico e não exige equipamentos.

Recomendação: pelo menos 30 minutos de caminhada contínua na maioria dos dias da semana. O ritmo deve ser suficiente para manter uma conversa — não precisa ser muito acelerado para ser benéfico para a circulação.

Dica: usar meia de compressão durante a caminhada potencializa os benefícios circulatórios, especialmente para quem tem insuficiência venosa estabelecida.

Natação e hidroginástica — excelentes para a circulação

São, de longe, os exercícios mais completos para quem tem varizes. A pressão hidrostática da água exerce uma compressão natural sobre as pernas (efeito semelhante ao da meia elástica), enquanto o exercício ativa intensamente a bomba venosa. Além disso, a posição horizontal na água reduz a pressão gravitacional nas veias das pernas.

A temperatura da água também importa: água fria estimula a vasoconstrição venosa e melhora o tônus vascular. Piscinas aquecidas (acima de 32°C) podem dilatar as veias e piorar temporariamente os sintomas — prefira temperatura moderada.

Ciclismo

Ativa bem a musculatura da panturrilha e da coxa com baixo impacto articular. O ciclismo estacionário é igualmente eficaz. Uma ressalva: a posição inclinada para frente no ciclismo de estrada pode comprimir levemente as veias da virilha — a posição mais ereta (ciclismo urbano ou spinning) é preferível para quem tem varizes significativas.

Pilates e yoga

Exercícios de alongamento, postura e consciência corporal são geralmente bem tolerados e benéficos para o sistema venoso. A posição invertida (pernas para cima), presente em muitas sequências de yoga, facilita o retorno venoso. Os exercícios de pilates no solo, sem sobrecarga axial intensa, também são favoráveis.

Dança

Dança de salão, zumba, dança aeróbica — qualquer modalidade que combine movimento rítmico com ativação da panturrilha é benéfica para a circulação. O impacto moderado do salto na dança funciona como um estímulo para a bomba venosa.

Exercícios específicos para ativar a bomba venosa

Mesmo sem sair de casa, esses movimentos simples ativam a circulação:

  • Flexão e extensão dos pés (como accelerar e frear um carro): 20 repetições, várias vezes ao dia
  • Rotação dos tornozelos: ampliar gradualmente a amplitude
  • Elevação dos calcanhares (ficar na ponta dos pés e voltar): excelente para ativar o gastrocnêmio
  • Bicicleta no ar deitado: movimento circular das pernas facilitado pela posição horizontal

Exercícios que devem ser evitados ou adaptados

Exercícios que aumentam muito a pressão intra-abdominal

Agachamento com carga pesada, leg press com cargas máximas, terra (deadlift) pesado — quando realizados com cargas muito elevadas e, especialmente, com a manobra de Valsalva (segurar a respiração e forçar), aumentam abruptamente a pressão intra-abdominal. Essa pressão se transmite para as veias pélvicas e femoral, “empurrando” o sangue de volta para as pernas — o efeito oposto ao que a bomba venosa faria.

Isso não significa que musculação seja proibida — significa que cargas excessivas e técnica inadequada são o problema, não o exercício em si.

Exercícios de alto impacto sem suporte de compressão

Corrida em superfícies duras sem meia de compressão, pulo de corda e aeróbica de impacto muito intenso podem aumentar a pressão nas veias das pernas e agravar os sintomas em quem já tem insuficiência venosa significativa. Com meia de compressão e superfície adequada, o impacto é minimizado.

Ficar estático em pé por longos períodos (musculação parada)

Alguns exercícios de musculação envolvem permanecer na posição ortostática sem movimento das pernas por longos períodos (entre séries, exercícios de barra, remada em pé estático). Essa estase ortostática é mais prejudicial do que o exercício em si — movimentar os pés e as pernas entre as séries atenua esse efeito.

Sauna e banho quente antes ou após o treino

O calor excessivo dilata as veias superficiais e pode intensificar o inchaço e a sensação de peso nas pernas em quem tem varizes. Após o treino, prefira ducha morna ou fria nas pernas.


Musculação com varizes: pode ou não pode?

Pode sim — com as adaptações corretas.

A musculação não é proibida para quem tem varizes. Pelo contrário, o fortalecimento muscular, especialmente da panturrilha e dos membros inferiores, contribui para a bomba venosa. O que precisa ser adaptado é a técnica:

Recomendações para musculação com varizes:

  • Use meia de compressão durante o treino — reduz a pressão venosa e melhora o retorno durante as séries
  • Prefira cargas moderadas com mais repetições em vez de cargas máximas com poucas repetições — reduz o pico de pressão intra-abdominal
  • Respire corretamente durante o esforço — expire no esforço, inspire no retorno. Evite segurar a respiração (manobra de Valsalva) em exercícios pesados
  • Movimente as pernas entre as séries — não fique parado em pé. Caminhe pelo espaço, faça flexões de panturrilha
  • Eleve as pernas por alguns minutos após o treino — facilita o retorno venoso

Exercícios específicos de musculação que são especialmente benéficos:

  • Elevação de calcanhares (panturrilha na cadeira ou em pé)
  • Leg curl (flexão de joelho na máquina)
  • Caminhada em esteira com inclinação leve
  • Extensão de pé (flexão plantar) na cadeira

Corrida com varizes: riscos e cuidados

A corrida é um dos exercícios mais populares — e um dos que gera mais dúvida em pacientes com varizes. A verdade é que a maioria das pessoas com varizes pode correr, com os cuidados adequados:

Por que a corrida pode ser benéfica:

  • Ativa intensamente a bomba da panturrilha
  • Melhora o condicionamento cardiovascular e o controle de peso
  • Aumenta o tônus muscular dos membros inferiores

Por que a corrida pode ser problemática em alguns casos:

  • O impacto repetido em superfícies duras pode aumentar a pressão venosa nas pernas
  • Após longos períodos de corrida, as veias varicosas dilatam-se ainda mais pelo calor e pelo volume de sangue circulante — podendo piorar temporariamente o inchaço e o peso nas pernas
  • Em insuficiência venosa muito avançada (com úlceras ou dermatite), a corrida pode estar contraindicada até que o quadro seja controlado

Cuidados para correr com segurança tendo varizes:

  • Use sempre meia de compressão durante a corrida
  • Prefira superfícies mais macias (terra batida, grama, esteira) a asfalto ou concreto
  • Troque o calçado regularmente — tênis desgastados não absorvem bem o impacto
  • Hidrate-se bem antes, durante e após
  • Faça resfriamento com água fria nas pernas após o treino
  • Eleve as pernas por 10 a 15 minutos após a corrida
  • Se notar piora significativa do inchaço ou dor intensa nas pernas após correr, consulte o cirurgião vascular para reavaliação


Cuidados antes e depois do treino

Antes do treino:

  • Vista a meia de compressão antes de sair de casa — antes das pernas incherem
  • Hidrate-se bem (desidratação aumenta a viscosidade do sangue)
  • Evite treinar nas horas mais quentes do dia — o calor piora a dilatação venosa
  • Alongue suavemente antes de iniciar atividades de impacto

Durante o treino:

  • Mantenha a hidratação
  • Use meia de compressão do tamanho e grau corretos
  • Não fique parado por longos períodos entre os exercícios

Após o treino:

  • Ducha fria ou morna nas pernas — estimula a vasoconstrição venosa
  • Eleve as pernas por 10 a 20 minutos — muito eficaz para drenar o sangue acumulado
  • Hidrate-se
  • Evite banho muito quente imediatamente após o treino
  • Se usar meia de compressão, mantenha por mais 30 a 60 minutos após o exercício

Atividade física após escleroterapia ou laser

Após procedimentos vasculares, existem restrições temporárias específicas:

Após escleroterapia (líquida ou com espuma):

  • Caminhada leve: liberada imediatamente após o procedimento — é inclusive incentivada, pois ativa a circulação e contribui para os resultados
  • Exercícios de baixo impacto (natação, ciclismo leve): liberados após 48 a 72 horas
  • Exercícios de alto impacto (corrida, jump, musculação intensa): aguardar pelo menos 5 a 7 dias, conforme orientação da Dra. Nelise Marvulo
  • Sauna, banho quente prolongado, exposição solar: evitar por pelo menos 30 dias nas áreas tratadas

Após laser endovenoso ou radiofrequência:

  • Caminhada: liberada imediatamente após o procedimento
  • Atividades de baixo impacto: liberadas em 3 a 5 dias
  • Corrida e musculação intensa: aguardar 2 a 4 semanas, conforme avaliação individual
  • Uso de meia de compressão: obrigatório durante o período de recuperação

Após cirurgia convencional de varizes:

  • Atividades de impacto e musculação: aguardar 4 a 6 semanas conforme evolução pós-operatória

Exercício com lipedema e linfedema

Lipedema

O exercício é parte fundamental do tratamento do lipedema — mas com foco nas modalidades de baixo impacto:

Mais recomendados: natação e hidroginástica (a pressão da água complementa a compressão), caminhada, ciclismo estacionário, yoga e aquaterapia.

Evitar ou adaptar: exercícios de muito alto impacto que causam dor intensa nas pernas. Cada paciente tem um limiar de tolerância diferente — a orientação é respeitar a dor como sinal.

Ao contrário do que se acreditava, musculação com progressão gradual é segura e benéfica para pacientes com lipedema — fortalece a musculatura das pernas, melhora o retorno linfático e contribui para o controle de peso geral.

Linfedema

O exercício é igualmente recomendado no linfedema — com as seguintes orientações:

  • Use sempre a peça de compressão (manga ou meia) durante qualquer atividade física
  • Inicie com cargas e intensidades baixas, progredindo gradualmente
  • Natação e hidroterapia são especialmente benéficas pela compressão natural da água
  • Musculação com cargas progressivas é segura e não aumenta o linfedema — evidências recentes mostram benefício
  • Monitore o membro afetado após cada sessão — se observar aumento de volume, reduza a intensidade e consulte o cirurgião vascular

Quando a atividade física é contraindicada?

Em algumas situações específicas, a atividade física precisa ser restringida ou suspensa temporariamente:

Trombose venosa profunda ativa Durante as primeiras 24 a 48 horas após o diagnóstico de TVP, repouso relativo é recomendado enquanto a anticoagulação é iniciada. Após esse período, a caminhada leve geralmente já é liberada — o repouso absoluto não é mais recomendado e pode piorar o prognóstico.

Tromboflebite superficial extensa Especialmente quando próxima à junção safeno-femoral, exercícios intensos podem ser temporariamente contraindicados até estabilização do quadro.

Úlcera venosa ativa Exercícios de impacto devem ser evitados até que a úlcera esteja em fase de cicatrização adequada. Caminhada com meia de compressão pode ser indicada mesmo nesse contexto, dependendo do grau de comprometimento.

Pós-operatório imediato Nos dias imediatamente após qualquer procedimento vascular, respeite as orientações específicas do cirurgião vascular — que podem variar conforme o tipo de intervenção.


Perguntas Frequentes

Exercício piora as varizes?

O exercício em si não piora as varizes — pelo contrário. O sedentarismo é um fator de risco para a progressão da insuficiência venosa. O que pode piorar temporariamente os sintomas (inchaço, peso) é exercício muito intenso sem meia de compressão ou sem os cuidados pós-treino adequados.

Posso correr com vasinhos?

Sim. Vasinhos sem insuficiência venosa subjacente significativa não são contraindicação para corrida. Use meia de compressão, hidrate-se bem e faça resfriamento com água fria nas pernas após o treino.

Qual exercício é melhor para quem tem varizes?

Natação, hidroginástica e caminhada são os melhores. Mas qualquer exercício que ative a musculatura da panturrilha de forma rítmica e contínua é benéfico — ciclismo, dança, pilates. O melhor exercício é o que você vai fazer de forma consistente.

Preciso usar meia de compressão para me exercitar?

Para quem tem varizes ou insuficiência venosa diagnosticada: sim, o uso de meia de compressão durante o exercício é altamente recomendado. Para quem tem apenas vasinhos sem insuficiência venosa, a meia é opcional, mas pode trazer conforto.

Posso nadar após a escleroterapia?

Após escleroterapia, aguarde pelo menos 48 a 72 horas para natação. Nas áreas tratadas, evite exposição ao sol e calor por 30 dias — mas nadar em piscina coberta pode ser liberado antes, conforme orientação da Dra. Nelise Marvulo.

Musculação para perna piora as varizes?

Não — desde que feita com técnica correta, respiração adequada e cargas compatíveis com o nível de condicionamento. O fortalecimento da musculatura da perna, especialmente da panturrilha, é benéfico para o retorno venoso.

O plano de saúde cobre a avaliação vascular para liberação de exercício?

A consulta com cirurgião vascular para avaliação e orientação sobre atividade física geralmente é coberta pelos planos quando há diagnóstico vascular estabelecido. A Dra. Nelise Marvulo não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde do paciente.


Mexa-se — Suas Veias Agradecem

A atividade física é uma das medidas mais poderosas para a saúde do sistema venoso — e, na grande maioria dos casos, é totalmente compatível com varizes e vasinhos. O segredo está em escolher os exercícios certos, usar a meia de compressão, cuidar das pernas antes e depois do treino e manter o acompanhamento vascular regular.

A Dra. Nelise Marvulo é cirurgiã vascular e ecografista vascular, com atendimento individualizado no Jardim Paulista (Jardins), em São Paulo. Orienta cada paciente sobre a prática de exercícios mais adequada ao seu quadro vascular — com eco Doppler integrado à consulta para diagnóstico preciso e plano de cuidados personalizado. Atende também por telemedicina para todo o Brasil e Exterior.

A Dra. Nelise não atende convênios, mas fornece toda a documentação necessária para reembolso junto ao plano de saúde do paciente.

📍 Jardim Paulista (Jardins) – São Paulo, SP 💻 Telemedicina disponível para todo o Brasil e Exterior


Dra. Nelise Marvulo – Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071

As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser sempre individualizados por um especialista após avaliação clínica.

Varizes são veias que se tornaram alongadas, dilatadas e tortuosas, o que causa uma alteração no funcionamento desses vasos, dificultando o retorno do sangue dos tecidos para o coração. Mais frequentemente acometem as veias das coxas e pernas podendo causar, além de desconforto estético, inchaço, formigamento, dor, sensação de cansaço e peso nas pernas, sintomas esses que frequentemente pioram ao longo do dia, especialmente após permanecer longos períodos em pé ou sentado, nos dias mais quentes e no período próximo ou durante a menstruação e gravidez e que melhoram com a elevação dos membros. É um problema que acomete cerca de 38% da população brasileira e sua incidência aumenta com o avançar da idade. O principal fator associado ao seu desenvolvimento é a herança genética mas outros fatores como hormônios,  gestações, hábitos de vida, obesidade e permanência por longos períodos em pé ou sentado podem contribuir para potencializar o surgimento desse problema. Seu tratamento depende do grau de acometimento das veias, localização, quantidade e expectativas dos pacientes, podendo envolver desde mudanças no estilo de vida (perda de peso, atividades físicas regulares, alterações posturais, etc), uso de medicações sintomáticas, uso de meias elásticas, escleroterapia, laser transdérmico, espuma densa, flebectomia, cirurgia convencional para tratamento da safena ou tratamento das safenas com laser endovenoso. O avanço das técnicas permite hoje um diagnóstico preciso e associação dessas técnicas de forma a termos tratamentos mais eficazes, confortáveis, evitando internações e cirurgias em mais de 80% dos casos e, quando elas são necessárias, o processo é muito menos invasivo, com menos dor, menos sofrimento e rápida recuperação e retorno às atividades habituais!
Vasos da face e do tronco: o processo de envelhecimento, com afinamento da pele, perda de tecido de sustentação do rosto e a frequente exposição solar comumente levam ao aparecimento de vasinhos (e até mesmo veias mais calibrosas) no rosto e no tronco, que causam um incômodo estético importante. Poucas pessoas sabem que é possível tratar esses vasos de modo não invasivo, com o uso exclusivo de laser transdérmico, sem cortes, sem injeções, no próprio consultório, em poucas visitas.

Lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, geralmente em pernas e braços, associada a dor, sensibilidade ao toque, inchaço e facilidade para hematomas. Afeta quase exclusivamente mulheres e, muitas vezes, é confundida com obesidade ou linfedema, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados.

Como cirurgiã vascular, atuo no diagnóstico preciso do lipedema e no acompanhamento individualizado de cada paciente, integrando estratégias clínicas que visam aliviar sintomas, melhorar a circulação, reduzir o desconforto e preservar a qualidade de vida. O cuidado é sempre personalizado, baseado em ciência, escuta atenta e foco no bem-estar global da paciente.

A obstrução do fluxo de sangue dentro de uma veia por um trombo (sangue na forma sólida) caracteriza a trombose venosa. Em geral esse problema acontece por alteração na consistência do sangue, na velocidade de fluxo dele dentro do vaso ou por lesões diretas na parede da veia. Tais situações podem ser encontradas em pacientes acamados, imobilizados, submetidos a cirurgias longas, pacientes que receberam medicações endovenosas, que sofreram algum traumatismo nos membros, que tiveram infecções graves, doenças do sangue, pacientes com câncer ou em tratamentos oncológicos, gestantes ou pacientes em uso de hormônios, etc. A trombose venosa pode causar inchaços, normalmente acometendo apenas um dos membros, de forma súbita, com piora progressiva, sem melhora com o repouso, acompanhado de dor no membro, podendo ter surgimento de vasos mais evidentes sob a pele e alterações na cor do membro, que pode ficar mais avermelhado ou azulado. No entanto, alguns pacientes não apresentam nenhum sintoma desses e a suspeita deve ser feita quando existe a presença de algum dos fatores de risco já mencionados anteriormente. Seu diagnóstico e tratamento são importantes pois, na fase aguda, existe um risco do trombo/coágulo se desprender da veia e migrar para os vasos do pulmão, causando a temida embolia pulmonar, que pode ser fatal. Na fase tardia, a trombose pode evoluir com um quadro chamado Síndrome pós-trombótica, com aparecimento de inchaço, varizes, escurecimento da pele da perna, alterações na espessura da pele e até surgimento de úlceras de difícil cicatrização. O tratamento, na maioria das vezes, é feito em casa com medicações orais denominadas anticoagulantes a fim de evitar o aumento dos coágulos e facilitar a estabilização dos mesmos. Além disso, o uso de meias elásticas de compressão, orientações quanto a correta execução de atividades físicas e cuidados com a pele são fundamentais para uma boa evolução e qualidade de vida!

As causas de dores nas pernas são inúmeras e uma das mais frequentes é a doença venosa (Insuficiência Venosa Crônica). A compreensão dos hábitos de vida de cada paciente, do seu histórico de saúde e comorbidades atuais, bem como um exame físico e ultrassonográfico com doppler detalhado permitem a diferenciação do diagnóstico e a proposta de tratamentos eficazes e possíveis de serem realizados no dia-a-dia de cada um.

Os equipamentos de realidade aumentada iluminam a área de interesse na pele com uma luz infravermelha inofensiva que, devido às suas características, é absorvida pelo sangue . Por causa dessa absorção, uma ”imagem” da posição do vaso pode ser representada na pele da área onde há a maior concentração de sangue (no caso, as veias). Essa representação facilita identificarmos veias nutridoras de vasinhos e telangiectasias, não visíveis a olho nu por estarem sob a pele e não identificadas ao ultrassom por serem muito superficiais e pequenas para serem definidas pela tecnologia ultrassonográfica.

A adequada visualização dessas veias nutridoras facilita a sua punção durante o tratamento, permitindo a identificação do vaso e acompanhamento em tempo real da injeção das substâncias esclerosantes em sua luz, levando a melhor precisão na punção, menor quantidade de punções e mais eficácia no tratamento. Permite, junto com a associação de exame físico adequado e utilização do ultrassom doppler, que todas as veias envolvidas no quadro apresentado por cada paciente sejam tratadas adequadamente.

Outra utilidade da realidade aumentada é facilitar a marcação das veias a serem retiradas nos procedimentos cirúrgicos de tratamento de varizes. Essa tecnologia permite que as incisões sejam feitas com exatidão, minimizando sangramentos, hematomas e cicatrizes, com recuperação mais rápida e excelentes resultados estéticos e funcionais da cirurgia.