As férias chegaram e, com elas, a vontade de pegar a estrada. Mas antes de colocar o pé na estrada, vale um lembrete importante: cuidar da saúde vascular em viagem de carro também faz parte do planejamento da viagem, tanto quanto escolher o destino ou organizar a mala. Passar muitas horas sentado no banco do carro pode favorecer o inchaço, a sensação de pernas pesadas e aumentar o risco de problemas circulatórios — principalmente em quem já convive com varizes, insuficiência venosa ou outros fatores de risco.

Neste guia, você vai entender por que a imobilidade prolongada afeta a circulação e quais cuidados simples fazem toda a diferença para viajar com mais conforto e segurança.


Por que a viagem de carro afeta a saúde vascular?

Ficar sentado por horas seguidas, com os joelhos dobrados e as pernas praticamente paradas, dificulta o retorno do sangue das pernas até o coração. Esse processo depende, em boa parte, da contração dos músculos da panturrilha, que funcionam como uma verdadeira bomba auxiliar da circulação. Quando esses músculos ficam inativos por muito tempo, o sangue tende a se acumular nos membros inferiores.

O resultado costuma aparecer nos primeiros sinais: pés e tornozelos inchados, sensação de peso nas pernas e, em alguns casos, cãibras. Em pessoas com predisposição a varizes ou insuficiência venosa, a viagem de carro sem pausas pode intensificar os sintomas e, em situações mais raras, elevar o risco de formação de coágulos, como a trombose venosa profunda.

Por isso, entender a relação entre viagem de carro e saúde vascular é o primeiro passo para curtir as férias sem preocupações.


Quem precisa ter mais atenção na estrada

Alguns grupos merecem atenção redobrada com a saúde vascular durante viagens longas:

  • Pessoas com varizes ou vasinhos já diagnosticados
  • Quem tem insuficiência venosa crônica
  • Gestantes
  • Pessoas com histórico pessoal ou familiar de trombose
  • Quem faz uso de anticoncepcional ou terapia hormonal
  • Pessoas com obesidade ou vida sedentária
  • Quem já passou por cirurgia recente

Se você se encaixa em algum desses perfis, o ideal é conversar com um médico vascular antes de embarcar em uma viagem de carro longa. Um check-up vascular simples pode identificar riscos e orientar os cuidados mais adequados para o seu caso.


Cuidados essenciais para proteger a circulação na estrada

A boa notícia é que pequenas atitudes, repetidas ao longo do trajeto, ajudam a manter a saúde vascular em viagem de carro sob controle. Veja os principais cuidados:

Use meia elástica, quando indicada

A meia de compressão ajuda o sangue a retornar das pernas para o coração, reduzindo o inchaço e a sensação de peso. Ela deve ser usada apenas com orientação médica, já que o grau de compressão ideal varia de pessoa para pessoa.

Mantenha uma boa hidratação

Beber água regularmente durante o trajeto ajuda a manter o sangue mais fluido, o que facilita a circulação. Evite o consumo excessivo de café e bebidas alcoólicas antes e durante a viagem, pois elas favorecem a desidratação.

Faça pausas a cada 2 horas

Parar a cada duas horas para caminhar e alongar as pernas é uma das medidas mais eficazes para manter a saúde vascular em viagem de carro. Aproveite as paradas para dar uma volta curta, esticar as pernas e ativar a musculatura da panturrilha.

Movimente os pés e tornozelos durante o trajeto

Mesmo sentado, é possível ativar a circulação. Gire os tornozelos, flexione e estenda os pés algumas vezes a cada hora. Esse movimento simples estimula o retorno venoso mesmo enquanto o carro está em movimento.

Evite roupas e calçados apertados

Roupas muito justas na região da cintura e das pernas podem dificultar ainda mais a circulação. Prefira roupas confortáveis e calçados que não comprimam os pés durante o trajeto.

Dirija com tranquilidade

O estresse ao volante também impacta o corpo como um todo. Planeje o trajeto com tempo, evite pressa e aproveite a viagem com calma — isso ajuda tanto na segurança quanto no bem-estar geral, incluindo a saúde vascular.


Sinais de alerta durante a viagem

Fique atento a alguns sintomas que merecem atenção médica, principalmente após viagens longas de carro:

  • Inchaço súbito e assimétrico em uma das pernas
  • Dor localizada, vermelhidão ou calor na perna
  • Sensação de peso que não melhora com o repouso
  • Falta de ar ou dor no peito (nesse caso, procure atendimento de urgência)

Esses sinais podem indicar um problema circulatório que precisa de avaliação especializada o quanto antes.


Check-up vascular antes de viajar: vale a pena?

Para quem já tem varizes, histórico de trombose ou outros fatores de risco, um check-up vascular antes das férias é uma forma de viajar com mais tranquilidade. Nessa avaliação, é possível identificar o estado das veias, orientar sobre o uso de meia elástica e definir, junto com o médico, os cuidados específicos para o seu caso — seja uma viagem de carro, avião ou ônibus.

Cuidar da saúde vascular em viagem de carro não precisa ser complicado. Com pequenas pausas, hidratação, movimento e orientação médica quando necessário, é possível aproveitar as férias com muito mais conforto e segurança, sem abrir mão do prazer de pegar a estrada.


Ficou com alguma dúvida sobre como preparar sua circulação para a viagem? Agende uma consulta ou um check-up vascular antes de viajar e curta as férias com tranquilidade.


Revisado por: Dra. Nelise Marvulo, Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular — CRM-SP 129.367 | RQE 46207 | 462071

Observação: as informações deste conteúdo têm caráter educativo e não substituem consulta médica. A indicação de tratamento depende de avaliação clínica individual.

Varizes são veias que se tornaram alongadas, dilatadas e tortuosas, o que causa uma alteração no funcionamento desses vasos, dificultando o retorno do sangue dos tecidos para o coração. Mais frequentemente acometem as veias das coxas e pernas podendo causar, além de desconforto estético, inchaço, formigamento, dor, sensação de cansaço e peso nas pernas, sintomas esses que frequentemente pioram ao longo do dia, especialmente após permanecer longos períodos em pé ou sentado, nos dias mais quentes e no período próximo ou durante a menstruação e gravidez e que melhoram com a elevação dos membros. É um problema que acomete cerca de 38% da população brasileira e sua incidência aumenta com o avançar da idade. O principal fator associado ao seu desenvolvimento é a herança genética mas outros fatores como hormônios,  gestações, hábitos de vida, obesidade e permanência por longos períodos em pé ou sentado podem contribuir para potencializar o surgimento desse problema. Seu tratamento depende do grau de acometimento das veias, localização, quantidade e expectativas dos pacientes, podendo envolver desde mudanças no estilo de vida (perda de peso, atividades físicas regulares, alterações posturais, etc), uso de medicações sintomáticas, uso de meias elásticas, escleroterapia, laser transdérmico, espuma densa, flebectomia, cirurgia convencional para tratamento da safena ou tratamento das safenas com laser endovenoso. O avanço das técnicas permite hoje um diagnóstico preciso e associação dessas técnicas de forma a termos tratamentos mais eficazes, confortáveis, evitando internações e cirurgias em mais de 80% dos casos e, quando elas são necessárias, o processo é muito menos invasivo, com menos dor, menos sofrimento e rápida recuperação e retorno às atividades habituais!
Vasos da face e do tronco: o processo de envelhecimento, com afinamento da pele, perda de tecido de sustentação do rosto e a frequente exposição solar comumente levam ao aparecimento de vasinhos (e até mesmo veias mais calibrosas) no rosto e no tronco, que causam um incômodo estético importante. Poucas pessoas sabem que é possível tratar esses vasos de modo não invasivo, com o uso exclusivo de laser transdérmico, sem cortes, sem injeções, no próprio consultório, em poucas visitas.

Lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, geralmente em pernas e braços, associada a dor, sensibilidade ao toque, inchaço e facilidade para hematomas. Afeta quase exclusivamente mulheres e, muitas vezes, é confundida com obesidade ou linfedema, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados.

Como cirurgiã vascular, atuo no diagnóstico preciso do lipedema e no acompanhamento individualizado de cada paciente, integrando estratégias clínicas que visam aliviar sintomas, melhorar a circulação, reduzir o desconforto e preservar a qualidade de vida. O cuidado é sempre personalizado, baseado em ciência, escuta atenta e foco no bem-estar global da paciente.

A obstrução do fluxo de sangue dentro de uma veia por um trombo (sangue na forma sólida) caracteriza a trombose venosa. Em geral esse problema acontece por alteração na consistência do sangue, na velocidade de fluxo dele dentro do vaso ou por lesões diretas na parede da veia. Tais situações podem ser encontradas em pacientes acamados, imobilizados, submetidos a cirurgias longas, pacientes que receberam medicações endovenosas, que sofreram algum traumatismo nos membros, que tiveram infecções graves, doenças do sangue, pacientes com câncer ou em tratamentos oncológicos, gestantes ou pacientes em uso de hormônios, etc. A trombose venosa pode causar inchaços, normalmente acometendo apenas um dos membros, de forma súbita, com piora progressiva, sem melhora com o repouso, acompanhado de dor no membro, podendo ter surgimento de vasos mais evidentes sob a pele e alterações na cor do membro, que pode ficar mais avermelhado ou azulado. No entanto, alguns pacientes não apresentam nenhum sintoma desses e a suspeita deve ser feita quando existe a presença de algum dos fatores de risco já mencionados anteriormente. Seu diagnóstico e tratamento são importantes pois, na fase aguda, existe um risco do trombo/coágulo se desprender da veia e migrar para os vasos do pulmão, causando a temida embolia pulmonar, que pode ser fatal. Na fase tardia, a trombose pode evoluir com um quadro chamado Síndrome pós-trombótica, com aparecimento de inchaço, varizes, escurecimento da pele da perna, alterações na espessura da pele e até surgimento de úlceras de difícil cicatrização. O tratamento, na maioria das vezes, é feito em casa com medicações orais denominadas anticoagulantes a fim de evitar o aumento dos coágulos e facilitar a estabilização dos mesmos. Além disso, o uso de meias elásticas de compressão, orientações quanto a correta execução de atividades físicas e cuidados com a pele são fundamentais para uma boa evolução e qualidade de vida!

As causas de dores nas pernas são inúmeras e uma das mais frequentes é a doença venosa (Insuficiência Venosa Crônica). A compreensão dos hábitos de vida de cada paciente, do seu histórico de saúde e comorbidades atuais, bem como um exame físico e ultrassonográfico com doppler detalhado permitem a diferenciação do diagnóstico e a proposta de tratamentos eficazes e possíveis de serem realizados no dia-a-dia de cada um.

Os equipamentos de realidade aumentada iluminam a área de interesse na pele com uma luz infravermelha inofensiva que, devido às suas características, é absorvida pelo sangue . Por causa dessa absorção, uma ”imagem” da posição do vaso pode ser representada na pele da área onde há a maior concentração de sangue (no caso, as veias). Essa representação facilita identificarmos veias nutridoras de vasinhos e telangiectasias, não visíveis a olho nu por estarem sob a pele e não identificadas ao ultrassom por serem muito superficiais e pequenas para serem definidas pela tecnologia ultrassonográfica.

A adequada visualização dessas veias nutridoras facilita a sua punção durante o tratamento, permitindo a identificação do vaso e acompanhamento em tempo real da injeção das substâncias esclerosantes em sua luz, levando a melhor precisão na punção, menor quantidade de punções e mais eficácia no tratamento. Permite, junto com a associação de exame físico adequado e utilização do ultrassom doppler, que todas as veias envolvidas no quadro apresentado por cada paciente sejam tratadas adequadamente.

Outra utilidade da realidade aumentada é facilitar a marcação das veias a serem retiradas nos procedimentos cirúrgicos de tratamento de varizes. Essa tecnologia permite que as incisões sejam feitas com exatidão, minimizando sangramentos, hematomas e cicatrizes, com recuperação mais rápida e excelentes resultados estéticos e funcionais da cirurgia.