“Mas eu não tenho nenhuma veia aparente — então não pode ser circulação.” Essa é uma conclusão comum, e também um dos equívocos mais frequentes na avaliação vascular. A insuficiência venosa sem varizes aparentes existe, é mais comum do que se imagina, e costuma passar despercebida justamente porque a expectativa é de que todo problema circulatório venha acompanhado de um sinal visível na pele.

Neste artigo, explico por que é possível ter insuficiência venosa sem varizes aparentes, quais sintomas merecem atenção mesmo na ausência de veias visíveis e por que, nesses casos, o diagnóstico depende ainda mais da avaliação clínica e de exames complementares.


A insuficiência venosa sem varizes aparentes pode representar um estágio inicial da doença.

Como é possível ter insuficiência venosa sem varizes aparentes?

A explicação está na origem do problema. A insuficiência venosa decorre do mau funcionamento das válvulas dentro das veias, que permite o refluxo do sangue — esse processo acontece internamente, no fluxo sanguíneo, e não necessariamente provoca, de imediato, a dilatação visível de um vaso na superfície da pele.

Em muitos casos, a insuficiência venosa sem varizes aparentes representa um estágio inicial da doença, no qual o refluxo já está presente — identificável por ecografia vascular com Doppler —, mas a dilatação das veias ainda não evoluiu a ponto de se tornar visível. Em outros casos, o refluxo pode estar concentrado em veias mais profundas ou em segmentos específicos que não se traduzem, necessariamente, em varizes na perna como um todo.


Quais sintomas podem indicar insuficiência venosa mesmo sem varizes visíveis?

A ausência de veias aparentes não significa ausência de sintomas. Entre os sinais que podem indicar insuficiência venosa sem varizes aparentes, destacam-se:

  • Sensação de peso ou cansaço nas pernas, especialmente ao final do dia;
  • Inchaço discreto, muitas vezes atribuído a outros fatores, como calor ou cansaço;
  • Câimbras noturnas recorrentes, sem causa aparente;
  • Sensação de queimação ou latejamento em determinados trajetos da perna;
  • Coceira em áreas específicas, mesmo sem vasinhos visíveis na região.

Esses sintomas, quando recorrentes, merecem ser investigados mesmo na ausência de qualquer alteração visível na pele — a queixa da paciente, nesses casos, muitas vezes antecede o achado físico.


Uma paciente pode ter um exame físico sem achados relevantes e, ainda assim, apresentar um padrão de refluxo significativo identificado apenas pelo Doppler.

Por que a avaliação clínica isolada pode não ser suficiente nesses casos?

Quando não há varizes aparentes, o exame físico isolado tem limitações importantes para identificar a insuficiência venosa sem varizes aparentes. É justamente nesse contexto que a ecografia vascular com Doppler se torna particularmente valiosa: o exame permite visualizar o comportamento do fluxo sanguíneo dentro das veias, identificando a presença e o padrão do refluxo venoso, independentemente de haver ou não dilatação visível na superfície.

Isso significa que uma paciente pode ter um exame físico sem achados relevantes e, ainda assim, apresentar um padrão de refluxo significativo identificado apenas pelo Doppler — o que reforça a importância de não descartar a hipótese vascular apenas pela inspeção visual das pernas.


Quem deve considerar avaliação mesmo sem varizes visíveis?

Vale considerar uma avaliação vascular voltada para identificar insuficiência venosa sem varizes aparentes em situações como:

  1. Sintomas recorrentes de peso, inchaço ou câimbras, sem explicação aparente;
  2. Histórico familiar significativo de varizes ou insuficiência venosa, mesmo sem sinais visíveis ainda;
  3. Profissões ou rotinas com longos períodos em pé ou sentada, associadas a desconforto frequente;
  4. Gestações prévias, período associado a maior predisposição a alterações venosas, mesmo que discretas;
  5. Curiosidade ou preocupação preventiva, especialmente diante de fatores de risco conhecidos.

Nesses casos, a avaliação não depende da presença de um sinal visível para ser justificada — os sintomas relatados, por si só, já constituem motivo suficiente para investigação.


Esse quadro inicial precisa de tratamento?

Nem sempre. A identificação de insuficiência venosa sem varizes aparentes não significa, automaticamente, indicação de procedimento. Em muitos casos, a conduta inicial é o acompanhamento clínico, com orientações sobre hábitos que favorecem a circulação, e reavaliações periódicas para observar a evolução do quadro ao longo do tempo. A decisão sobre eventual tratamento depende da intensidade dos sintomas, do padrão de refluxo identificado e das expectativas da própria paciente.


Por que identificar esse estágio inicial é vantajoso?

Reconhecer a insuficiência venosa sem varizes aparentes em fases iniciais permite acompanhar a evolução do quadro ao longo do tempo, orientar hábitos preventivos de forma mais direcionada e, quando necessário, intervir em um momento em que as opções terapêuticas tendem a ser menos complexas do que em estágios mais avançados da doença. Esperar o surgimento de varizes visíveis para buscar avaliação significa, muitas vezes, abrir mão dessa vantagem.


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Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular e ecografista vascular (CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071).

Sou a Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular e ecografista vascular (CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071), com consultório no Jardim Paulista, em São Paulo, onde ofereço tratamento individualizado para varizes, vasinhos, lipedema, linfedema, trombose e check-up vascular, com ecografia vascular com Doppler. Atendo também por telemedicina, para todo o Brasil e para pacientes que vivem no exterior.

Não trabalho com convênios médicos, mas disponibilizo toda a documentação necessária para que você solicite o reembolso junto ao seu plano de saúde.


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Varizes são veias que se tornaram alongadas, dilatadas e tortuosas, o que causa uma alteração no funcionamento desses vasos, dificultando o retorno do sangue dos tecidos para o coração. Mais frequentemente acometem as veias das coxas e pernas podendo causar, além de desconforto estético, inchaço, formigamento, dor, sensação de cansaço e peso nas pernas, sintomas esses que frequentemente pioram ao longo do dia, especialmente após permanecer longos períodos em pé ou sentado, nos dias mais quentes e no período próximo ou durante a menstruação e gravidez e que melhoram com a elevação dos membros. É um problema que acomete cerca de 38% da população brasileira e sua incidência aumenta com o avançar da idade. O principal fator associado ao seu desenvolvimento é a herança genética mas outros fatores como hormônios,  gestações, hábitos de vida, obesidade e permanência por longos períodos em pé ou sentado podem contribuir para potencializar o surgimento desse problema. Seu tratamento depende do grau de acometimento das veias, localização, quantidade e expectativas dos pacientes, podendo envolver desde mudanças no estilo de vida (perda de peso, atividades físicas regulares, alterações posturais, etc), uso de medicações sintomáticas, uso de meias elásticas, escleroterapia, laser transdérmico, espuma densa, flebectomia, cirurgia convencional para tratamento da safena ou tratamento das safenas com laser endovenoso. O avanço das técnicas permite hoje um diagnóstico preciso e associação dessas técnicas de forma a termos tratamentos mais eficazes, confortáveis, evitando internações e cirurgias em mais de 80% dos casos e, quando elas são necessárias, o processo é muito menos invasivo, com menos dor, menos sofrimento e rápida recuperação e retorno às atividades habituais!
Vasos da face e do tronco: o processo de envelhecimento, com afinamento da pele, perda de tecido de sustentação do rosto e a frequente exposição solar comumente levam ao aparecimento de vasinhos (e até mesmo veias mais calibrosas) no rosto e no tronco, que causam um incômodo estético importante. Poucas pessoas sabem que é possível tratar esses vasos de modo não invasivo, com o uso exclusivo de laser transdérmico, sem cortes, sem injeções, no próprio consultório, em poucas visitas.

Lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, geralmente em pernas e braços, associada a dor, sensibilidade ao toque, inchaço e facilidade para hematomas. Afeta quase exclusivamente mulheres e, muitas vezes, é confundida com obesidade ou linfedema, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados.

Como cirurgiã vascular, atuo no diagnóstico preciso do lipedema e no acompanhamento individualizado de cada paciente, integrando estratégias clínicas que visam aliviar sintomas, melhorar a circulação, reduzir o desconforto e preservar a qualidade de vida. O cuidado é sempre personalizado, baseado em ciência, escuta atenta e foco no bem-estar global da paciente.

A obstrução do fluxo de sangue dentro de uma veia por um trombo (sangue na forma sólida) caracteriza a trombose venosa. Em geral esse problema acontece por alteração na consistência do sangue, na velocidade de fluxo dele dentro do vaso ou por lesões diretas na parede da veia. Tais situações podem ser encontradas em pacientes acamados, imobilizados, submetidos a cirurgias longas, pacientes que receberam medicações endovenosas, que sofreram algum traumatismo nos membros, que tiveram infecções graves, doenças do sangue, pacientes com câncer ou em tratamentos oncológicos, gestantes ou pacientes em uso de hormônios, etc. A trombose venosa pode causar inchaços, normalmente acometendo apenas um dos membros, de forma súbita, com piora progressiva, sem melhora com o repouso, acompanhado de dor no membro, podendo ter surgimento de vasos mais evidentes sob a pele e alterações na cor do membro, que pode ficar mais avermelhado ou azulado. No entanto, alguns pacientes não apresentam nenhum sintoma desses e a suspeita deve ser feita quando existe a presença de algum dos fatores de risco já mencionados anteriormente. Seu diagnóstico e tratamento são importantes pois, na fase aguda, existe um risco do trombo/coágulo se desprender da veia e migrar para os vasos do pulmão, causando a temida embolia pulmonar, que pode ser fatal. Na fase tardia, a trombose pode evoluir com um quadro chamado Síndrome pós-trombótica, com aparecimento de inchaço, varizes, escurecimento da pele da perna, alterações na espessura da pele e até surgimento de úlceras de difícil cicatrização. O tratamento, na maioria das vezes, é feito em casa com medicações orais denominadas anticoagulantes a fim de evitar o aumento dos coágulos e facilitar a estabilização dos mesmos. Além disso, o uso de meias elásticas de compressão, orientações quanto a correta execução de atividades físicas e cuidados com a pele são fundamentais para uma boa evolução e qualidade de vida!

As causas de dores nas pernas são inúmeras e uma das mais frequentes é a doença venosa (Insuficiência Venosa Crônica). A compreensão dos hábitos de vida de cada paciente, do seu histórico de saúde e comorbidades atuais, bem como um exame físico e ultrassonográfico com doppler detalhado permitem a diferenciação do diagnóstico e a proposta de tratamentos eficazes e possíveis de serem realizados no dia-a-dia de cada um.

Os equipamentos de realidade aumentada iluminam a área de interesse na pele com uma luz infravermelha inofensiva que, devido às suas características, é absorvida pelo sangue . Por causa dessa absorção, uma ”imagem” da posição do vaso pode ser representada na pele da área onde há a maior concentração de sangue (no caso, as veias). Essa representação facilita identificarmos veias nutridoras de vasinhos e telangiectasias, não visíveis a olho nu por estarem sob a pele e não identificadas ao ultrassom por serem muito superficiais e pequenas para serem definidas pela tecnologia ultrassonográfica.

A adequada visualização dessas veias nutridoras facilita a sua punção durante o tratamento, permitindo a identificação do vaso e acompanhamento em tempo real da injeção das substâncias esclerosantes em sua luz, levando a melhor precisão na punção, menor quantidade de punções e mais eficácia no tratamento. Permite, junto com a associação de exame físico adequado e utilização do ultrassom doppler, que todas as veias envolvidas no quadro apresentado por cada paciente sejam tratadas adequadamente.

Outra utilidade da realidade aumentada é facilitar a marcação das veias a serem retiradas nos procedimentos cirúrgicos de tratamento de varizes. Essa tecnologia permite que as incisões sejam feitas com exatidão, minimizando sangramentos, hematomas e cicatrizes, com recuperação mais rápida e excelentes resultados estéticos e funcionais da cirurgia.