É comum usar os termos “varizes” e “vasinhos” como sinônimos no dia a dia, mas, do ponto de vista clínico, a diferença entre varizes e vasinhos é significativa — e compreendê-la ajuda a entender por que cada apresentação pode exigir uma abordagem diagnóstica e terapêutica distinta. Essa confusão é tão comum que, frequentemente, pacientes chegam ao consultório usando um termo pelo outro, o que reforça a importância de esclarecer, com precisão técnica, o que caracteriza cada condição.

O que são vasinhos, do ponto de vista técnico?

Diferença visual entre vasinhos superficiais e varizes de maior calibre nas pernas.

Os vasinhos, tecnicamente chamados de telangiectasias, são pequenos vasos dilatados, visíveis na superfície da pele, geralmente com menos de 1 mm de diâmetro. Na classificação CEAP — sistema internacional usado para graduar a doença venosa — os vasinhos correspondem ao estágio clínico C1, junto das veias reticulares (vasos um pouco maiores, entre 1 e 3 mm, de coloração azulada). Costumam ter coloração avermelhada ou arroxeada e, isoladamente, raramente causam sintomas físicos relevantes, concentrando-se predominantemente em uma queixa estética.

O que são varizes, do ponto de vista técnico?

As varizes correspondem ao estágio C2 da classificação CEAP: veias dilatadas, tortuosas e palpáveis, com calibre igual ou superior a 3 mm. Diferente dos vasinhos, as varizes costumam estar mais diretamente associadas a um comprometimento relevante do sistema venoso subjacente — frequentemente relacionado a refluxo em veias de maior calibre, como a safena magna ou a safena parva. É justamente nesse ponto que está a principal diferença entre varizes e vasinhos: as varizes têm maior probabilidade de estar associadas a sintomas como peso, dor, cansaço e inchaço, além de maior potencial de progressão e complicação ao longo do tempo.

As duas condições sempre têm a mesma origem?

Nem sempre. Em muitos casos, vasinhos e varizes compartilham a mesma origem — um padrão de refluxo venoso subjacente que se manifesta de formas diferentes na superfície da pele. Mas isso não é uma regra: é perfeitamente possível ter vasinhos extensos sem qualquer refluxo relevante em veias profundas, assim como é possível ter varizes significativas com relativamente poucos vasinhos visíveis ao redor. Essa variabilidade é um dos motivos pelos quais a avaliação do padrão de refluxo venoso, por meio da ecografia com Doppler, é tão valiosa: ela permite entender a real relação entre o que está visível e o que está acontecendo mais profundamente na circulação.

Por que essa diferença importa na escolha do tratamento?

Ilustração dos diferentes calibres e da localização superficial dos vasinhos e das varizes.

Reconhecer a diferença entre varizes e vasinhos é essencial porque as técnicas de tratamento variam conforme o calibre, a localização e a origem de cada vaso. Vasinhos costumam responder bem à escleroterapia convencional ou ao laser de superfície, tratamentos relativamente simples e pontuais. Já as varizes, especialmente quando associadas a refluxo em veias de maior calibre, podem exigir abordagens mais específicas, como escleroterapia com espuma, ablação térmica ou, em casos selecionados, cirurgia. Tratar um vasinho com a estratégia reservada para uma variz de maior calibre — ou o contrário — tende a gerar resultados menos satisfatórios e pode até mascarar a origem real do problema.

A doença venosa pode atingir vasos de maior calibre?

Os vasinhos não se transformam em varizes, pois não têm estrutura anatômica para essa transformação. O que pode acontecer é a doença venosa passar a atingir vasos de maior calibre, manifestando-se como varizes. Portanto, quando há progressão, é a doença que passa a comprometer vasos maiores; não é o vasinho que se transforma. A avaliação vascular pode identificar o padrão venoso e orientar o acompanhamento e a conduta adequada.

Agende sua avaliação vascular individualizada

Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular e ecografista vascular (CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071).

Sou a Dra. Nelise Marvulo, cirurgiã vascular e ecografista vascular (CRM-SP 129.367 – RQE 46207 | 462071), com consultório no Jardim Paulista, em São Paulo, onde ofereço tratamento individualizado para varizes, vasinhos, lipedema, linfedema, trombose e check-up vascular, com ecografia vascular com Doppler. Atendo também por telemedicina, para todo o Brasil e para pacientes que vivem no exterior. Não trabalho com convênios médicos, mas disponibilizo toda a documentação necessária para reembolso.

Tem dúvidas se o que você vê nas pernas são varizes ou vasinhos? Agende sua avaliação vascular individualizada.

Varizes são veias que se tornaram alongadas, dilatadas e tortuosas, o que causa uma alteração no funcionamento desses vasos, dificultando o retorno do sangue dos tecidos para o coração. Mais frequentemente acometem as veias das coxas e pernas podendo causar, além de desconforto estético, inchaço, formigamento, dor, sensação de cansaço e peso nas pernas, sintomas esses que frequentemente pioram ao longo do dia, especialmente após permanecer longos períodos em pé ou sentado, nos dias mais quentes e no período próximo ou durante a menstruação e gravidez e que melhoram com a elevação dos membros. É um problema que acomete cerca de 38% da população brasileira e sua incidência aumenta com o avançar da idade. O principal fator associado ao seu desenvolvimento é a herança genética mas outros fatores como hormônios,  gestações, hábitos de vida, obesidade e permanência por longos períodos em pé ou sentado podem contribuir para potencializar o surgimento desse problema. Seu tratamento depende do grau de acometimento das veias, localização, quantidade e expectativas dos pacientes, podendo envolver desde mudanças no estilo de vida (perda de peso, atividades físicas regulares, alterações posturais, etc), uso de medicações sintomáticas, uso de meias elásticas, escleroterapia, laser transdérmico, espuma densa, flebectomia, cirurgia convencional para tratamento da safena ou tratamento das safenas com laser endovenoso. O avanço das técnicas permite hoje um diagnóstico preciso e associação dessas técnicas de forma a termos tratamentos mais eficazes, confortáveis, evitando internações e cirurgias em mais de 80% dos casos e, quando elas são necessárias, o processo é muito menos invasivo, com menos dor, menos sofrimento e rápida recuperação e retorno às atividades habituais!
Vasos da face e do tronco: o processo de envelhecimento, com afinamento da pele, perda de tecido de sustentação do rosto e a frequente exposição solar comumente levam ao aparecimento de vasinhos (e até mesmo veias mais calibrosas) no rosto e no tronco, que causam um incômodo estético importante. Poucas pessoas sabem que é possível tratar esses vasos de modo não invasivo, com o uso exclusivo de laser transdérmico, sem cortes, sem injeções, no próprio consultório, em poucas visitas.

Lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, geralmente em pernas e braços, associada a dor, sensibilidade ao toque, inchaço e facilidade para hematomas. Afeta quase exclusivamente mulheres e, muitas vezes, é confundida com obesidade ou linfedema, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados.

Como cirurgiã vascular, atuo no diagnóstico preciso do lipedema e no acompanhamento individualizado de cada paciente, integrando estratégias clínicas que visam aliviar sintomas, melhorar a circulação, reduzir o desconforto e preservar a qualidade de vida. O cuidado é sempre personalizado, baseado em ciência, escuta atenta e foco no bem-estar global da paciente.

A obstrução do fluxo de sangue dentro de uma veia por um trombo (sangue na forma sólida) caracteriza a trombose venosa. Em geral esse problema acontece por alteração na consistência do sangue, na velocidade de fluxo dele dentro do vaso ou por lesões diretas na parede da veia. Tais situações podem ser encontradas em pacientes acamados, imobilizados, submetidos a cirurgias longas, pacientes que receberam medicações endovenosas, que sofreram algum traumatismo nos membros, que tiveram infecções graves, doenças do sangue, pacientes com câncer ou em tratamentos oncológicos, gestantes ou pacientes em uso de hormônios, etc. A trombose venosa pode causar inchaços, normalmente acometendo apenas um dos membros, de forma súbita, com piora progressiva, sem melhora com o repouso, acompanhado de dor no membro, podendo ter surgimento de vasos mais evidentes sob a pele e alterações na cor do membro, que pode ficar mais avermelhado ou azulado. No entanto, alguns pacientes não apresentam nenhum sintoma desses e a suspeita deve ser feita quando existe a presença de algum dos fatores de risco já mencionados anteriormente. Seu diagnóstico e tratamento são importantes pois, na fase aguda, existe um risco do trombo/coágulo se desprender da veia e migrar para os vasos do pulmão, causando a temida embolia pulmonar, que pode ser fatal. Na fase tardia, a trombose pode evoluir com um quadro chamado Síndrome pós-trombótica, com aparecimento de inchaço, varizes, escurecimento da pele da perna, alterações na espessura da pele e até surgimento de úlceras de difícil cicatrização. O tratamento, na maioria das vezes, é feito em casa com medicações orais denominadas anticoagulantes a fim de evitar o aumento dos coágulos e facilitar a estabilização dos mesmos. Além disso, o uso de meias elásticas de compressão, orientações quanto a correta execução de atividades físicas e cuidados com a pele são fundamentais para uma boa evolução e qualidade de vida!

As causas de dores nas pernas são inúmeras e uma das mais frequentes é a doença venosa (Insuficiência Venosa Crônica). A compreensão dos hábitos de vida de cada paciente, do seu histórico de saúde e comorbidades atuais, bem como um exame físico e ultrassonográfico com doppler detalhado permitem a diferenciação do diagnóstico e a proposta de tratamentos eficazes e possíveis de serem realizados no dia-a-dia de cada um.

Os equipamentos de realidade aumentada iluminam a área de interesse na pele com uma luz infravermelha inofensiva que, devido às suas características, é absorvida pelo sangue . Por causa dessa absorção, uma ”imagem” da posição do vaso pode ser representada na pele da área onde há a maior concentração de sangue (no caso, as veias). Essa representação facilita identificarmos veias nutridoras de vasinhos e telangiectasias, não visíveis a olho nu por estarem sob a pele e não identificadas ao ultrassom por serem muito superficiais e pequenas para serem definidas pela tecnologia ultrassonográfica.

A adequada visualização dessas veias nutridoras facilita a sua punção durante o tratamento, permitindo a identificação do vaso e acompanhamento em tempo real da injeção das substâncias esclerosantes em sua luz, levando a melhor precisão na punção, menor quantidade de punções e mais eficácia no tratamento. Permite, junto com a associação de exame físico adequado e utilização do ultrassom doppler, que todas as veias envolvidas no quadro apresentado por cada paciente sejam tratadas adequadamente.

Outra utilidade da realidade aumentada é facilitar a marcação das veias a serem retiradas nos procedimentos cirúrgicos de tratamento de varizes. Essa tecnologia permite que as incisões sejam feitas com exatidão, minimizando sangramentos, hematomas e cicatrizes, com recuperação mais rápida e excelentes resultados estéticos e funcionais da cirurgia.